Presidente de LaLiga, Javier Tebas acusa PSG de burlar fair play financeiro e promete recurso na Uefa
Divulgação/LaLiga

O que se viu em considerável parte do Real Madrid e da imprensa espanhola foi lamentação e certo nível de revolta pela segunda vez em que o atacante Kylian Mbappé disse não ao clube merengue para permanecer no Paris Saint-Germain. Após a confirmação durante este sábado (21), muitos mostraram indignação pela recusa da proposta. Uma das figuras públicas mais exaltadas, no entanto, foi o presidente de LaLiga, Javier Tebas. Após a informação ser divulgada ainda sem confirmação por parte da equipe francesa, Tebas publicou em sua conta em uma rede social que o PSG burla o fair play financeiro ao contratar Lionel Messi e ter assinado a renovação contratual com Mbappé.

Na época que Messi deixou o Barcelona, há pouco menos de um ano, a justificativa era que o time catalão ultrapassaria o fair play financeiro estipulado pela liga espanhola, o que inviabilizou sua permanência no clube que tinha jogado durante toda a vida. Sem contrato, o PSG se tornou a casa do atacante argentino. A inconformidade do dirigente espanhol foi ampliada pelo fato das informações sobre a proposta do PSG girou em 100 milhões de euros de salário pelas próximas três temporadas, além de 300 milhões de luvas pela extensão contratual, valor pago na assinatura do vínculo.

“O que o PSG vai fazer ao renovar contrato com Mbappé por enormes quantias de dinheiro (a saber onde e como o paga) depois de dar 700 milhões de euros nas últimas temporadas e ter mais 600 milhões de euros de massa salarial é um insulto ao futebol. Nasser Al-Khelaïfi (presidente do PSG) é tão perigoso quanto a Superliga”, disse.

Após muitas críticas sobre sua trajetória à frente da Liga e sua visão política, Javier Tebas usou as mídias sociais da própria LaLiga para emitir um longo comunicado, onde reforça a indignação pelos valores usados pelo clube francês, além de garantir que entrará com pedido junto à Uefa para investigar o clube francês por ultrapassar o fair play financeiro, um limite de gastos para teoricamente não desequilibrar financeiramente clubes envolvidos em uma mesma competição. Abaixo, leia o comunicado na íntegra, divulgado horas antes da confirmação oficial por parte do PSG.

Divulgação/PSG
Divulgação/PSG

Comunicado

“Em vista do possível anúncio de Kylian Mbappé de permanecer no Paris Saint-Germain, LaLiga quer manifestar que este tipo de acordos ameaçam a sustentabilidade econômica do futebol europeu e põe em perigo a médio prazo centenas de milhares de postos de trabalho e a integridade esportiva, não somente das competições europeias, mas também de nossas ligas domésticas.

É escandaloso que um clube como o PSG, que, na temporada passada, perdeu mais de 220 milhões de euros após carregar acumuladas perdas de 700 milhões de euros nas últimas temporadas (inclusive ao declarar receitas de patrocinadores de uma quantia muito duvidosa), com um gasto de elenco em torno de 650 milhões de euros para a temporada 2021-22, possa fazer frente a um acordo destas características enquanto aqueles clubes que poderiam assumir a chegada do jogador sem ver comprometida sua massa salarial ficam sem poder contratá-lo.

Por todas as razões acima, LaLiga vai protocolar uma denúncia contra o PSG junto à Uefa, a autoridades fiscais e administrativas da França e aos órgãos competentes da União Europeia para continuar em defesa do ecossistema econômico do futebol europeu e da sustentabilidade do mesmo.

Em ocasiões anteriores, LaLiga apresentou denúncias contra o PSG por descumprimento do fair play financeiro da Uefa, às quais a Uefa sancionou duramente o PSG, ainda que o CAS (Corte Arbitral do Esporte) as tenha revogado em uma estranha decisão.

LaLiga e muitas instituições do futebol europeu estavam esperançosas de que, com a entrada do presidente do PSG, Nasser Al-Khelaïfi, nos organismos de gestão do futebol europeu, como executivo da Uefa ou a presidência da ECA (Associação de Clubes Europeus, em inglês), se abstivesse de tais práticas ciente do gravíssimo dano que causam, mas não tem sido assim, tudo pelo contrário. Estando o PSG com as massas salariais inaceitáveis, com grandes perdas econômicas em temporadas anteriores, assume uma inversão impossível nesta situação, o que, sem dúvida, implica no descumprimento das atuais normas de controle econômico, não somente da Uefa, mas do próprio futebol francês.

Todavia, essas condutas denotam mais que os clubes geridos por Estados não se respeitam nem se querem respeitar as normas de um setor econômico tão importante como o futebol, chave para a sustentabilidade de centenas de milhares de postos de trabalho.

Este tipo de condutas que lidera Nasser Al-Khelaïfi, presidente do PSG, por sua condição de membro de executivo da Uefa e presidente da ECA, é um perigo para o futebol europeu ao mesmo nível da Superliga.”

VAVEL Logo