Sonhei com Porsche, mas não passava de um Fusca mal reparado: hecatombe alemã
Özil retrata a Alemanha na Copa 2018: uma múmia, um vexame, uma desgraça (Foto: Fifa)

Sonhei com Porsche, mas não passava de um Fusca mal reparado: hecatombe alemã

Pior episódio da história do futebol alemão aconteceu diante dos nossos olhos; Alemanha foi horrorosa e eliminação mais que merecida

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Taynã Melo

A Coreia do Sul deu o troco 24 anos depois. Após ser derrotada na fase de grupos da Copa de 1994, nos Estados Unidos, os asiáticos foram cruéis, impiedosos e merecedores. Venceram a Alemanha nos acréscimos por 2 a 0. Foram eliminados no Mundial da Rússia, mas tiveram o sabor de destroçarem os atuais campeões mundiais. A Alemanha caiu na fase de grupos de uma Copa do Mundo pela primeira vez na história. Foi um desgraçado vexame, mas que era previsível. Por falta de aviso não foi. Mas vamos por partes, uma vez que os erros são grandes e numerosos.

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Foto: Fifa

Bagunça em revés

O técnico da Alemanha, Joachim Löw, não teve convicção de escalar um time mais novo. Trouxe alterações inesperadas até, mas não foi convincente em definir o onze inicial para o duelo decisivo contra a Coreia do Sul. Süle foi o escolhido para substituir Jérôme Boateng na zaga. Rüdiger foi escalado na partida contra a Suécia, mas ficou no banco. Não se sabe se a atuação do defensor do Chelsea foi reprovada, mas o atleta do Bayern de Munique entrou em uma danada fogueira – perdão pelo trocadilho com as festas juninas, não foi proposital.

No meio de campo, Sami Khedira e Mesut Özil foram escalados como titulares. Dois jogadores que tiveram um desempenho bisonho na estreia contra o México, foram peças completamente nulas, não tiveram falta sentida no decorrer da Copa do Mundo, mas foram colocados de primeira no jogo mais importante do ano. Nova falta de convicção do comandante técnico. Goretzka (você veio?) foi escalado no lugar de Thomas Müller pela direita, Draxler ficou na suplência. No ataque, nenhuma modificação. O time escalado no maior vexame do futebol alemão foi: Manuel Neuer; Kimmich, Hummels, Süle e Jonas Hector; Sami Khedira e Toni Kroos; Goretzka, Özil e Marco Reus; Timo Werner.

Tive atenções divididas com o jogo México x Suécia. Tão importante quanto e fundamental para ajudar nas pretensões teutônicas. O confronto entre os melhores da chave estava aberto, movimentado, com boas oportunidades. Diferente do que era visto em Kazan. Não parecia que as equipes tinham chances de classificação. Um jogo sonolento. A Coreia do Sul manteve sua postura fechada. A Alemanha também repetiu a estratégia que trouxe à memória um dos versos do recheado repertório musical da Xuxa – “roda, roda, roda e não saia do lugar”. Inofensivo, inocente, como a infância.

Foto: Fifa

Os asiáticos ofereciam mais perigo. Aproveitavam as brechas oferecidas pelo oponente, avançavam pelos lados e tinham Son Heung-Min como referência. A Coreia do Sul tem um elenco fraco, com exceção de um ou outro atleta, mas deu trabalho. Com meia hora de jogo, os atuais campeões e vexatórios tinham 71% de posse de bola não convertida em oportunidades de gol.

No segundo tempo, a Suécia passou por cima do México e venceu por 3 a 0. Com melhor saldo de gols, a classificação escandinava estava garantida com merecimento. Restava a Alemanha apenas um gol, uma vitória simples, uma jogada bem trabalhada, uma pressão vertical, um incômodo forte ao oponente. Os atuais tetracampeões do mundo, com 19 participações em 21 edições do Mundial, não conseguiram. Caracterizar como “vergonha” é pouco, muito pouco.

O desespero tomou conta da comissão técnica pelas entradas de Mario Gómez, Thomas Müller e Julian Brandt em 20 minutos, no lugar de Sami Khedira, Goretzka e Jonas Hector. A tática ocorrida no certame foi repetida. Bola para Kimmich, cruzamento para a área, ninguém aproveitava. Toni Kroos era acionado, arriscava sem sustos. A bagunça era mais evidente com o passar do tempo porque não havia respeito por posição. Pelos cruzamentos em demasia, Hummels ficou toda a reta final no ataque.

Foto: Fifa

Os acréscimos caracterizaram a hecatombe e deram uma impressão do vexaminoso desempenho. O árbitro Mark Geiger (EUA) deu seis minutos de acréscimo. Aos 46, Son Heung-Min cobrou escanteio, Yun Young-Sun deu leve toque e Kim Young-Gwon completou para as redes depois de ficar com a sobra em bate-rebate. A arbitragem inicialmente anulou o lance. O VAR entrou em ação e as imagens mostraram que a assistência para o gol coreano foi de Toni Kroos! Sim, o camisa 8, cérebro da equipe, herói da vitória contra a Suécia, foi fundamental para o primeiro gol da Coreia do Sul. Gol validado.

Apenas aos 48 minutos, a Alemanha caiu em si e passou a pressionar. Muito pouco, muito tarde. A evidência da bagunça foi demonstrada quando Manuel Neuer abandonou o gol, foi ao campo de ataque. Perdido por um, perdido por dois: a eliminação vinha. O camisa 1 tentou ser um meio-campista. Claro que não deu certo. Aos 51, Ju Se-Jong roubou a bola do arqueiro no campo de ataque, deu um chutão para a frente Son Heung-Min concretizou a hecatombe: Coreia do Sul 2 a 0 e o adeus de ambos. Não restou a falha atabalhoada em defender o título – o dissabor foi ampliado com a última colocação do Grupo F, com o saldo deficitário e incontáveis erros no ponto alto do ciclo.

Foto: Fifa

O que deu errado?

Dias antes do início da Copa do Mundo, a Deutsche Welle – um dos principais meios de comunicação da Alemanha – listou uma sequência de acontecimentos que poderiam contribuir para um histórico fracasso. O ambiente interno era a principal sangria impossível de ser estancada a curto prazo. As polêmicas fotos de Özil e Gündogan com o presidente turco Recep Tayyip Erdogan tumultuaram a DFB (Federação Alemã de Futebol) e dividiu o grupo. Além disso, o fato de Manuel Neuer não ter atuado durante toda a temporada, voltar a tempo de disputar a Copa do Mundo e ser escalado como titular e capitão, enquanto Ter Stegen se sentiu desprezado por ter feito boa temporada no Barcelona e não ser utilizado. Esse foi outro aspecto que dividiu o grupo.

O terceiro ponto foi a inserção, a convicção e a confiança de Joachim Löw nos jovens jogadores. Rüdiger, Rudy, Goretzka, Julian Brandt e Timo Werner de um lado; Manuel Neuer, Thomas Müller, Sami Khedira, Mario Gómez e Özil do outro. Não houve equilíbrio em saber usar bem as peças que tinha. Faltou coragem para barrar em definitivo alguns medalhões que foram úteis anteriormente, mas não apresentavam o mesmo desempenho nos clubes e na seleção. E, claro, deve ser mencionado que Löw barrou o goleiro Leno, o meia Leroy Sané e o atacante Sandro Wagner por convocar atletas discutíveis.

Os resultados também pesaram contra. A Alemanha venceu apenas dois jogos em 2018 e com muito sufoco. Superou a Arábia Saudita no último amistoso preparatório e a Suécia no último fim de semana. Não houve resultados positivos contra Inglaterra, Espanha, França, Brasil, Áustria, México e Coreia do Sul. Diante dos austríacos e mexicanos, a primeira derrota em mais de três décadas.

Essa é a delegação do vexame (Foto: DFB)

O que esperar?

Sinceramente, não sei. Primeiro, deve ser aguardada a postura da DFB quanto à manutenção da comissão técnica, que teve contrato renovado até a Copa de 2022. Em seguida, se Löw, Bierhoff e sua trupe permanecerem, como o relacionamento como os jogadores vai ocorrer daqui para a frente. É uma cruz estocada no peito da Alemanha de uma maneira irretocável e fatal. Os primeiros testes para reorganizar a casa depois do pior desastre irão acontecer no próximo mês de setembro, quando terá início a Uefa Nations League. França e Holanda serão os primeiros oponentes. Para a torcida, resta aguardar e torcer para que a façanha medonha ocorrida nesta quarta-feira negativamente histórica não se repita.

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