Ressurreição de Allegri: o técnico que chegou desacreditado e levou a Juventus à final da Champions

Vindo de um trabalho duvidoso no Milan, Massimiliano Allegri foi a Turim assinar com a Juventus com a missão de substituir Antonio Conte, de malas prontas para assumir a Seleção Italiana. A torcida bianconera torceu o nariz para o comandante. Os rivais – principalmente os milanistas – debocharam. Porém, o treinador conseguiu dar mais solidez a uma equipe hegemônica na Itália e, com uma pitada de cantenaccio conciliado ao futebol moderno, fez a Vecchia Signora retornar à final de uma Uefa Champions League após 12 anos.

No início de sua carreira, quando entre outros trabalhos pequenos, Allegri promoveu, de forma histórica, o Sassuolo para uma inédita Serie B na temporada 2007/08. O treinador, provavelmente, não se imaginaria, menos de dez anos depois, disputando uma final da maior competição de clubes do planeta.

A carreira do treinador, nascido em Livorno e de destaque limitado como jogador de futebol, sempre foi de bastante provação. Além do promissor trabalho pelo Sassuolo, o técnico também trabalhou em clubes menores como o Aglianese, o SPAL, o Grosseto e o Lecco, até chegar ao time da Emília-Romanha.

Só depois disso que Allegri conseguiu um trabalho na Serie A, na temporada 2008/2009, e ainda sim, com o penoso Cagliari. No início da temporada do clube rossoblù, o técnico já teve seu trabalho colocado em cheque graças a uma sequência de cinco derrotas, o que poderia ser motivos suficientes para uma demissão, apesar de prematura. No entanto, o presidente do Cagliari, Massimo Cellino, bancou o treinador e se viu premiado com uma arrancada, que, posteriormente, perderia força durante o campeonato. Porém, a salvação e a permanência na Serie A, no final da temporada, já foi motivos de grande comemoração pelo clube e pelo técnico.

Na temporada 2010/11, o Milan já vivia seu inferno astral que vem perdurando até os dias atuais. Foi nessa temporada que o rossonero encontrou em Allegri uma forma de reverter o cenário. Apesar da conquista de uma Uefa Champions League na temporada 2006/07, o clube estava sem uma conquista de Scudetto desde a temporada 2003/04, e ainda via sua maior rival, a Internazionale, vir de uma conquista de uma tríplice coroa, na temporada 2009/10.

O cenário para Allegri era de total desfavorecimento, porém, o técnico levou o Milan ao seu 18º Scudetto da história. Na Uefa Champions League, todavia, teve um resultado vexatório, sendo eliminado pelo Tottenham, nas oitavas de final da competição, o que já levantou olhares desconfiados da torcida contra o treinador.

O pior estava por vir. Apesar de a conquista do Scudetto, a sequência do seu trabalho no Milan foi bastante ingrata. O treinador viu o clube sendo obrigado a cortar gastos por causa de problemas financeiros e, consequentemente, viu jogadores importantes indo embora, como Zlatan Ibrahimovic e Thiago Silva, outros aposentarem, como Inzaghi, Nesta, Gattuso e Seedorf, além da falta de contratações importantes. O resultado não poderia ser diferente: depois de quatro temporadas à frente do clube de Milão, Allegri foi demitido do cargo. A torcida rossonera se viu satisfeita com a decisão da direção do Milan, elegendo Allegri como o grande culpado pela má fase do time.

Já sua rival, a Juventus, a nível local, vivia em plena graça, tendo conquistado o Scudetto três vezes seguidas (2011/12, 2012/13 e 2013/14), após o título do Milan com Allegri. Se Max Allegri foi escorraçado no Milan, Antonio Conte, técnico do tri da Juventus, era o técnico da moda na época. Tanto que, após o fracasso da Itália na Copa do Mundo de 2014, veio a necessidade de mudança na Azzurra e o primeiro nome que veio à tona, tanto por torcida, quanto por imprensa, foi o de Conte, que prontamente foi escolhido como o novo treinador da seleção.

A Juventus se viu órfã, de certa maneira, quando a decisão foi tomada. Especulou-se vários nomes, como de Spaletti, Capello, mas nenhum era de agrado conjunto entre diretoria e torcida. Então, de forma inesperada, o clube anunciou Allegri para comandar o time na temporada 2014/15. Naquele momento, havia dois sentimentos na Itália: um de revolta e frustração por parte dos torcedores da Juve, pois via que Allegri, apesar do título italiano com o Milan no começo de seu trabalho junto ao rossonero, vinha de temporadas ruins com o clube. Já o resto da Itália, obviamente, fez pouco caso com a contratação do técnico.

Na sua primeira prova, a Supercoppa Italiana, Allegri escalou um time com quatro defensores, o que não era comum da super Juventus de Conte, que tinha três zagueiros como padrão. A Juventus perdeu a final para o Napoli, mas em pouco tempo já mostrou que o time poderia jogar com esse esquema que ele trouxe do Milan.

Durante a temporada, a Juventus de Allegri não só mostrou soberania, que já era rotineira devida as últimas temporadas, mas também uma evolução tática bastante significativa. Enquanto a Juventus de Conte ficava presa ao esquema de três zagueiros e, quando mudava, parecia que os jogadores nunca haviam jogado juntos, a Juventus da temporada 2014/15 apresentava uma variação tática fundamental para o êxito que estamos acompanhando.

Um exemplo disso é Carlos Tévez. Com Allegri, o argentino flutua em campo, podendo fazer dupla de ataque com um atacante de referência, seja Álvaro Morata ou Fernando Llorente, ou podendo ser recuado, sendo esse o esquema preferido de Allegri (a famosa árvore de Natal, com 4-3-2-1).

Outro fator determinante para o sucesso da Juventus é a maturidade que a equipe atingiu na Uefa Champions League, coisa que Conte jamais conseguiu em sua passagem pelo clube. É certo que a Juventus fez uma fase de grupos nada convincente, pelo estágio onde ela chegou, mas essa maturidade foi adquirida durante a competição, sendo mais um ponto positivo conquistado por Allegri, junto ao elenco.

Com essa trajetória, Allegri se mostrou renascido no futebol italiano, com ideias consistentes, porém, de trajetória irregular, mostrando picos de altos e baixos na carreira. Agora, ele espera que esse grande momento com a Juventus seja o início de uma sequência positiva em sua carreira.

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