Abel Ferreira mostra incerteza sobre permanência no Palmeiras após tri da Libertadores
César Greco/Palmeiras

Palmeiras é tricampeão da Taça Libertadores da América. Com a vitória sobre o Flamengo por 2 a 1 na prorrogação, o Verdão mantém a hegemonia no continente e, indiscutivelmente, pode ostentar o título de melhor equipe da América. Apesar de toda a euforia pelo título conquistado no Uruguai, o técnico Abel Ferreira adotou uma postura cautelosa e incerta sobre seu futuro. Segundo o comandante lusitano, o calendário do futebol brasileiro é bastante prejudicial e impede o crescimento de mais equipes.

“Estou tranquilo, calmo, em paz comigo, sensação de dever cumprido. Já disse que a forma como vivemos o futebol é muito intensa, como se joga no Brasil é muito intensa, a forma como se joga não dá saúde a ninguém. Vou ter que refletir muito o que quero para mim, para o presente e para o futuro. Tenho que fazer uma reflexão com a família. Não consigo jogo, descanso, jogo. Não é para mim. Não consigo estar na minha máxima força. É desumano o que fazem aqui. Se quiserem crescer, têm que abdicar do ida e volta na taça. Vou parar, refletir e fazer o que for melhor para o Palmeiras”, disse.

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Ao falar apenas sobre o que ocorreu nos 120 minutos da decisão, Abel comentou as decisões perdidas neste ano de 2021 e afirmou que tais reveses formam uma equipe mais forte para conquistar títulos em futuras decisões a serem disputadas. Além disso, elogiou o atacante Deyverson. Inicialmente fora dos planos em seu retorno, o centroavante passou a ser utilizado, entrou no começo da prorrogação e precisou apenas de quatro minutos para marcar e garantir o terceiro título continental ao Palmeiras.

“Acima de tudo, estou grato por estar aqui, por juntar mais uma medalha. Não esqueço das derrotas que tivemos contra o mesmo Flamengo e contra o Defensa y Justicia também. Quem está preparado para perder, sabe ganhar. O rival é um grande time, merece os parabéns, valorizou ainda mais nossa vitória. Mas meus jogadores estão de parabéns. Um grande abraço de gratidão aos nossos jogadores. Deyverson é um sapinho que nós beijamos e transformamos em um príncipe”, concluiu.

Deyverson

Personagem principal da conquista alviverde, Deyverson manifestou compreensão sobre o período não utilizado no clube, afirmou que o gol do título é um reflexo de um empenho do clube durante toda a competição e agradeceu ao treinador.

“Tive altos e baixos, mas sempre trabalhei, respeitando o momento do treinador. É para o bem do clube, da equipe. Muitas vezes não entrei, mas sempre fui profissional. O gol do título é do Deyverson? Não foi. Foi do Palmeiras. Sou muito grato pelo que (Abel) fez por mim. Obrigado por me ter trazido de volta ao clube que amo. Não é puxa-saco, é gratidão. Ele faz uma renúncia, deixa a família em Portugal. Às vezes, as pessoas pegam pesado nas críticas, passam do limite. Mas o torcedor é apaixonado. Não estou aqui para falar o que é certo e o que é errado. Minha palavra de hoje é gratidão”, declarou.

César Greco/Palmeiras
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Eleito craque da partida, Deyverson destacou o apoio da família em permanecer concentrado e criticou quem gosta de fazer previsões antes da bola rolar, principalmente àqueles que apontaram o Flamengo como grande favorito ao duelo.

“Este gol é de todos. Estamos de parabéns pela forma como jogamos contra um adversário muito forte. Era o eleito campeão, todo mundo falava. Aqui é um grupo, uma família. As pessoas que falam muitas coisas, que dão resultado antes do jogo, têm que respeitar o Palmeiras. Algumas pessoas no celular falando: ‘Mano, a torcida do Flamengo está maior que o Palmeiras’. Eu falei que o importante não é quantidade, é qualidade”, finalizou.

Raphael Veiga

Um dos principais nomes do Palestra em todo o ano, Raphael Veiga abriu o placar aos seis minutos e deu tranquilidade ao time durante boa parte do jogo. Torcedor declarado do clube, o meia destacou a felicidade após o título, toda a preparação durante o torneio e principalmente para a decisão, além de declarar que toda a comemoração deve ser feita após um troféu tão valoroso.

César Greco/Palmeiras
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“Estou muito feliz. Sensação única e inexplicável. Eu que estive do outro lado, da torcida, agora estou aqui ajudando o time em campo. Pode passar anos e anos e ninguém vai fazer isso de novo, de ganhar duas no mesmo ano. Eu não sei explicar essa sensação de que estou, essa alegria. Realmente estou muito feliz. Eu nunca duvidei de mim, sempre soube que tinha que fazer alguns processos, estou muito feliz por isso que estou vivendo, é um sentimento único. Temos de aproveitar. Fomos muito bem treinados, preparados, alimentados. Temos de comemorar muito”, falou.

Weverton

Foi a quarta decisão que o Palmeiras disputou na temporada. Na Supercopa do Brasil, foi derrotado pelo Flamengo nos pênaltis. Na Recopa Sul-Americana, também perdeu nos pênaltis para o Defensa y Justicia. No Campeonato Paulista, foi vice-campeão perante o São Paulo. Mas a redenção veio no fim do ano. Destaque do Verde com muitas defesas importantes, inclusive na final, o goleiro Weverton destacou o feito do time de conquistar duas Libertadores consecutivas e dedicou o tricampeonato à família e à torcida.

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“Foi duro, foi difícil. Acho que esta foi nossa quarta final do ano, não ganhamos nenhum campeonato. Não é fácil vencer duas Libertadores, estamos felizes por tudo. Dedicar à minha família, aos torcedores que estiveram aqui hoje e aos que não puderam vir. A América mais uma vez é nossa”, comentou.

Dudu

Outro personagem importante na história recente do Alviverde é o atacante Dudu. Titular na final, o atacante destacou que o título conquistado neste sábado (27) foi importante por não estar na conquista do troféu na edição anterior. Questionado sobre a idolatria no Palmeiras, deixou a questão para a torcida.

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“Ano passado eu saí no meio e não tive a chance de viver isso. Este ano foi mais espacial, passamos por adversários difíceis, mostra a nossa força do nosso time quando jogamos juntos, quando estamos todos em um só propósito. Foi muito merecido este título. Meu papel é estar em campo, mostrando meu futebol, esse é meu intuito”, explicou.

Luiz Adriano

Quem não teve um ano bom foi o atacante Luiz Adriano. Camisa 10 do Palestra, o experiente jogador teve lesões, foi multado pela direção, foi bastante criticado pela torcida e discutiu com alguns torcedores. Apesar de todos os fatores que contribuíram para um desempenho muito aquém das expectativas, Luiz Adriano enfatizou que não pretende deixar o Palmeiras e elogiou Deyverson.

César Greco/Palmeiras
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“Tenho contrato até o meio de 2023 e vou continuar no Palmeiras. Não tenho desejo de sair, estou aqui para jogar. Agora é descansar um pouco, comemorar e estar melhor na pré-temporada para não se machucar e jogar o que joguei no ano passado. Foi um ano muito ruim para mim, de jogar, de ter machucado, poucas oportunidades. Pude contribuir da melhor forma possível, incentivando os companheiros, dando alguma palavra. Isso faz parte de chegar ao título. Não só jogar. Pude ajudar da melhor forma possível, de passar concentração para eles. Estou aqui com esse grupo maravilhoso. É a amizade que o grupo tem, sou um dos mais velhos de dar um conselho, uma ajuda no dia a dia. Estou muito feliz de ser um dos grandes amigos do Deyverson. Ele me escuta bastante, fico feliz de ele poder observar tudo o que tenho para falar para ele”, expressou.

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