#EquipesF1: o sonho da Williams Racing que se tornou realidade
Nelson Piquet em 1987 (Foto: Reprodução)

Nem sempre as trajetórias das equipes de Fórmula 1 estão frescas nas memórias do fã da principal categoria automobilística do planeta. Há 70 anos havia o primeiro campeonato mundial de F1, mas de lá para cá muita coisa mudou, entre elas as equipes, que hoje compõem o grid. Hoje, dez construtoras brigam pelo título, entretanto você conhece a histórias de todas elas?

Assim, VAVEL Brasil relembra os principais momentos de Alfa Romeo, Alpha Tauri, Ferrari, Haas, McLaren, Mercedes, Racing Point, Red Bull Racing, Renault e Williams. Serão duas semanas de publicações, esta primeira terão as cinco primeiras citadas acima. Em seguida, as outras cinco da ordem alfabética. Sem mais delongas, vamos com uma equipe eneacampeã de construtores:

Williams

A equipe Williams Racing surgiu no ano de 1977, entretanto o sonho de Frank Williams e Patrick Head não era novo. Em 1969 foi criado a equipe Frank Williams Racing Car com o chassi da Brabham e com Piers Courage de piloto. O grupo conseguiu um simbólico segundo lugar, no GP de Mônaco (o mesmo feito foi repetido, no GP dos EUA), a segunda corrida do time. No entanto, a temporada seria marcada com muitos abandonos, sendo cinco das dez corridas que disputaram. 

Nos anos seguintes, entre 1970 a 1975, nada mudou, com exceção dos chassis. Os resultados não vieram e tiveram que amargar muitos abandonos e desclassificações. Para se ter ideia, das 77 corridas disputadas, o grupo conquistou apenas um segundo lugar com Jacques Laffite, em 1975, no GP Alemão; e mais oito corridas na zona de pontuação. A ausência de resultados faziam a equipe sofrer com as últimas posições no campeonato. Em 1976, o grupo alterou o nome para Wolf, após a sua compra pelo milionário canadense, Walter Wolf. A mudança do nome e de investimento, não alterou os resultados e o time não conseguiu pontuar naquela temporada. 

Com os fracassos anteriores, Frank Williams era um dos funcionários da Wolf, ele e Patrick Head decidiram em criar uma equipe do zero e nascia ali, a Williams Racing, como a conhecemos até hoje. E por qual razão? Frank insistia tanto no sonho de ter uma equipe vitoriosa na categoria? Nascido em South Shields, em 1942, sendo filho de um oficial da força aérea do Reino Unido, ele acabaria sendo criado em um internato, na Escócia, onde faria amizades que o levou para a paixão do automobilismo. 

Já o seu sócio, Patrick, nascera dentro do ambiente automotivo. Seu pai era piloto e competia com uma Jaguar nos anos 50, em competições de carros esportivos. Após ingressar na Marinha, acabaria se interessando pela engenharia dos carros de corrida e ao lado de Frank, criaria uma das principais equipes da Fórmula 1. 

Primeiros anos

Em 1977, os resultados não seriam diferentes dos anos anteriores, com um March 761 e Patrick Nève como piloto, a equipe sairia zerada na classificação. Então, em 1978, quando Patrick Head projetou o seu primeiro carro, que o sonho de Frank começaria a tornar forma. Com Alan Jones, pilotando, a Williams Racing conseguiria um pódio e duas voltas rápidas. Pouco, mas um começo para os anos seguintes, que já seria visto em 1979. 

Com Alan Jones e Clay Regazzoni, a Williams conseguiu um vice campeonato, com cinco vitórias, três poles e 10 pódios. A primeira vitória veio com Regazzoni, no GP Britânico, entretanto, as outras quatro vitórias daquela temporada vieram com Jones, um indício do que aconteceria em 1980, quando Alan Jones conquistou o mundial de pilotos ao vencer cinco corridas, superando Nelson Piquet. A Williams festejou duplamente, ao conquistar seu primeiro título de construtores naquele mesmo ano e em 1981, o seu bicampeonato. 

Alan Jones em 1980 (Foto: Reprodução)
Em 1980, Alan Jones foi o primeiro campeão com a Willaims (Foto: Reprodução)
Nelson Piquet, campeão em 1987 com a Williams (Foto: Reprodução)
Nelson Piquet, campeão em 1987 com a Williams (Foto: Reprodução)

O auge

As primeiras vitórias e título vieram com o motor Ford Cosworth. No total, dois títulos de equipe e dois de pilotos, além de 16 vitórias, nove poles, 49 pódios, um casamento vitorioso nas cinco temporadas que disputaram nos anos 70-80, mas nada supera o casamento do motor Renault, nos anos 90. Foram nove temporadas, a começar por 1989, com cinco títulos de construtores e quatro títulos de pilotos; com 63 vitórias (43%), 79 poles (54%), 69 voltas mais rápidas (47%) e 141 pódios. 

Sem um piloto para liderar a equipe, como vimos no caso da Ferrari e Mercedes, no seus auges, o destaque da equipe ficou com Adrian Newey, responsável pela parte aerodinâmica dos carros, das equipes em que trabalha. Ele foi o projetista responsável pelos nove títulos conquistados nessa parceria. 

Adrian Newey hoje defende a RBR (Foto: Reprodução/RBR)
Adrian Newey atualmente defende a RBR (Foto: Reprodução/RBR)

Seca na Williams

O sucesso obtido com Adrian e com o motor Renault foi bastante sentida pela Williams na ausência desses dois. A equipe amarga 22 temporadas sem título, tendo por duas vezes, uma seca de sete temporadas sem vitórias(pior sequência) que poderá ser superada, caso a equipe não vença nenhuma corrida em 2020. Esta seca só não é pior, pois em 2012, Pastor Maldonado venceu o GP da Espanha, quebrando a primeira dessas duas sequências. 

Esta última sequência pode ser considerado até a pior, já que em 2019 conseguiu apenas um ponto(a pior marca desde 1977), a equipe apresenta cinco temporadas sem marcar uma pole, uma sequência nunca registrada pelos comandados por Frank. Este por sinal, teve um sério acidente e ficou tetraplégico e nos últimos anos vem deixando a equipe no comando da Claire, sua filha. 

Grandes pilotos

Nos últimos anos, a Williams vem sofrendo com crise financeira e por essa razão, a equipe cada vez mais vem se escorando em pilotos que tragam patrocinadores e um suporte financeiro para manter a equipe de forma estável. Mas como uma equipe vitoriosa no seu passado, ela apresenta grandes pilotos que um dia já defendeu o grupo. Vamos a lista (em negrito campeões mundiais):

Nigel Mansell: 95 corridas, 28 vitórias, 28 poles, 23 melhores voltas, 43 pódios, 1 título. 

Ralf Schumacher: 94 corridas, 6 vitórias, 5 poles, 7 melhores voltas, 21 pódios, 0 titulo.

Riccardo Patrese: 81 corridas, 4 vitórias, 6 poles, 10 melhores voltas, 24 pódios, 0 titulo.

Felipe Massa: 78 corridas, 0 vitória, 1 pole, 1 melhor volta, 5 pódios, 0 titulo.

Valtteri Bottas: 77 corridas, 0 vitória, 0 pole, 1 melhor volta, 9 pódios, 0 titulo.

Nico Rosberg: 70 corridas, 0 vitória, 0 pole, 2 melhores voltas, 2 pódios, 0 titulo.

Juan-Pablo Montoya: 68 corridas, 4 vitórias, 11 poles, 11 melhores voltas, 23 pódios, 0 titulo. 

Damon Hill: 65 corridas, 21 vitórias, 20 poles, 19 melhores voltas, 40 pódios, 1 título.

Keke Rosberg: 62 corridas, 5 vitórias, 4 poles, 3 melhores voltas, 15 pódios, 1 título.

Alan Jones: 60 corridas, 11 vitórias, 6 poles, 13 melhores voltas, 22 pódios, 1 título. 

Jacques Villeneuve: 49 corridas, 11 vitórias, 13 poles, 9 melhores voltas, 21 pódios, 1 título.

Nelson Piquet: 31 corridas, 7 vitórias, 6 poles, 11 melhores voltas, 21 pódios, 1 título.

Jenson Button: 17 corridas, 0 vitória, 0 pole, 0 melhor volta, 0 pódio, 0 titulo.

Alain Prost: 16 corridas, 7 vitórias, 13 poles, 6 melhores voltas, 12 pódios, 1 título.

Ayrton Senna: 3 corridas, 0 vitória, 3 poles, 0 melhor volta, 0 pódio, 0 titulo.

Mario Andretti: 1 corrida, 0 vitória, 0 pole. 0 melhor volta, 0 pódio, 0 titulo.

Expectativas futuras

O futuro da Williams não é animador, como vimos no texto acima, a equipe amarga uma seca grande, a pior já passada pelo grupo e com uma forte crise financeira, que deve ampliar com a pandemia do coronavírus, no momento em que a temporada foi adiada e o dinheiro que entra no decorrer de cada etapa, não vem entrando nos cofres. Em 2020, a equipe vem com uma dupla de jovens pilotos, com George Russell e Nicholas Latifi.

Temporadas: 42
GPs disputados: 720
Vitórias: 114
Poles: 128
Pódios: 312
Voltas mais rápidas: 133

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