Copa do Mundo VAVEL: a história do Mundial de 1950

Copa do Mundo VAVEL: a história do Mundial de 1950
Copa do Mundo VAVEL: a história do Mundial de 1950

Após um hiato de 12 anos por conta da segunda guerra,  a Copa do Mundo voltou a ser disputada em 1950. O país sede foi o Brasil e a bola rolou entre os dias 24 de junho e 16 de julho. Ao todo foram 13 participantes, 22 partidas e 88 gols marcados. 

Muitas seleções desistiram de participar do Mundial, por conta do alto custo do translado até o Brasil. Seleções  como França, Turquia, Portugal, Escócia, Índia e Birmânia ficaram de fora. O motivo da Escócia não ter ido ao mundial foi peculiar, segundo dirigentes da federação escocesa não havia motivos para disputar um torneio no qual participaria a Inglaterra. 

As 13 seleções que disputaram o mundial: Uruguai, Brasil, Suécia, Espanha, Iugoslávia, Suíça, Itália, Inglaterra, Chile, Estados Unidos, Paraguai, México e Bolívia

Sistema de disputa

Até por ter um número ímpar de seleções participantes, não tivemos implementado ainda o sistema de mata-mata na reta final de competição. No Mundial de 1950, tivemos a primeira fase com quatro grupos, sendo o grupo 1 e 2 com quatro participantes. O grupo 3 com três seleções e o grupo 4 com apenas dois times.

A segunda fase foi disputada por um quadrangular final com apenas o líder de cada grupo, todos os times jogaram entre si e o primeiro colocado do quadrangular seria o grande campeão, sendo assim, não existindo uma final de campeonato.

País Sede

Devido o período pós guerra - com a Europa em crise - a FIFA abriu os olhos para a América. O Brasil que já havia feito uma proposta em 1942 para sediar uma Copa do Mundo, foi escolhido em 1950 para ser o país sede da 4ª edição do torneio mais importante do Futebol.

Tivemos seis cidades que receberam jogos: Belo Horizonte, Curitiba, Porto Alegre, Recife, São Paulo e Rio de Janeiro.

Estádio Raimundo Sampaio

partida entre Estados Unidos x Inglaterra, no estádio Independência
Partida entre Estados Unidos x Inglaterra, no estádio Independência ( foto: GettyImages)

O Estádio Raimundo Sampaio - hoje conhecido como Arena Independência -  recebeu três jogos: Iugoslávia x Suíça, Estados Unidos x Inglaterra e Uruguai x Bolívia e foi construido para a Copa do Mundo, na época pertencente ao Sete de Setembro Futebol Clube, o estádio tinha capacidade para 30 mil pessoas.

Vila Capanema

Foto: Divulgação/ Paraná Clube
Foto: Divulgação/ Paraná Clube

O Estádio Durival Britto, conhecido como Vila Capanema, foi inaugurado em 1947, pertence ao Paraná Clube, na época Clube Atlético Ferroviário. Com capacidade para 10 mil pessoas, o estádio recebeu duas partidas: Espanha x Estados Unidos e Suécia x Paraguai.

Estádio dos Eucaliptos 

Casa do Internacional até 1969, o Estádio dos Eucaliptos  comportava um público de 20 mil pessoas  e foi sede de dois confrontos: Iugoslávia x México, Suíça x México. O estádio foi demolido em 2012 após a venda do terreno.

Ilha do Retiro

Escolhida para representar o Nordeste, Recife era uma das três cidades na época que tinha mais de meio milhão de habitantes. A Ilha do Retiro foi o estádio selecionado para sediar os jogos.

O planejamento era de duas partidas no local,mas a França acabou desistindo do Mundial por conta da Logística, os franceses fariam uma partida em Porto Alegre e em seguida na Ilha do Retiro, uma distância de 3.779 quilômetros  entre os dois estádios. Com isso, a sede recebeu apenas uma partida entre Chile x Estados Unidos.

Pacaembu

Espanha x Uruguai no Pacaembu lotado (foto: GettyImages)
Espanha x Uruguai no Pacaembu lotado (foto: GettyImages)

O meu, o seu, o nosso Pacaembu foi inaugurado em 1940, sendo o segundo estádio com maior capacidade do mundial daquela edição com 60 mil pessoas. Foi sede de um total de seis partidas, sendo uma da Seleção Brasileira contra a Suíça.

Maracanã

Maracanã em partida do Brasil. (Foto: GettyImages)
Maracanã em partida do Brasil. (Foto: GettyImages)

O lendário estádio Jornalista Mário Filho, o Maracanã foi construido para a Copa do Mundo e tinha o objetivo de ser o maior estádio do mundo. Na época sua capacidade era para 200 mil pessoas. O principal estádio do torneio, recebeu oito jogos sendo quatro da Seleção Brasileira. 

Fase de grupos

As equipes foram divididas na primeira fase em quatro grupos, o grupo 1  e 2 com quatro integrantes o terceiro com três times e o quarto grupo apenas duas equipes. O primeiro colocado de cada grupo garantia vaga para próxima fase

Grupo 1

O Brasil foi absoluto na primeira fase, sendo líder do grupo 1 com cinco pontos passando para próxima fase de forma invicta.

Na estreia da Copa do Mundo, a Seleção Brasileira goleou o México por 4 a 0, com dois gols de Ademir. No outro jogo, Iugoslávia bateu a Suíça por 3 a 0.

Na segunda rodada, tivemos um empate entre Brasil e Suíça por 2 a 2. Já o México foi derrotado mais uma vez, agora pela Iugoslávia por 4 a1.

A última rodada foi o encontro do líder Iugoslávia  e vice-líder Brasil, quem vencesse garantiria vaga para a próxima fase. E deu Brasil por 2 a 0 com gols de Ademir e Zizinho.

Posição Seleção Pontos Vitórias Empates Derrotas
Brasil 5 2 1 0
Iugoslávia 4 2 0 1
Suíça 3 1 1 1
México 0 0 0 3

Grupo 2

A Espanha sobrou em seu grupo, vencendo outras partidas.  Disputando uma vaga para o quadrangular final, a La Roja tinha adversários sem grande experiência como a sensação Inglaterra, a qual estreava em copas do mundo e os Estados Unidos que na época era amadora formada por trabalhadores.

Apesar do amadorismo, os Estados Unidos venceram a Inglaterra por 1 a 0, conquistando sua única vitória no torneio. Os ingleses bateram Chile por 2 a 0. E os Sul-Americanos goelaram os Estados Unidenses por 5 a 2.

Posição Seleção Pontos Vitórias Empates Derrotas
Espanha 6 3 0 0
Inglaterra 2 1 0 2
Chile 2 1 0 2
Estados Unidos 2 1 0 2

Grupo 3

Formado por apenas três seleções, o grupo três era um dos mais complicados, formado pela Seleção Sueca que tinha uma ótima geração, a Itália, na época era a atual campeã do mundo e o Paraguai completava o grupo. 

A Suécia bateu a Itália logo na primeira rodada, em um jogaço por 3 a 2.  Em seguida, empate com o Paraguai por 2 a 2 conquistando a classificação. A Itália que acabou como segunda colocada venceu o Paraguai por 2 a 0.

Posição Seleção Pontos Vitórias Empates Derrotas
Suécia 3 1 1 0
Itália 2 1 0 1
Paraguai 1 0 1 1

Grupo 4

O último grupo, formado apenas por Sul-Americanos, o  Uruguai conquistou a vaga para o quadrangular final com uma sonora goleada em cima da Bolívia  por 8 a 0, com hat-trick de Míguez

Posição Seleção Pontos Vitórias Empates Derrotas
Uruguai 2 1 0 0
Bolívia 0 0 0 1

Quadrangular final

A segunda fase foi um quadrangular final, classificaram apenas os  primeiros colocados  de cada grupo, todos os times jogaram entre si, o Brasil deu duas goleadas, contra Suécia por 7 a 1 e a Espanha, onde venceu por 6 a 1.

Os espanhóis além de perderem para o Brasil, empataram com Uruguai por 2 a 2  e foram derrotados pela Suécia por 3 a 1 ficando em último lugar no quadrangular sem sequer conquistar uma vitória. 

Os Suecos foram goleados pelos donos da casa, em seguida sofreu nova derrota, agora para Uruguai. Na última partida se recuperou vencendo a Espanha por 3 a 1.

A Celeste começou a última fase empatando com a Espanha, em seguida venceram a Suécia por 3 a 2 e no último jogo bateu o Brasil por 2 a 1 com gols de Schiaffino e Ghiggia.

posição Seleção Pontos Vitória Empates Derrotas
Uruguai 5 2 1 0
Brasil 4 2 0 1
Suécia 2 1 0 2
Espanha 1 0 1 2

Campeão

Apesar do regulamento não prever uma final de campeonato, a rodada final do quadrangular teve encontro do até então líder Brasil com quatro pontos, e o segundo colocado Uruguai com três. O campeão seria definido nesta partida, o empate favorecia a Seleção Brasileira.

A partida entrou para a história, Maracanã abarrotado, quase 200 mil pessoas estavam no estádio para ver o Brasil campeão. O clima de festa estava contagiado por todo Rio de Janeiro. Quando a bola rolou, os donos da casa abriram o placar aos 2 minutos do segundo tempo, com Friaça.

Foi então que os Uruguaios mostraram suas forças, Schiaffino  empatou a partida, jogando um balde de água fria nos brasileiros,mas o resultado ainda era a favor dos donos da casa. A Celeste não desistiu, aos 34 minutos do segundo tempo Ghiggia escreveu seu nome na história das Copas do Mundo e calou 199.854 pessoas que estavam no Maracanã na tarde daquele domingo 16 de Julho, marcando o gol do título do Uruguai.

Em uma entrevista, Ghiggia contou sobre o silêncio absoluto no Maracanã: "O silêncio era tão grande que se uma mosca estivesse voando por lá, ouviríamos o seu zumbido"

Time Base do Uruguai: Máspoli; Matias González e Tejera; Gambetta, Obdulio Varela e Rodríguez Andrade; Ghiggia, Julio Perez, Míguez, Schiaffino e Vidal (Morán). Técnico: Juan Lopez.

 

 

Surpresa

A Suécia foi a grande surpresa da Copa do Mundo de 1950. Quarto colocado na última edição em 38, os Suecos tiveram um grupo difícil na primeira fase,  estando junto com até então atual campeão do mundo Itália e Paraguai como franco atirador.  A seleção Sueca conseguiu terminar em primeiro no grupo com três pontos, vencendo Itália e empatando com o Paraguai. 

No quadrangular final, o time conquistou o terceiro lugar na Copa com dois pontos a menos do vice-campeão Brasil. A Suécia ainda ficou na frente da Espanha que fechou o quadrangular em último lugar. 

Seleção Sueca no estádio do Pacaembu ( divulgação/FIFA)
Seleção Sueca no estádio do Pacaembu ( divulgação/FIFA)

Decepção

Campeã do mundo em 1938 - última copa disputada- a Seleção da Itália sofreu diversos problemas para participar do mundial de 50. A crise no país pós 2ª Guerra Mundial e a tragédia de Superga, acidente aéreo que matou todo o time do Torino, na época base da Seleção Italiana fez com que os dirigentes cogitassem não disputar a edição no Brasil.

Mas com um esforço dos cartolas da FIFA, a Federação Italiana aceitou defender o título. Desfalcada, a equipe não passou sequer da primeira fase, em um grupo de três integrantes, a Azzurra ficou na segunda colocação com apenas  dois pontos, conquistando uma vitória.

Artilheiro

Ademir Menezes foi o grande goleador da Copa do Mundo de 1950, o jogador Brasileiro balançou as redes em nove oportunidades, revelado pelo Sport Recife, Ademir era jogador do Vasco da Gama onde fez 301 gols pelo clube em 429 jogos. Pela Seleção Brasileira, foram total de 41 partidas e 35 tentos jogou pela amarelinha de 1945 até 1953. 

Brasil na Copa

Expectativa, Euforia, Empolgação e Frustração. Essas quatro palavras definiram o Brasil na Copa do Mundo em 1950. Jogando em casa, foi criado uma enorme expectativa para o bom desempenho do time  para a conquista do título mundial, já que na copa anterior os Brasileiros foram terceiros colocados. 

A Seleção Brasileira correspondeu fazendo uma primeira fase quase perfeita foram duas vitórias e um empate, com direito a goleada no México por 4 a 0, levando a torcida a euforia. 

No quadrangular final o Brasil estava jogando o fino da bola, goleou mais duas seleções, a Suécia por 6 a 1 e a Espanha por 7 a 1. A torcida empolgou, o clima antes da partida decisiva contra o Uruguai era de que os donos da casa já tinham sido campeões do mundo, até o presidente da FIFA, Jules Rimet havia preparado um discurso em português, Só bastava entrar em campo e confirmar o título.  

 A bola rolou, e o que se viu dentro de campo foi bem diferente da expectativa de todos, a Seleção do Uruguai surpreendeu todo mundo e venceu a partida por 2 a 1 de virada. A Frustração foi do tamanho do Maracanã o qual recebia quase 200 mil pessoas naquele domingo. Ghiggia foi responsável por calar o estádio inteiro e fazer esta derrota brasileira entrar para a história do futebol como Maracanazo.

Foto:GettyImages
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