Técnicos do Vasco neste Brasileirão têm aproveitamentos inferiores ou próximos de quedas passadas
Foto: Rafael Ribeiro/Vasco.com.br

Técnicos do Vasco neste Brasileirão têm aproveitamentos inferiores ou próximos de quedas passadas

Zé Ricardo e Valentim possuem desempenhos equivalentes a Celso Roth (2015), Antonio Lopes, Tita e Renato Gaúcho (2008); campanha de Jorginho neste ano sofre queda de 20% em relação à de 2015

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Matheus Henrique

O temor dos vascaínos sobre o possível quarto rebaixamento em dez anos aumenta com a reta final do Campeonato Brasileiro. Motivos para isso não faltam: dificuldade financeira, elenco fraco, alta concorrência e adversários fortes a seguir. Além disso, outro fator da campanha coincide com as de 2008, 2013 e 2015 (quedas do clube): o aproveitamento dos treinadores na competição. 

Atual comandante, Alberto Valentim soma apenas duas vitórias em 12 jogos, completos por cinco empates e cinco derrotas. O aproveitamento de 30% é próximo aos de quatro, dos nove treinadores que comandaram o Vasco da Gama nas campanhas dos rebaixamentos. O desempenho também é semelhante aos de Zé Ricardo e Jorginho, técnicos em 2018.

Antônio Lopes, Tita e Renato Gaúcho tiveram aproveitamentos parecidos na campanha que resultou no primeiro rebaixamento do Vasco, no Campeonato Brasileiro de 2008. Respectivamente, os treinadores conquistaram 35,18%, 33,33% e 35,89% dos pontos possíveis, todos acima de Valentim e Jorginho, o último, com 29%. Zé Ricardo igualou Tita, com 33,33%.

Em 2013, os 44 pontos conquistados pelo Vasco não foram suficientes para evitar a segunda queda. Durante as 38 rodadas, novamente o Vasco teve três treinadores: Paulo Autuori, Dorival Jr. e Adilson Batista. Em 11 jogos, Autuori teve quatro vitórias, dois empates e cinco derrotas, chegando a 42% de aproveitamento. Dorival Jr. foi a solução, mas que teve desempenho ainda inferior, 32% em 25 jogos, com seis vitórias, oito empates e 11 derrotas.

Adilson Batista foi a aposta final da equipe, que contou com apelo da torcida em partidas decisivas na reta final do campeonato, com jogos de casa cheia no Maracanã. O desempenho de 52% não foi suficiente para manter o Vasco na Série A, mas deixou boa impressão com a diretoria, que seguiu o trabalho de Adilson no ano seguinte. Na campanha, o treinador comandou a equipe em sete jogos, com três vitórias, dois empates e duas derrotas.

Em 2015, o fraco início do Vasco, comandado por Doriva, foi providencial para o rebaixamento ao fim do Campeonato Brasileiro. Até a 8ª rodada, o Cruz-Maltino conquistou apenas três pontos, de 24, e o treinador deixou a equipe com 12% de aproveitamento no Campeonato Brasileiro.

A solução encontrada foi Celso Roth, conhecido por trabalhos em clubes que buscam brigar contra o rebaixamento, mas que não causou efeitos. Em 11 jogos à frente da equipe carioca, o comandante venceu três partidas, empatou uma e saiu derrotado em sete oportunidades, com 30% de aproveitamento.

Sobrou para Jorginho a missão de ressuscitar o lanterna Vasco, com 13 pontos somados em 19 rodadas. Auxiliado por Zinho, o treinador conseguiu bons momentos à frente da equipe carioca, conquistando 28 pontos no segundo turno, deixando o Vasco com 41 pontos, mas nada suficiente para salvar o Cruz-Maltino da terceira queda. O aproveitamento de 49%, com sete vitórias, sete empates e cinco derrotas.

2008 J V E D %
Antônio Lopes 18 5 4 9 35,18
Tita 7 2 1 4 33,33
Renato Gaúcho 13 4 2 7 35,89


 

2013 J V E D %
Paulo Autuori 11 4 2 5 42
Dorival Jr. 25 6 8 11 32
Adilson Batista 7 3 2 2 52

 

2015 J V E D %
Doriva 8 0 3 5 12
Celso Roth 11 3 1 7 30
Jorginho 19 7 7 5 49

 

2018 J V E D %
Zé Ricardo 9 3 3 3 33
Jorginho 8 2 1 5 29
Alberto Valentim 12 2 5 5 30

 

No levantamento, não foram utilizados os desempenhos de técnicos interinos. Neste ano, Valdir Bigode esteve à frente do Vasco em três partidas, com uma vitória e dois empates, chegando a 55% de aproveitamento. No entanto, o ídolo cruz-maltino não teve confiança suficiente da diretoria e deu lugar a Alberto Valentim.

Com os dados, chegamos à conclusão de que não há receita pronta para demissão de treinadores quando o Vasco está em situação de risco no Campeonato Brasileiro. As apostas das diretorias nas chamadas “soluções” contra o rebaixamento não surtiram efeito.

No máximo, deixaram boas impressões para manterem o trabalho no ano seguinte em busca do retorno do Cruz-Maltino à primeira divisão, nos casos de Adilson Batista e Jorginho, em 2013 e 2015 – ambos não seguiram o trabalho até o final da Série B.

Isso pode ser uma das causas para a diretoria atual do Vasco não demitir Alberto Valentim, por mais que o trabalho não seja dos melhores. Além disso, o mercado não conta com grandes opções, possibilitando que Valentim seja mantido até o final da campanha.

Na próxima rodada, o Vasco tem compromisso no clássico contra o Fluminense, no Maracanã, às 17h deste sábado (3). A vitória pode ser contada como a primeira do cruz-maltino fora de São Januário neste Brasileirão, deixando a equipe ainda mais distante da zona de rebaixamento e reduzindo o temor dos vascaínos por uma nova queda.

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