Jon Jones volta após mais de um ano, vence Saint Preux no UFC 197 e torna-se campeão interino

Um ano depois, Jon Jones voltou para sua reestreia. Após perder o cinturão por estar afastado por tempo inderteminado, o norte-americano encarou na noite deste sábado (23) o haitiano Ovince Saint Preux, na luta principal do UFC 197 no MGM Grand Garden Arena, em Las Vegas. Originalmente, Jones enfrentaria o atual campeão Daniel Cormier, mas por DC estar lesionado, Saint Preux entrou em seu lugar e o duelo passou a valer o cinturão interino da categoria dos meio pesados.

Além da volta de Jones, também aconteceu a luta que valeu o cinturão da categorias dos moscas da organização. O campeão Demetrious Johnson encarou o atleta olímpico Henry Cejudo. Para fechar o card principal, Anthony Pettis encarou o brasleiro Edson Barboza. Outro brasileiro, Rafael Natal, entrou em ação.

Após cinco rounds, o ex-campeão dos meio pesados Jon Jones controlou, bateu, se defendeu, correu poucos riscos e se reafirmou no mundo do MMA. Duplo 50-45 e um 50-44 garantiram mais uma vitória na carreira de "Bones", agora campeão linear. Porém, Jon Jones já volta suas atenções para Daniel Cormier.

"Não quero esse cinturão. Ele não é meu. Quero o real. Tenho 20% da técnica por enquanto e desculpem se não ficaram satisfeitos com a apresentação de hoje. Na verdade, estava só imaginando como lançar minhas técnicas, mas OSP não mordeu a isca, estou bem fisicamente e mentalmente. Não acho que os fatores fora de luta me afetaram. Senti confiança na volta e precisava dela. Realmente quero lutar contra Daniel Cormier. Muito obrigado a todos vocês.", afirmou o campeão interino.

Jones, a seu modo. Foto: Getty Images

No round inicial, Jones começou com um de seus golpes característicos, os pisões nos joelhos. O ex-campeão também conectou chutes na barriga de Saint Preux, que agredia poucas vezes a partir de seus socos. Mais esperto, Jones voltou mais ágil  buscando clinches aliada a joelhadas, acertando os movimentos no haitiano.

Gozando de maior envergadura, Jones não permitia aproximação de Ovince. Saint Preux acertou golpe em Jones, que se perdeu mas logo voltou a ficar regular. No fim do segundo round, Jones conectou um chute rodade que balançou o haitiano, mas não caiu e seguiu para o round seguinte.

Jones e Saint Preux voltaram mais amenos, mornos. Jones voltou a aplicar mais chutes frontais e laterais. Na medida que o atleta de córner azul cedesse um espaço, o ex-campeão não hestiava e conectava chute alto, combinado com soco, ambos com potência.

Aos poucos, o público foi vaiando o combate, que ganhou contornos de mais estudos e com os dois poupando mais o gás para golpes mais explosivos. Jones nesta parte da luta foi ficando mais estratégico, aplicando quedas e controlando a distância. No solos, Jones buscava espaço para começar o festival de cotoveladas por cima do oponente. No último minuto do quarto assalto, Jones conseguiu a montada e dominou Saint Preux no chão.

O round final foi de controle total. Jon Jones não quis dar sopa para o azar e foi aos poucos eliminando as chances de uma revirsvolta em favor do haitiano. Jones quedou, chutou lateralmente e desferiu jabs. Saint Preux foi cansando à medida em que o tempo se encurtava. Na grade, Jones segurou e faturou de forma unânime a sua primeira batalha na volta ao octógono.

Mighty Mouse nocauteia e segue soberano na categoria dos moscas

Para o co evento principal da noite, foi reservado a luta que valia o cinturão do peso-mosca do UFC. De um lado, o campeão desde a inauguração da categoria, Demetrious Johnson. Do outro, o desafiante que também é campeão olímpico de wrestling, o norte-americano Henry Cejudo. Porém, ainda no primeiro round, o campeão seguiu com o cinturão após conectar várias joelhadas e socos em Cejudo, que caiu próximo a grade em posição de rendição.

Esta foi a oitava defesa de cinturão bem sucedida de Mighty Mouse, atualmente o primeiro colocado no ranking peso por peso do Ultimate. Já Cejudo conheceu pela primeira vez uma derrota em seu cartel, vinha de onze vitórias em toda sua trajetória após deixar de lado a luta olímpica.

Foto: Getty Images

Edson Barboza domina e vence ex-campeão com propriedade

Em uma das mais aguardadas lutas da noite, o duelo entre pesos-leve que estão entre os dez melhores da categoria. O ex-campeão Anthony Pettis, tentava tirar o atraso de duas derrotas consecutivas contra o fluminense Edson Barboza, que vinha de um revés. Em três rounds, o brasileiro levou a melhor na decisão unânime dos jurados, voltou a vencer e mostrou que ainda tem um caminho decidido para uma disputa de cinturão.

Os dois foram precisos e ágeis, mas sem efetividade ou qualquer golpe mais forte. O brasileiro encontrou a distância e aos poucos foi conectando mais sequências. Para o segundo round, o ex-campeão peso-leve tentou se encontrar na luta. Procurou mais movimentos complexos e se movimentou com mais velocidade, mas, ainda assim, não mostrou o mesmo Pettis dos tempos de campeão. Com isso, Barboza cresceu e não cedeu mais espaços, ainda indo de encontro com o americano e magoando o adversário.

No round final, Barboza aplicou os seus conhecidos low kicks, machucando as pernas de Anthony Petttis. No centro do octógono, o brasileiro preferiu se movimentar menos e tentar arriscar mais contra ataques, na medida em que Pettis precisava "achar" o brasileiro para golpear e nocautear. No fim, o brasileiro garantiu a recuperação.

Whittaker vence Natal e sobe na categoria dos médios

Na segunda luta do card principal, o neo zelandês campeão do TUF Smashes Robert Whittaker não deu chances para zebra e venceu o brasileiro Rafael Natal por decisão dos juízes. Whittaker mantém sequência positiva, agora de quatro lutas, já Sapo teve linha do tempo de quatro vitórias interrompida por revés deste sábado.

Durante o embate, Robert mostrou superioridade na trocação. Devido a uma lesão na mão, parou de combinar golpes e apostou mais em petardos de uma só sequência, ainda assim não teve dificuldades em controlar dois dos três rounds. Rafael Natal pouco buscou o jiu jitsu (seu forte) para tentar a vitória. Em pé, mostrou brechas que ainda não foram preenchidas, mas alguma delas acertou em cheio o rival. No último minuto, Whittaker quase conseguiu o nocaute técnico, mas Natal recuperou-se.

Na abertura do card principal, o campeão da primeira edição do The Ultimate Fighter America Latina, o mexicano Yair Rodriguez, encarou o americano Andre Fili na categoria dos penas. No segundo assalto, o mexicano acertou chute de esquerda no rosto de Fili, que já caiu inconsciente. Foi a terceira vitória de "El Pantera" na organização.

Três brasileiros se apresetaram no card preliminar. O primeiro, o peso-médio Marcos Pezão, acabou se recuperando de derrota em 2015 ao finalizar o norte-americano Clint Hester ainda no primeiro round. Em seguida, O campeão do TUF Brasil 4 Glaico França, no entanto, não foi capaz de vencer o peso-leve James Vick, sendo derrotdo por decisão dos juízes. Juliana "Ju Thai" Lima também não foi capaz de segurar a sua oponente, a ex campeã peso-palha Carla Esparza. Ju foi dominada os três rounds e voltou a ser derrotada na organização.

Resultados do card preliminar:

Peso-mosca: Sergio Pettis venceu Chris Kelades por decisão unânime dos juízes (30-27, 30-27, 30-27);

Peso-meio-médio: Danny Roberts venceu Dominique Steele por decisão unânime dos juízes (29-28, 29-28, 29-28);

Peso-palha-feminino: Carla Esparza venceu Juliana Lima por decisão unânime dos juízes (30-27, 30-27, 30-27);

Peso-leve: James Vick venceu Glaico França por decisão unânime dos juízes (29-28, 29-28, 30-27)

Peso-pesado: Walt Harris venceu Cody East por nocaute técnico aos 4:18 do primeiro round;

Peso-médio: Marcos Pezão venceu Clint Hester por finalização (katagatame) aos 4:35 minutos do primeiro round;

Peso-leve: Kevin Lee venceu Efrain Escudero por decisão unânime dos juízes (29-28, 29-28, 29-28)

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