Paolo Guerrero, o ‘Ronaldo’ peruano da Fiel
Foto: Agência Corinthians

Longe de ter a mesma habilidade e técnica que o ‘Fenômeno’ tinha, Paolo Guerrero, no Peru, tem o mesmo carinho e idolatria que Ronaldo tem pelo torcedor brasileiro. Mas não é só isso que faz o atacante ser comparado com Nazário, há duas coisas que ambos possuem em comum: O faro de gol e o Corinthians.

Ainda incerto se fica ou não no Timão, Guerrero hoje já tem seu lugar cativo na história do Corinthians, tanto pelos gols quanto pelos títulos que ajudou o time de Itaquera a conquistar. Enquanto decide sua permanência no clube, o torcedor da Fiel reza e pede: ‘Fica, Guerrero’.

Chegada no clube

Com a recém conquista da Copa Libertadores da América, em 2012, alguns jogadores daquele Corinthians campeão começaram a sair. O clube então precisava se reforçar para jogar o Campeonato Brasileiro e montar o quanto antes uma equipe forte para disputar o Mundial de Clubes da FIFA no final daquele ano em Tóquio, no Japão.

O Timão perdeu Liédson, e precisou ir ao mercado em busca de um novo goleador. Foi ai então que o Corinthians chegou em Paolo Guerrero, desconhecido pela nação corintiana, que até criticaram por contratar um jogador que nunca ouviram falar antes, queriam alguém de nome, um jogador a altura do clube. O que muitos não sabiam era que esse desconhecido daria alegria a todos que um dia questionaram sua contratação.

Por R$ 7,5 milhões, Paolo Guerrero foi contratado em 13 de Julho de 2012, recebeu a camisa 9 e a missão de se tornar o homem gol do Corinthians. A notícia ganhou manchete e capa em todos os jornais no Peru, afinal, o ídolo de seu país estava indo jogar no Brasil, um dos maiores campeonatos do mundo, algo inédito. A estreia de Paolo pelo clube foi no mesmo mês, contra o Cruzeiro pelo Campeonato Brasileiro, entrando no segundo tempo, na vaga de Emerson Sheik, vitória por 2 a 0, mas ele não deixou o seu.

Sua adaptação ao futebol brasileiro foi bastante complicada, demorou alguns meses e a cada jogo que entrava era criticado por ainda não ser aquilo que o clube precisava, e a cada rodada que se passava o Mundial no Japão se aproximava cada vez mais e a incerteza só aumentava sobre o peruano, que anotou seu primeiro gol pelo Timão apenas na 26ª rodada, contra o Botafogo. Esse gol fez toda a diferença e a partir dali Guerrero surgiu para o Corinthians.

Auge no clube

No Campeonato Brasileiro foram apenas 6 gols, todos anotados na reta final do nacional, mas todos gols importantes e decisivos, que colocaram Guerrero como titular absoluto no ataque do Corinthians de Tite, que apostou todas suas fichas e confiou ao peruano a missão de ser o jogador decisivo no Mundial de Clubes.

Então Paolo Guerrero viajou com o time ao Japão e precisou apenas de dois jogos e dois gols para o camisa 9 não só ganhar a torcida como também entrar para a história do clube. Como todo time que vence a Copa Libertadores da América, o Corinthians estreou no torneio já nas semifinais contra o Al-Ahly, e Guerrero, de cabeça, anotou o único gol da vitória corintiana, que colocou o Timão na final contra o Chelsea, da Inglaterra.

Na grande decisão, um adversário difícil, que tinha um dos melhores meio de campo e ataque do Mundo, mas Cássio tratou de fechar o gol e não deixar nada passar. Se o goleiro garantia lá atrás, alguém precisava decidir lá na frente. Foi então que, em uma das poucas as vezes que o Corinthians foi ao ataque, Guerrero viu a bola sobrar para ele depois do chute de Danilo, e, mesmo com três jogadores na sua frente, achou uma brecha para guardar a bola no fundo das redes de Petr Cech e dar ao Corinthians e a Fiel torcida que tanto questionou o atacante o bicampeonato Mundial de sua história.

Tragetória na carreira

José Paolo Guerrero Gonzales nasceu e foi criado em Lima, capital do Peru. Lá também foi aonde iniciou sua carreira no futebol, indo jogar com apenas 8 anos no Alianza Lima. Desde garoto ele já se destacava pelo seu porte físico e pelos gols que fazia, o que chamou atenção do futebol alemão. Em 2002, com 18 anos, antes mesmo de jogar como profissional, Guerrero foi contratado pelo Bayern de Munique.

Nos Bávaros ele ficou um ano atuando no time de base, depois foi promovido ao time 2, chegando a equipe principal em 2004. Guerrero teve poucas oportunidades, em duas temporadas jogou apenas 44 partidas, anotando apenas 14 gols. No meio do ano de 2006 ele foi contratado pelo Hamburgo, clube onde apareceu para o futebol da Alemanha e da Europa. Após um início ruim, por conta de uma lesão que o fez perder parte da temporada, Guerrero cresceu e virou a referência nos Rothosen, onde atuou por 183 partidas, balançando as redes 51 vezes.

Mas nem sempre tudo foi tranquilo. Devido ao seu temperamento enérgico, Paolo Guerrero se envolveu, diversas vezes, em confusões dentro e fora do campo. Brigou com adversários e até companheiros de clube. Sofreu várias punições da Bundesliga e do seu próprio time, isso acabou fazendo com que o Hamburgo o vendesse na primeira proposta que chegasse. Para a surpresa de todos, um clube do Brasil iniciou as conversas para contratar o peruano, e após acertarem os valores e a forma e pagamento, Guerrero trocou a Alemanha para jogar no Brasil, onde iria vestir a camisa do Corinthians.

Expectativa para 2015

Na seu terceiro ano com a camisa o Corinthians, Paolo Guerrero já acumula títulos e recordes. Hoje, o peruano é o maior artilheiro estrangeiro do clube com mais de 47 gols, superando Carlos Tevez, que jogou pelo Corinthians em 2005. Além de ser a esperança no ataque do Timão na Copa Libertadores da América 2015, o clube paulista quer tentar manter o atacante para brigar também pelo Campeonato Brasileiro desse ano.

Porém, está cada vez mais complicado Guerrero renovar com o Corinthians. Além de um alto salario, o Timão encontra-se com dificuldades financeiras e, caso surja uma proposta de um clube de fora, a equipe de Itaquera não deve fazer sacrifícios para segurar seu camisa 9, que deve seguir no clube, pelo menos, até o final da participação do time corintiano no torneio continental.

Se vir a dar tudo certo e Guerrero acatar o pedido da nação e continuar no Timão, Paolo tem tudo para ser um dos artilheiros do campeonato nacional esse ano. Desde que passou a disputar o Brasileirão, sua média de gols só tem crescido e esse ano não deve ser diferente. Na última edição, Guerrero foi eleito, ao lado de Diego Tardelli, um dos melhores atacantes do campeonato.

Ficha técnica

Nome: José Paolo Guerrero Gonzales

Nascimento: 01/01/1984

Nacionalidade: Lima, Peru

Altura: 1,85m

Clubes por onde passou: Bayern de Munique (2004 à 2006) e Hamburgo (2006 à 2012).

Títulos: Campeonato Alemão (2004/05 e 2005/06), Copa da Alemanha (2005/06), Copa Intertoto da Uefa (2007), Torneio de Dubai (2007 e 2008), Copa Emirates (2009), Copa do Mundo de Clubes da FIFA (2012), Campeonato Paulista (2013), Recopa Sul-Americana (2013).

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