Copa do Mundo VAVEL: a história do Mundial de 1958

Copa do Mundo VAVEL: a história do Mundial de 1958

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Renata Guerra

A Copa do Mundo de 1958 foi realizada na Suécia entre os dias 8 e 29 de junho. Contou com a participação de 16 seleções. O evento foi sediado na Suécia, tendo partidas realizadas nas cidades de: Borås, Eskilstuna, Gotemburgo, Halmstad, Helsingborg, Malmö, Norrköping, Örebro, Sandviken, Solna, Uddevalla e Västerås.

Seleções participantes: Alemanha Ocidental, Irlanda do Norte, Tchecoslováquia, Argentina, França, Iugoslávia, Paraguai, Escócia, Suécia, País de Gales, Hungria, México, Brasil, União Soviética, Inglaterra e Áustria. 

Doze estádios suecos foram usados para Copa. Entre eles, três acabaram construídos especialmente para a competição (Tunavallen, Ulevi e Malmö Stadium) e dois teve sua ampliação feita (Rasunda e Idrottsparken).

FASE DE GRUPOS: PRIMEIRA FASE

Grupo 1: 

Alemanha Ocidental ficou em primeiro lugar. A Irlanda do Norte surpreendeu o mundo ao ficar com a segunda vaga após derrotar a Tchecoslováquia no jogo desempate. A Tchecoslováquia aplicou na Argentina uma super goleada e histórica por 6 a 1. A grande decepção da Copa foi a equipe argentina ficando em último lugar.

Grupo 2:

A França foi o destaque do grupo, com vários craques, como Fontaine e Kopa. A seleção passeou contra o Paraguai por 7 a 3 e venceu a Escócia por 2 a 1, só teve uma derrota  a Iugoslávia na segunda rodada não fez diferença, por ter um saldo maravilhoso. Os iugoslavos ficaram com a segunda vaga.

Grupo 3:

Suécia, dona da casa, passeou. O País de Gales ficou em segundo lugar. Sendo assim, esta foi a única copa até hoje em que as quatro seleções britânicas participaram juntas (Escócia, Irlanda do Norte, País de Gales e Inglaterra).

Grupo 4:

Brasil, Inglaterra, Áustria e URSS brigavam por duas vagas. O Brasil estreou bem com 3 a 0 na Áustria. mas após o empate em 0 a 0 contra a seleção da Inglaterra, (o 1º da historia das copas), os jogadores se reuniram com o treinador, Vicente Feola, e pediram a entrada de Mané Garrincha e Pelé na equipe principal. O pedido fo aceito e  deu resultado: Brasil 2-0 URSS, com grande atuação de Garrincha. A URSS ficou com a outra vaga ao vencer a Inglaterra por 1 a 0 no jogo desempate.

QUARTAS DE FINAIS:

Brasil 1 x País de Gales -  O mundo realmente conheceu Edson Arantes do Nascimento no dia 19 de junho de 1958. Em uma dura partida contra o País de Gales, Pelé marcou o primeiro gol de sua vida em uma Copa do Mundo. Mal sabia o planeta que ali começaria a trajetória do maior jogador de todos os tempos no maior palco do futebol.

 

Acervo Estadão
Acervo Estadão
Primeiro gol de Pelé na Copa do Mundo pela Seleção Brasileira (Divulgação/Luiz Carlos Barreto)
Primeiro gol de Pelé na Copa do Mundo pela Seleção Brasileira (Divulgação/Luiz Carlos Barreto)

França 4 x 0  Irlanda do Norte -  A seleção francesa aplicou uma goleada sobre a Irlanda do Norte com placar de 4 a 0, no Norrköping. O placar foi construído por Fontaine (2), PiantoniWisniewski.

 Alemanha Ocidental 1 x 0 Iugoslávia - A seleção alemã  derrotou a Iugoslávia pelo placar de 1 a 0, no Malmö. Rahn garantiu a vitória, marcando o gol da partida. 

Suécia 2 X 0 URSS - Os donos da casa e favoritos ao título, venceram sem dificuldades e avançaram às semi finais.

SEMI FINAIS DA COPA DO MUNDO 1958:

Brasil 5 x 2 França -  Exibição brilhante, com Pelé, Garrincha e Didi em um grande dia. A promessa era de jogo duro no dia 24 de junho de 1958. Era o Brasil contra o poderoso ataque francês, liderado por Just Fontaine. Mas sobrou a classe superior brasileira, que carimbou a vaga para a final. No final, 5 a 2 para o time de Vicente Feola, gols de Vavá, Didi e Pelé três vezes. Fontaine e Piaontani diminuíram para os franceses.

Didi e Raymond Kopa momentos antes do início da semifinal; Crédito: jogosdaselecaobrasileira.wordpress.com/
Didi e Raymond Kopa momentos antes do início da semifinal; Crédito: jogosdaselecaobrasileira.wordpress.com/

 

Suécia 3 x 1 Alemanha Oriental - A seleção sueca continuou com seu favoritismo e derrotou com facilidade os alemãs. Na partida, houve provocações que fizeram a seleção alemã perder a cabeça no jogo.

A FINAL: Brasil 5 x 2 SUÉCIA

Escalação do Brasil: 

SELEÇÃO POSA PARA FOTO DO TÍTULO EM 1958 (FOTO: GETTY IMAGES)
SELEÇÃO POSA PARA FOTO DO TÍTULO EM 1958 (FOTO: GETTY IMAGES)

Gilmar; Djalma Santos, Bellini, Orlando, Nilton Santos; Zito, Didi; Garrincha, Vavá, Pelé, Zagallo. Técnico Vicente Feola

Escalação da Suécia: 

Karl Svensson; Bergmark, Axbom; Börjesson; Gustavsson, Parling; Hamrin, Gren, Simonsson, Liedholm, Skoglund. Técnico George Raynor

A Seleção Brasileira disputou todos os jogos anteriores com a camisa amarelinha, mas na final teve pela frente a Suécia, também amarela. O sorteio determinou que os donos da casa jogariam com a camisa principal. Então, o chefe da delegação, Paulo Machado de Carvalho, comprou um jogo de camisas azuis na véspera e mandou bordar o escudo da CBD e os números amarelos. Os jogadores ficaram preocupados, mas Paulo motivou o time dizendo "Nós vamos vencer, vamos jogar com a cor do manto de Nossa Senhora Aparecida" , disse o dirigente da delegação brasileira Paulo Machado de Carvalho. 

Os jogadores embarcaram na história e alguns deles costuraram com as próprias mãos os números e escudos na nova camisa. O azul foi oficializado como o uniforme reserva da equipe.

Antes de começar a partida, o técnico Vicente Feola foi obrigado a fazer uma substituição. Na lateral direita, De Sordi, contundido, deu lugar a Djalma Santos.

A final foi disputada no Estádio Råsunda, entre Brasil e Suécia, em com público de mais de 50.000 pessoas.  Logo aos 4 minutos, os suecos saírem na frente com um gol de Nils Liedholm. Após o gol,  Didi, o príncipe etíope, certamente uma das peças mais importantes do time brasileiro, pegou a bola e foi calmamente andando com ela debaixo dos braços. Após isso, a seleção brasileira fez uma partida memorável, ainda no primeiro tempo, o Brasil virou: Mané Garrincha na linha de fundo, centro para Vavá. Duas vezes, aos 9 e 32.

Pelé, na final da Copa, driblando os jogadores suecos.
Pelé, na final da Copa, driblando os jogadores suecos.

No segundo tempo, Pelé fez 3 a 1 com direto a um chapéu no marcador, aos 10. Zagallo aumentou aos 23. A Suécia diminuiu com Agne Simonsson, aos 35. Aos 45, Pelé deu numeros finais a partida. O final da partida, Com uma atuação de gala, o Brasil bateu os donos da casa, goleando-os por 5 a 2.

Artilheiro: Just Fontaine

Com 13 gols marcados em seis partidas, Just Fontaine foi o maior artilheiro na Suécia. O craque marcou mais gols que os dois segundos colocados juntos (Pelé, do Brasil, e Rahn, da Alemanha, ambos com seis). É até hoje o recordista em uma mesma edição da Copa do Mundo. Em 1958, Fontaine marcou gol em todos os jogos e levou a França até a terceira colocação. Só na partida contra a Alemanha Ocidental, ele fez quatro. Os outros gols foram marcados nos jogos contra Escócia, Irlanda do Norte, Paraguai, Iugoslávia e Brasil.

SURPRESA DA COPA DE 1958 - País de Gales

O País de Gales quase não foi à Copa, mas fez bonito. A seleção ficou em segundo lugar no seu grupo das eliminatórias, perdendo a vaga para a Tchecoslováquia. Graças às confusões na Ásia, os galeses ganharam uma segunda chance. Os países muçulmanos se recusaram a enfrentar Israel, que iria ao Mundial sem entrar em campo. Para evitar isso, a Fifa promoveu um duelo entre País de Gales e Israel. Os europeus venceram os dois jogos por 2 a 0 e se classificaram. Na Suécia, fizeram ótima campanha, caindo somente nas quartas de final, diante do campeão Brasil.

A DECEPÇÃO DO MUNDIAL DE 1958

A Argentina fez na Suécia um de seus piores mundiais, ficando em último lugar no Grupo 1 na fase de classificação. A seleção sul-americana venceu apenas uma partida e sofreu duas derrotas. Uma delas ficou na história: precisando vencer, o técnico Karel Kolski arriscou e escalou a Tchecoslováquia com cinco atacantes. Resumo: goleada por 6 a 1, a maior sofrida pela Alviceleste em Copas do Mundo.

BRASIL NA COPA DE 1958: A JORNADA ATÉ O TÍTULO

Jogadores da Seleção Brasileira comemoram o primeiro título mundial na Suécia. Foto: Scanpix.
Jogadores da Seleção Brasileira comemoram o primeiro título mundial na Suécia. Foto: Scanpix.

Após o desastre no Maracanã em 1950 e decepcionar na Copa de 1954, o Brasil chegou à Suécia com um elenco promissor, que mesclava craques experientes e jovens talentos. Nesse último grupo estava Pelé, o maior jogador de futebol de todos os tempos, então com 17 anos, e Garrincha, o “gênio das pernas tortas”.  O goleiro da seleção canarinha tinha a segurança de Gilmar dos Santos Neves. A defesa contava com os craques Djalma Santos e Nílton Santos, no meio-campo a categoria ficava com Didi. 

O Brasil estreou contra a Áustria, conhecida por ter um bom sistema defensivo . Depois de um início equilibrado, o Brasil venceu bem por 3 a 0, gols de Mazzola (2) e Nilton Santos. No jogo seguinte, a partida foi contra a Inglaterra e, apesar de jogar melhor, a equipe brasileira não passou de um 0 a 0 (o primeiro na história das Copas).

Para o terceiro jogo, contra a antiga União Soviética, o técnico Vicente Feola fez duas alterações. Pelé entrou no lugar de Mazzola e a segunda substituição foi a entrada de Garrincha na vaga de Joel. Essa decisão foi na véspera do jogo, em um treino secreto.

As mudanças deram certo. O Brasil fez uma partida espetacular contra os soviéticos e venceu “só” por 2 a 0, com dois gols de Vavá. Garrincha brilhou em campo, que a imprensa internacional não sabia como definir a partida do craque. Com os adjetivos de “assombro”, “mercurial”, entre outros. Classificado para as quartas de final, a seleção tinha encontrado sua formação ideal.

A surpresa da Copa, o País de Gales quase conseguiu segurar o ataque brasileiro, mas em uma jogada genial de Pelé que dentro da área e garantiu a vitória por 1 a 0 e a vaga na semifinal. A partir daí, o que se viu foi um verdadeiro show de gols e jogadas de efeito que encantaram o mundo.

Na semi final, França tinha uma das melhores equipes e o artilheiro da Copa, Just Fontaine. Mesmo assim, só conseguiu oferecer resistência nos primeiros minutos. Vavá fez 1 a 0, mas Fontaine empatou em seguida. Antes do intervalo, Didi recolocou o Brasil em vantagem. Na segunda etapa, Pelé desencantou, fez três gols e definiu a vitória por5 a 2.

Na decisão contra a Suécia, dona da casa, com Vavá e Pelé inspirados, os brasileiros aplicaram uma goleada de 5 a 2.  Até os torcedores suecos dentro do esstádio se renderam ao talento da seleção e aplaudiram de pé os campeões mundiais. Na cerimônia de encerramento, o capitão Bellini, a pedido dos fotógrafos que tentava registrar o momento, levantou o troféu para o alto, gesto que passou a ser repetido por todos os campeões. 

O FUTEBOL BRASILEIRO NO TOPO DO MUNDO

Nilton Santos e Pelé comemoram título brasileiro na Copa de 1958 na Suécia
Nilton Santos e Pelé comemoram título brasileiro na Copa de 1958 na Suécia

Os elogios da imprensa pelo mundo: "Brasil foi o maior campeão da história dos mundiais". A aceitação do maravilhoso futebol brasileiro, escrita no jornal sueco Svenka Dagbladet. O texto falava “Nós suecos, voltando para casa, pensamos que acabamos de assistir a uma final de uma beleza excepcional, ganha por remarcáveis vencedores. Do fundo do nosso coração, estamos contentes de ter visto o título mundial atribuído ao Brasil.” Títulos como “Perdemos de bom coração” povoavam as páginas suecas.

A imprensa parisiense também repercutiu o título do Brasil. “Esmagadora superioridade do Brasil, campeão mundial de 1958”, era o título do L’Equipe. A matéria seguia com “Pela primeira vez na história do futebol uma equipe sul-americana infligiu uma esmagadora derrota a equipes europeias em seu próprio campo”. O jornal L’Aurore dizia que “O Brasil (…) demonstrou que era verdadeiramente a mais forte equipe do sexto campeonato mundial de futebol”.

A imprensa londrina  como unânime em celebrar o triunfo do Brasil. O Daily Express falava que “os grandes mestres vindos do Brasil executaram a maior sinfonia de futebol de nossos tempos, sinfonia que foi dirigida por um jovem de pele escura chamado Garrincha”. O Daily Mirror, com tiragem de cinco milhões de exemplares destacada, vai além ao afirmar que “os brilhantes e desconcertantes mestres brasileiros hipnotizaram os suecos e os reduziram a uma abjeta submissão”.

Em Viena, o Wlemer Montag afirmava que “o resultado de 5 a 2 foi lisonjeiro para a Suécia”. Em Buenos Aires, o La Razon escreveu “a poderosa equipe brasileira, que derrotou categoricamente a Suécia, conquistou o título de campeão mundial, demonstrando a superioridade do futebol americano sobre o europeu”. Em Lisboa, o jornal A Bela afirmou que “organizado como está agora, o futebol brasileiro é, sem dúvida, o melhor do mundo”.

O Brasil foi campeão demonstrando uma superioridade técnica e tática dos jogadores, em especial, de Pelé e Garrincha. O fato de um menino negro ter uma visibilidade gigante e um talento fora do comum entre os brancos e loiros zagueiros foi motivo de orgulho de um povo, que cansado do complexo de vira latas, viu no futebol sua redenção. 

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