De reserva a artilheiro: o renascimento de Miguel Borja no Palmeiras
Borja durante comemoração de gol no Paulista (Foto: Cesar Greco/Ag Palmeiras)

Um dos principais nomes pelo Palmeiras é o de Miguel Borja. O colombiano de 25 anos chegou ao clube no dia 9 de fevereiro do ano passado após muita expectativa da torcida, afinal, se tratava do “Rei das Américas” do ano de 2016, após grande destaque do jogador na Libertadores da América com seu antigo clube, que foi o campeão do torneio, Atlético Nacional.

O reforço mais caro da história do Palmeiras, entretanto, não brilhou tanto quanto o esperado no ano da sua vinda.  Com a recém-chegada de Eduardo Baptista no cargo de treinador do time, Borja foi o presente dado pelo diretor de futebol, Alexandre Mattos e não necessariamente uma exigência do técnico.

Muito por não ter feito parte das escolhas de Eduardo Baptista, o atacante, apesar de ser considerado centroavante de ofício, dividia a posição com Willian durante o comando do treinador, e não teve grande destaque, principalmente pela falta de adaptação ao futebol nacional. Durante a fase de grupos da Libertadores e até a permanência de Baptista no cargo, Borja tinha atuado como titular em cinco jogos do campeonato (sendo substituído por Willian em três deles) e não havia feito nenhum gol. No Paulista, participou de oito jogos e fez quatro gols.

A sombra de Cuca era um dos grandes pesos sobre as costas de Eduardo, e foi o próprio que o substituiu apenas um dia depois da demissão. O comandante da calça vinho, que trouxe a alegria de ganhar um Brasileirão de novo à vida do Palmeirense estava de volta, e a esperança da torcida era de que Cuca conseguiria, finalmente, extrair o melhor de Borja. Mas isso não aconteceu. Apesar de declarar sempre que apoiaria o colombiano, o esquema de marcação que Cuca adotava, não favorecia o já desesperado atacante e Borja era, muitas vezes, banco de Willian.

Tudo piorou quando Cuca pediu ao Palmeiras outro atacante definidor, e trouxe Deyverson, que então virou titular praticamente absoluto. Presente em 18 jogos no Brasileiro, fez 6 gols. Na Copa do Brasil, em quatro jogos não balançou as redes.

Cuca foi demitido em outubro após um empate de 2 a 2 contra o Bahia no Campeonato Brasileiro. Apesar de diversas especulações, quem assumiu o cargo foi Alberto Valentim, como interino. Com mais uma mudança de técnico em um único ano, Borja mais uma vez se viu desamparado e sem expectativa de titularidade, já que não conseguia colocar em campo, com boa sequência, seu futebol, e dessa maneira, não evoluía e frustrava cada vez mais a torcida.

Entretanto, foi com Valentim que a maré do atacante começou a mudar. Sempre demonstrando muito apoio a Borja, sendo em coletivas ou em treinos, o técnico interino garantiu Miguel como titular em seis de dez jogos no comando alviverde. O colombiano, por sua vez, fez valer a sua titularidade e marcou três gols nas seis partidas em campo. Quando tudo parecia começar a andar, Roger Machado foi anunciado como o novo comandante no dia 22 de novembro.

Borja é o artilheiro do Paulistão ( Divulgação/SE Palmeiras
Borja é o artilheiro do Paulistão ( Divulgação/SE Palmeiras

Roger assumiu o time apenas em 2018 e pode ser considerado o melhor técnico no Palmeiras para Miguel, já que é incontestável a mudança do centroavante nas partidas deste ano. Com nove gols na temporada, sete pelo Paulistão e dois pela Libertadores da América, o camisa 9 é o principal artilheiro do clube.

Mesmo voltando para marcar e tentando desarmar os jogadores adversários no meio de campo, Borja sabe se posicionar cada vez melhor na pequena área e sabe aproveitar, se necessário, as sobras que acontecem para estufar as redes. Atualmente o colombiano é tão necessário para o time que, quando esteve ausente por escolha do técnico para rodar o elenco contra o São Caetano no Paulistão, o Palmeiras perdeu. O mesmo aconteceu no segundo jogo da semifinal contra o Santos, quando o clube se classificou nos pênaltis.

Como se não bastasse ser o principal artilheiro do Palmeiras na atual temporada, o centroavante também foi artilheiro isolado do Campeonato Paulista e se juntou a um grupo seleto de jogadores do Verdão que também já atingiram esse posto no torneio, como: Heitor Marcelino Domingues, Romeu Pelliccari, Humberto Tozzi, César Maluco e Alex Mineiro. Outro nível também foi alcançado, já que Borja se tornou o primeiro jogador estrangeiro da era profissional a ser artilheiro do Campeonato Paulista.

Com média de 0,69 gols por partida só nesse ano, Miguel já conseguiu ultrapassar sua marca de 0,63 tentos por jogo, quando atuava pelo Atlético Nacional, em 2016, ao marcar 17 vezes nas 27 que estava em campo. Para efeito de comparação, ano passado em 56 jogos o jogador estufou as redes somente 19 vezes. Aumentar a média de gols pelo Palmeiras só depende dele, que pode começar a trilhar seu caminho de muitas glórias pelo Palestra.

Divulgação / SE Palmeiras
Divulgação / SE Palmeiras
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