Retrospectiva VAVEL: Fracassos sucessivos culminaram em mais um rebaixamento do Joinville
(Foto: Reprodução/Sou JEC)

2016, ano que marcou o segundo rebaixamento consecutivo do Joinville Esporte Clube, mas dessa vez para um lugar mais obscuro: a série C do campeonato brasileiro. Sem dúvidas, mais um ano a se esquecer, começando pelo catarinense, onde boa parte se iludiu com um vice-campeonato, sendo que o JEC só foi jogar bem na reta final, e como o nível técnico é baixíssimo, conseguiu chegar a decisão, que no caso, a Chapecoense sagrou-se campeã. Mas e aí, quais foram os erros, os acertos, o que precisa e não precisa mudar, enfim, vamos fazer um balanço do 2016 do Joinville e tentar responder alguns questionamentos, onde as respostas parecem óbvias, mas que tem que ser levantadas, pois esse é o momento certo para isso.

PC Gusmão, Hemerson Maria, Lisca e Ramon: um balanço geral de 2016

A grande verdade é que 2016 já começou errado, pois demitir o treinador antes mesmo do término do primeiro turno do campeonato catarinense, é um grande indício da falta de convicção, e do planejamento mal traçado pela diretoria, mas apesar disso, o PC Gusmão já demonstrou outrora de que não tinha capacidade para ser o comandante do tricolor na série B, porém, preferiram apostar em um técnico que caiu com o time e a demissão se tornou inevitável.

Logo em seguida, foi anunciado o retorno de Hemerson Maria, que iniciou bem o seu trabalho, conseguindo levar o Joinville até a final do campeonato catarinense, mas ao iniciar a série B, os velhos problemas voltaram, até a diretoria chegar a uma situação onde a permanência do professor Maria se torna insustentável, e foi a segunda demissão no comando técnico no primeiro semestre, algo simplesmente pífio. 

Da esquerdo para a direita: PC Gusmão, Hemerson Maria, Lisca e Ramon.

Após a segunda demissão na temporada, chegou o Lisca 'doido', que usou a sua loucura mental sim, mas foi algo que prejudicou mais ainda, até porque, só louco pede a contratação de Fabiano Eller, correto? Lisca chegou e fez o que quis, teve todo o suporte para indicar nomes, mas não conseguiu fazer o time jogar, e faltando 12 rodadas para terminar a série B, foi também demitido. O último cartucho que o tricolor gastou foi com Ramon Menezes, e sem poder trazer qualquer jogador, o ex-meio campista teve que se virar com o que tinha no elenco, resgatando alguns jogadores afastados, e buscando alguns garotos da base.

É bem verdade que algumas atuações do JEC no seu comando foram pífias, mas o tricolor demonstrou alguns lampejos de bom futebol, vide partidas contra Goiás e CRB. Mas infelizmente, por causa de um mísero ponto, o rebaixamento não foi evitado, em inúmeras partidas o Joinville vacilou em casa, e isso foi determinante para o rebaixamento, a Arena Joinville que se tornou o alçapão por muitos anos, foi nosso calcanhar de aquiles em 2016.

O único lampejo de felicidade na temporada: a arrancada rumo a final do campeonato catarinense

Foto: Divulgação/JEC

Após a demissão de Paulo César Gusmão, o JEC foi atrás de uma solução já conhecida para tentar quiçá ser campeão, e como já percebido, a meta não foi alcançada, mas de fato, a arrancada até a final contra a Chape foi algo que deixou o torcedor muito feliz; é bem verdade que iludiu também, mas torcedor é isso, se apega em bons momentos para pensar em algo melhor para o seu time, o que é extramente normal.

Após um primeiro turno pífio, o Joinville foi para o segundo turno bem diferente, e conseguiu vitórias fora de casa contra Avaí, Figueirense e Chapecoense, triunfos capitais, e que foram determinantes para o sucesso durante esse curto espaço de tempo. Na final, o JEC perdeu de 1 a 0 na Arena Joinville (ida), e na Arena Condá, até saiu na frente, mas cedeu o empate, e o time do oeste sagrou-se campeão.

A era Lisca 'doido', bombas e atraso nos salários: piores momentos da temporada

Após um início patético de série B, o Joinville se viu acuado e demitiu o treinador Hemerson Maria, e convenhamos, fez algo que qualquer um faria, de acordo com o momento que o clube vivia, e com o péssimo futebol jogado. Lisca foi contratado para ser o grande cara, a pessoa que daria uma injetada de ânimo no grupo, e fazer com que finalmente o bom futebol se faça presente na temporada. O saldo disso? Bom, o saldo foi o pior possível, o 'doido' chegou no tricolor com uma visão (que era boa), mas saiu completamente renegado, e com razão. 

Foto: Divulgação/JEC

No tempo que Lisca trabalhou no Joinville, ele praticamente arrebentou o time na competição, fez o que quis, e ninguém teve a capacidade de fiscalizar as alterações pífias no elenco que ele fazia. Podemos comparar essa situação, com a era Adilson Batista, onde o treinador veio, trouxe quem quis, ou melhor, trouxe seus 'peixinhos', afundou mais ainda, e saiu como se nada tivesse acontecido.

2016 também reservou fatos novos e coisas que não víamos faz tempo; o fato novo foi o lamentável episódio das bombas no gramado, onde na partida contra o Avaí (na qual o Joinville perdeu), algumas pessoas arremessaram bombas e foguetes para o gramado, e um deles quase atingiu gravemente o goleiro Jhonatan, algo que entristeceu demais, e que esperamos nunca mais se repetir. Já o fato não visto a tempo foi o atraso nos salários, que gerou momentos tensos e demissões (de Fabiano Eller, graças a Deus), e que repercutiu muito na cidade, pois alguns jogadores demonstraram apoio ao veterano, o que causou espanto, mas a história morreu ali, o barco seguiu, e infelizmente, o JEC caiu.

Ligger bem na zaga e a base que chamou a 'responsa': os destaques positivos

Em meio a tanta tristeza e deficiência técnica (como Cléo Silva, Claudinho, Bruno Ribeiro e etc), o Joinville teve algumas coisas que empolgaram na temporada, e algumas delas vieram da base, como Danrlei (zagueiro) e Fernando Viana (atacante); em um momento complicado, ambos demonstraram vontade em vestir a camisa tricolor, e a recompensa vem com boas atuações, não constantemente é verdade, mas se sobressaíram. Kadu (volante) e Juninho (meia-atacante) também foram importantes em alguns momentos, inclusive fazendo gols ou dando assistências em momentos tensos, mas infelizmente, não foi suficiente, o que é uma pensa, já que seria uma solução caseira.

Ligger é um dos que foram bem nessa temporada. Foto: Divulgação/JEC

Mas o jogador que mais agradou no elenco por boa parte da torcida não vem da base, ou melhor... curiosamente, ele estava no time que brigou até a última rodada para escapar do rebaixamento, e sim, estamos falando do Oeste, que também é Audax. Ligger chegou pouco depois de iniciar a série B, colocou a camisa do JEC e já foi para o jogo; partida a partida, o defensor demonstrou que seria titular sem grandes esforços na temporada, e só era sacado do time, graças a loucura de Lisca em escalar o ex-jogador em atividade, chamado Fabiano Eller. Ligger já saiu do tricolor, conseguiu um bom contrato no Fortaleza.

Decepções: A crueldade de Jael que não se fez presente e a falta de pulso de Júlio Rondinelli

Contratado pelo presidente Jony, Júlio veio para ser o superintendente de futebol, o cara que montaria um time competitivo para brigar pelo acesso, mas o que aconteceu foi muito contrário a tudo isso, aliás, oposto é a palavra certa. Ele se mostrou um profissional completamente incompetente, e demonstrou ter nenhum pulso para assumir esse cargo em algum clube profissional, já que viu o técnico Lisca fazer o que quis com o elenco, se desfazer de jogadores muito úteis, e trazer atletas que não servem nem para limpar a chuteira dos que estavam. Definitivamente, o trabalho de Júlio Rondinelli tem que ser levado como lição, para que nunca mais tenhamos algo tão pífio como isso novamente no tricolor.

A maior decepção vem agora, e foi com o que cara que justamente mais depositamos confiança, o que nos apegamos em ser "o cara" para tirar o JEC dessa situação. O atacante fez alguns gols, mas proporcionou o momento mais impressionante e triste da temporada, que foram os dois pênaltis contra o Bragantino, na qual o camisa 9 perdeu AS DUAS penalidades. Não só pelos pênaltis, mas pelo conjunto da obra, foram atuações pífias, sendo que o jogador tinha o maior salário do elenco (150 mil/mês), ou seja, recebeu muito, reclamou muito, e pouco fez. Jael também está de saída do JEC, e também deve ir para o Fortaleza.

Foto: Divulgação/JEC

União e aposta na base: as mudanças de 2016 para 2017

2015 e 2016 foram dois anos onde tudo deu errado, anos a serem esquecidos por cada tricolor, mas lições precisam ser tiradas de toda essa tristeza, e parece que isso vai acontecer. Um elo começou a ser criado entre torcida, conselho deliberativo (que parecia não existir) e diretoria, tanto que reunião entre esses três grupos começaram a acontecer, tudo para fazer um Joinville mais forte. Isso sem dúvidas cria uma grande esperança, em que futuramente possamos ver uma cidade toda unida, todos com o mesmo objetivo, em ver um Joinville Esporte Clube forte e transparente. A tal da transparência, algo muito cobrado, e que o Joinville não tinha desde 1976 (ano de fundação), vai se fazer presente; isso é muito importante, pois boa parte dos clubes de sucesso do Brasil são transparentes com as suas finanças, aqui precisava ser igual, e vai ser.

Com a queda para a série C, o orçamento para montar o elenco se tornou mais enxuto, ou seja, o Joinville praticamente se obrigou a adotar uma nova medida no seu departamento de futebol: apostar nas categorias de base. Isso foi anunciado ao fim da série B, e selado com a efetivação de Fabinho Santos no comando técnico; Fabinho foi o treinador da base por muitos anos, e atualmente era o auxiliar técnico fixo. Fazer uma avaliação de Fabinho seria algo precipitado, até porque ele nunca fez um trabalho em uma equipe profissional, a não ser quando foi o técnico interino do JEC, onde estava na transição de Hemerson Maria para Lisca; na ocasião, o tricolor perdeu para o Brasil de Pelotas por 2 a 0. Toda a sorte do mundo para ele, e que consiga passar seus conceitos de futebol para o gramado.

Fabinho (E), Jony Stassun (C) e Carlos Kila (D). Foto: Divulgação/JEC

Para fechar, o Joinville trouxe um superintendente de futebol que agradou por onde trabalhou, ao contrário do pífio Júlio Rondinelli, e ele vem com a missão de montar o time com perfil de série C; trata-se de Carlos Kila, que já trabalhou no Criciúma, Náutico e CSA. Carlos tem uma boa visão de mercado, e tende a fazer um bom trabalho na série C do campeonato brasileiro. 

A expectativa de um novo JEC para 2017

Com ou sem título catarinense, com ou sem acesso para a série B, 2017 pode ser o início de uma nova era no Joinville Esporte Clube, uma era transparente, com muita união entre todos os grupos ligados ao tricolor. Sabemos que não vai ser um ano fácil, mas o que anima, é que empresas da cidade entendem que é o momento de se unir em prol do clube, e por esse motivo, vão expôr a sua marca na camisa do JEC; que diga-se de passagem, vai produzir a sua própria, algo parecido com o que o Paysandu faz.

As últimas duas temporadas serviram como exemplo do que não se fazer em um clube profissional, foram 7 treinadores contratados, 93 atletas utilizados, e 68 rodadas na zona de rebaixamento, um número que assusta, e que esperamos nunca mais presenciar isso. A fórmula do que não fazer sabemos, os princípios de mudança foram botados na mesa, o que no resta agora é crer em um JEC melhor, não só crer, mas participar também, até porque, a torcida também tem que ter voz no clube, aliás, tudo que for construtivo precisa ter voz. 

E que 2017 volte a ser um ano feliz para a torcida tricolor, que o Joinville entre nos trilhos de um clube organizado, e que brevemente, possamos voltar para o lugar de onde nunca deveríamos ter saído. Não é um rebaixamento que vai nos calar, vamos enfrentar tudo de cabeça erguida, que venha o campeonato catarinense, que venha a primeira liga, que venha a Copa do Brasil, que venha a série C, que venha qualquer adversário, e principalmente... que venha a felicidade.

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