O país do futebol... e da violência
Reprodução / E.C. Bahia

Nos últimos quatro dias, de 24 a 27 de fevereiro, aconteceram cinco atos de violência, dentro e fora de campo, físicos e verbais, que mancharam o noticiário futebolístico nacional. Três apedrejamentos em ônibus de delegação, uma invasão de campo e um caso de racismo. Todos envolvem torcedores, tanto de times adversários quanto de simpatizantes.

Os clubes envolvidos, se pronunciaram em suas redes sociais. 

Casos de apedrejamento

Tudo começou na quinta-feira (24), quando torcedores do Bahia jogaram pedras e uma bomba caseira dentro do ônibus da delegação, onde quem teve mais ferimentos foi o Danilo Fernandes. O goleiro foi atingido gravemente perto dos olhos, por pouco não perdeu sua visão. O clube atualizou sobre a situação do goleiro e informa que está bem.

Ainda se especula muito sobre quem foram os autores, mas nada descoberto com certeza até o momento. Após o ocorrido, o Bahia entrou em campo e disputou o jogo normalmente.

Já o segundo caso aconteceu em um ônibus do Grêmio. Neste último sábado (26), a delegação tricolor estava a caminho do estádio Beira-Rio para disputar o 435º GreNal, quando foram atingidos por uma pedra pela torcida rival. O atleta Villasanti foi ferido, também no rosto e próximo aos olhos, mas saiu de maca e teve atendimento após o ato.

O time tricolor, então, resolveu não disputar o jogo no domingo devido ao ocorrido e o mesmo foi adiado para dia 9 de março. 

Os times envolvidos publicaram notas com suas devidas justificativas. O Grêmio, por sua vez, publicou uma nota de agradecimento, demonstrando sua gratidão pelo acolhimento de instituições e de torcedores. Já o Internacional, publicou uma nota referente à remarcação do confronto, onde há explicação de que após a identificação das pessoas, os mesmos serão banidos do estádio. O clube também comenta sobre a nova data do jogo, onde ressalta que é desparelho pois o adversário irá ter um dia a mais de descanso.

Ainda não foram identificados os autores.

O terceiro caso ocorreu no Paraná, com o F.C. Cascavel. Após o jogo do Campeonato Paranaense, contra o Maringá, o time perdeu por 1 a 0. Foi alvo de pedras da torcida rival na saída do estacionamento, onde duas acertaram o vidro traseiro do ônibus da delegação. Felizmente, nenhum jogador se feriu. O clube não emitiu nota, mas fez seu registro com a Polícia Civil local.

Até o momento, também não foram identificados os autores do ocorrido.

Invasão de campo e selvageria

Também no Paraná, o Paraná Clube teve seu jogo interrompido devido a torcedores do time invadirem o campo após o rebaixamento para a Série B do Campeonato Paranaense. Jogadores e imprensa fugiram dos ataques violentos. Ninguém foi ferido.

O clube emitiu uma nota oficial lamentando a situação atual e repudiando a violência, onde buscam afastar do estádio os responsáveis pelos atos e explicam que estas pessoas não são dignas de vestir a camisa do time. O Paraná também salienta a importância do apoio da torcida e de se associar para que o clube não seja abandonado.

Não foram identificados os autores do crime, até o momento.

O racismo infelizmente ainda se faz presente

Violência não precisa ser necessariamente física. Pode ser verbal também. E o racismo é uma delas. No último sábado (26), no clássico entre Juventude e Caxias, o zagueiro Erik, do time grená, foi vítima de racismo no aquecimento antes dos times entrarem em campo. O Boletim de Ocorrência foi feito no intervalo do jogo. 

O Caxias emitiu sua nota oficial no Twitter, onde relatou sobre o ocorrido e repudiou o ato. O torcedor foi identificado pelo atleta e retirado por seguranças do estádio no momento. 

Ainda há esperança

Mesmo com todos os atos, todos os relatos, ainda há uma luz no fim do túnel. Diversos times e torcedores demonstraram solidariedade aos clubes atingidos e criminalizam aqueles que agem de tal forma. Deve-se entender que o futebol é de todos e para todos. É a forma do torcedor demonstrar sua paixão, mesmo que muitas vezes uma derrota a faça apagar por um momento, mas nunca despejar seu ódio de algo em cima do outro.

Há a necessidade de entender que o time que torcemos, só podemos torcer para ele pois há pessoas que fazem acontecer, e essas pessoas não merecem correr risco de morte apenas por estarem dentro do clube.

Violência e preconceito nunca serão a solução dos problemas, podemos e devemos respeitar a diferença dos outros, agindo humanamente.

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