Análise: enredo do Cruzeiro contra Vasco pela Libertadores tem pouca criatividade, baixa ousadia e vaias
Foto: Gualter Naves/Light Press

O primeiro duelo do Cruzeiro em casa na Libertadores de 2018 terminou sem gols para a Raposa. Na noite dessa quarta (4), a equipe celeste empatou em 0 a 0 com o Vasco pela segunda rodada da fase de grupos da competição continental, o que manteve o time estrelado na lanterna do Grupo 5, agora com um ponto.

No Mineirão, que recebeu um bom público, a equipe de Mano Menezes pecou no último terço do campo, não teve muita criatividade e sequer estufou as redes de Martin Silva. Racing e Universidad de Chile lideram o grupo da Raposa com quatro pontos cada um, enquanto o time carioca tem um ponto na terceira posição.

Agora, o Cruzeiro terá um confronto contra o Atlético-MG no domingo (4), às 16h, pela partida de volta da final do Campeonato Mineiro (ida: Galo 3x1 Raposa). Mas, antes do foco voltar ao Estadual, a VAVEL Brasil analisou o enredo celeste no Mineirão. E aí, como o Cruzeiro se comportou no empate com o Vasco no Gigante da Pampulha?

Sem um jogador de referência mais centralizado no ataque, o Cruzeiro iniciou o duelo tendo Arrascaeta como um falso 9. Os meias Robinho e Rafinha tomaram conta dos corredores direito e esquerdo, respectivamente, enquanto o uruguaio e também Thiago Neves flutuavam pelo meio, revezando subidas contra a meta vascaína.

Arrascaeta jogou de falso 9 em boa parte do duelo (Foto: Gualter Naves/Light Press)

O Cruzeiro pressionou alto logo no começo do jogo, mas o Vasco começou a avançar as suas linhas no decorrer da etapa inicial depois de um período em que explorou contra-ataques. Um dos destaques do Cruz-maltino no primeiro tempo foi o zagueiro Paulão, certeiro nos cortes e na marcação dentro de sua área. A Raposa chegou a ter uma grande chance com Thiago Neves, mas a bola raspou o travessão.

Do outro lado, de frente para a meta mineira, já no fim dos primeiros 45 minutos, Egídio foi pontual na interceptação de um passe que chegava com perigo para Riascos. Os meias Thiago Neves e Arrascaeta, dois dos principais mentores do Cruzeiro em campo, não conseguiam subir com tanta facilidade, e Robinho seguiu muito marcado no primeiro tempo pelo lado direito.

Para a etapa final, o técnico Mano Menezes sacou Rafinha do corredor esquerdo e colocou Sassá em campo. Com isso, a Raposa mudou o seu esquema, deixando uma trinca com os meias Robinho, Thiago Neves e Arrascaeta, e Sassá mais centralizado à frente.

Das poucas chances do Cruzeiro, boa parte delas foi perdida por Sassá (Foto: Gualter Naves/Light Press)

O equilíbrio que tomou o primeiro tempo continuou no segundo. As equipes travavam embates no meio, faltando ousadia para ambos os times no último terço do campo. Foi aí que o Vasco exigiu uma grande defesa de Fábio. Aos 14, um chute de Paulinho desviou em Ariel Cabral e foi direto contra a meta celeste, mas o arqueiro estrelado foi no seu canto direito para espalmar.

A boa chance vascaína não animou o time de Zé Ricardo, e o duelo voltou a ficar truncado no meio-campo. Se a estrela de Fábio brilhou, a Raposa explorou também o potencial de Martin Silva um pouco depois com uma boa ocupação de espaços em subida pela esquerda. Em campo, por volta dos 20 minutos do segundo tempo, era possível ver times tabelando em um jogo mais estudado.

A estratégia das duas equipes passou a ser explorar as lacunas deixadas pelo outro. Numa dessas, o Cruzeiro foi ágil no meio, e Sassá forçou uma nova defesa de Martin. A Raposa passou a ter mais posse, nitidamente incomodada por não ter aberto ainda o placar em casa. Mas, só incômodo não vale, certo? Certíssimo!

Sem marcar em casa, o Cruzeiro pecou em não impor lances muito criativos contra a marcação vascaína e teve uma atuação bem abaixo do esperado no Mineirão. A estratégia do time carioca de se fechar na casa do adversário e conquistar ao menos um ponto se sobressaiu à da Raposa, que deveria ter sido mais aguda, pungente e ousada.

Foto: Gualter Naves/Light Press
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