Passeio pela história: de volta à F1, Aston Martin herda equipe que já foi a Jordan
Foto: Divulgação / F1

Como se já não bastasse a mudança recente de nome, a Racing Point, antiga Force India, terá uma nova alteração. Desta vez, a equipe indiana (que se tornou canadense) dá lugar a tradicional Aston Martin, que voltará a ter uma equipe na Fórmula 1 após 60 anos.

A troca de nomes envolve a compra de parte da Aston Martin por Lawrence Stroll, atual líder da equipe, efetuada ainda em 2019. Segundo informações publicadas por veículos especializados em economia, a fabricante britânica ficaria em situação financeira complicada nós próximos anos.

"O processo de investimento nesta maravilhosa marca de carros exigiu toda a minha atenção e energia por vários meses. Certamente houve algumas noites sem dormir. Ao mesmo tempo, foi um dos acordos mais emocionantes em que já estive envolvido. Carros são a minha paixão, grande parte da minha vida, e a Aston Martin sempre teve lugar especial no meu coração. Anunciar que o acordo está finalizado é um enorme privilégio e um dos momentos de maior orgulho da minha carreira", disse Lawrence.

Primeira passagem pela F1 foi breve

A montadora britânica já teve uma curta passagem pela categoria, entre os anos de 1959 e 1960, quando disputou cinco GPs com carro próprio. As melhores colocações da equipe foram no primeiro ano de competição, quando Roy Salvadori conseguiu dois sextos lugares, nos GPs de Inglaterra e Portugal. O piloto, no entanto, não conseguiu pontuar para a equipe, já que apenas os cinco primeiros colocados pontuavam.

Em 1960, a equipe disputou apenas o GP da Inglaterra, com Salvadori abandonando e o francês Maurice Trintignant terminando em 11º.

De Jordan a Aston Martin

Todos se lembram do carro amarelo que dava dores de cabeça para Ferrari e McLaren nos anos 90. Fundada por Eddie Jordan, em 1991, a equipe já passou por muitas trocas de nome e administração. Trinta anos depois, ela se tornará Aston Martin Racing.

1991-2005: Entre altos e baixos

Foto: Reprodução / F1
Foto: Reprodução / F1

Eddie Jordan não perdeu tempo e mergulhou de cabeça na F1 com sua equipe, que trazia seu sobrenome:  Jordan Grand Prix. O carro, que era equipado com um motor Ford, tinha um design aerodinâmico avançado, fazendo frente ao chassi poderoso da Benetton. Porém, por outro lado, a situação financeira não era das melhores. O único contrato significante era com a 7Up, mas nada que resolvesse os problemas da equipe.

Quanto aos pilotos, a equipe pode dizer que conseguiu revelar um tal de Michael Schumacher. Ele estreou em 1991 e conquistou quatro pontos para a equipe, que terminou o campeonato na sétima colocação, com 11 pontos.

Os próximos dois anos foram mais difíceis. Ainda com problemas financeiros, a Jordan abandonou o motor Ford e o substituiu por um Yamaha, mais barato, porém menos eficiente. Os resultados são imediatamente sentidos: a Jordan marca apenas um ponto e termina em 11º no campeonato.

Em 1993 a Yamaha retira-se temporariamente e a Jordan é obrigada a mudar para o modesto motor Hart. Vários pilotos guiaram o carro: Barrichello, Capelli, Boutsen, Naspetti Apicella e Irvine. Três pontos são marcados e a Jordan termina a temporada de 93 em 10º.

Em 1994, para estabilizar a equipe, Jordan decidiu continuar com o motor Hart. A recompensa? 28 pontos e um quinto lugar no campeonato. Porém, ao fim da temporada, a Jordan assina um contrato de três anos com a Peugeot.

Os resultados da troca de motor não pareceram muito bons em 1995 apesar dos dois pódios conquistados, já que a equipe terminou a temporada com sete pontos a menos que no ano anterior.

Em 1996 se esperava mais da equipe com a chegada de Brundle para substituir Irvine, mas mais uma vez a temporada é média: 22 pontos e sem pódio.

Em 1997 a equipe mostra ao mundo o famoso design de seu carro com uma víbora na parte da frente. Ralf Schumacher e Fisichella são os novos pilotos e, surpreendentemente, a equipe consegue uma excelente temporada, com um pódio e 33 pontos. Mas no final do ano, é anunciada uma nova troca de motores. Agora a equipe tinha um motor Mugen-Honda.

No próximo ano, em 1998, a equipe contrata o ex-campeão mundial, Damon Hill. A contratação se mostrou acertada, já que a equipe conquistou sua primeira vitória com uma dobradinha na Bélgica, além de um quarto lugar no Campeonato de Construtores e mais três pódios.

Em 1999, Heinz-Harald Frentzen era o novo contratado da equipe, para fazer dupla com Damon Hill. O início de temporada é excelente, com o alemão conquistando duas vitórias, chegando a disputar o título até certo ponto da temporada com Mika Hakkinen e Eddie Irvine. Ao fim da temporada, a equipe conquista o terceiro lugar nos dois campeonatos.

As coisas começam a não funcionar em 2000, com Frentzen e Trulli pilotando o carro. Combinados, os dois marcam apenas 17 pontos para a equipe, e a Jordan termina o ano na 6ª colocação. O ano seguinte também não é dos melhores. Agora com Alesi no lugar de Frentzen, a equipe sobe apenas uma posição ao fim do campeonato, com 19 pontos. 

Nós últimos três anos de existência, em 2003, 2004 e 2005, a equipe crava a penúltima colocação em todas elas, deixando de existir e se tornando Midland F1 Racing.

2006 - 2007: Era Midland/Spyker

Foto: Reprodução / F1
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A equipe foi então comprada pelo canadense nascido na Rússia, Alex Schneider. Porém, a equipe disputou apenas as cinco primeiras corridas da temporada de 2006 com o nome e Midland, quando foi comprada pela Spyker Cars N.V. e rebatizada para Spyker F1. A equipe terminou a temporada sem pontos, na penúltima colocação.

Em 2007 a equipe passa a ter o motor Ferrari. O ponto alto da temporada foi quando o alemão Marcus Winkelhock liderou por algumas voltas o GP de Nürburgring, sob forte chuva. Winkelhock nunca venceu aquela corrida, já que teve que abandonar.

Ao fim da temporada, a equipe é novamente vendida, desta vez ao indiano Vijay Mallya, chefe da companhia aérea Kingfisher, que funda então a Force India.

2008 - 2018: Estabilidade com a Force India

Foto: Reprodução / F1
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A chegada de Vijay Mallya dá finalmente estabilidade à equipe, mas os resultados na pista não aparecem no primeiro ano. A equipe não conquistou pontos, amargando novamente a penúltima colocação. Em 2009, mudança de motores: de Ferrari para Mercedes. A pole de Fisichella na Bélgica e seu segundo lugar na corrida mostram que os investimentos do indiano estão surtindo efeito.

Nos anos seguintes a equipe se mostra uma grande reveladora de talentos, com Paul Di Resta e Nico Hülkenberg sendo os dois nomes principais.

Com o tempo, a parceria com a Mercedes se torna sólida, e a Force India conseguiu aproveitar quando as regras foram alteradas em 2014. A equipe traz de volta Nico Hülkenberg, que teve um ano difícil na Sauber, e Sergio Pérez, que também não teve uma temporada boa na McLaren. Pérez consegue então vários pódios: no Bahrein em 2014, na Rússia em 2015, em Mônaco e no Azerbaijão em 2016. Acima de tudo, a Force India se instala como uma sólida equipe de meio pelotão. Porém, preocupações financeiras voltam a aparecer

Em 2017 com Sergio Pérez e Esteban Ocon como pilotos, a equipe conquista um surpreendente quarto lugar no Campeonato de Construtores, chegando a 187 pontos.

Mas se o ano de 2017 foi ótimo, em 2018 problemas com Mallya, dono da equipe, trazem à tona uma realidade preocupante. O indiano era acusado de lavagem de dinheiro e fraude na Inglaterra.

2018 - até o momento: Stroll, Racing Point e Aston Martin

Foto: Reprodução / F1
Foto: Reprodução / F1

Após o GP da Hungria de 2018, a equipe foi colocada em administração judicial e comprar por Lawrence Stroll, pai do piloto Lance Stroll. A então Force India foi desclassificada do campeonato e repassada ao empresário, que a renomeou como Racing Point. Porém, por utilizar o mesmo chassi, a equipe teve de manter o antigo nome, se tornando Racing Point Force India. Após o início da temporada de 2019, a equipe pôde finalmente retirar o antigo nome e deixar apenas o novo, que permanecerá até 2021, quando passará a se chamar Aston Martin.

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