Brasileiros que atuaram com Noppert celebram volta por cima do goleiro da Holanda: “Jogador e profissional excelente”
Fabian (esquerda) atuou com Noppert no Dordrecht/HOL, enquanto Lucas Chiaretti (direita) foi companheiro do goleiro no Foggia/ITA (Fotos: Arquivo pessoal | Divulgação/OnsOranje)

A ascensão de Andries Noppert, goleiro que estreou com a camisa da seleção da Holanda no Catar, é uma das histórias mais marcantes desta edição da Copa do Mundo. Antes considerado um eterno reserva, o arqueiro de 28 anos, que é o jogador mais alto da história dos Mundiais, com 2,03m, teve uma evolução meteórica no último ano, reconhecida pelo técnico Louis van Gaal.

Noppert nasceu em Heerenveen e começou sua carreira no clube da cidade, mas não chegou a estrear na equipe profissional em sua primeira passagem. Em 2014, ele se transferiu para o NAC Breda, também da Holanda, e, até 2020, passou também pelo Foggia, da Itália, e pelo Dordrecht. Em todo esse período, ele atuou em apenas 17 partidas.

Circunstâncias desfavoráveis na Itália

No Foggia, entre 2018 e 2019, Noppert atuou com o mineiro Lucas Chiaretti, ex-meia e que atualmente é agente de jogadores, na segunda divisão italiana. O brasileiro lembra que sempre viu potencial no goleiro holandês. “Ele era reserva de um grande goleiro e bem experiente, o Albano Bizzarri (que chegou a atuar pelo Real Madrid, Lazio e Udinese), mas demonstrava o quanto tinha talento”.

Noppert foi rebaixado para a terceira divisão com o Foggia em 2019-20 (Foto: Arquivo pessoal)
Noppert foi rebaixado para a terceira divisão com o Foggia em 2018-19 (Foto: Arquivo pessoal)

Chiaretti conta que, no meio da temporada, Noppert assumiu a titularidade com a saída de Bizzarri para o Perugia, mas as circunstâncias no time italiano não foram favoráveis. O holandês fez oito partidas com a camisa do clube italiano.

Tivemos um ano muito difícil. O clube foi à falência e, durante o ano, foi muito difícil conviver com essa situação. Como consequência, os resultados não foram bons (o Foggia foi rebaixado ao fim daquela temporada). Naquele ano, o Foggia foi montado para ganhar a Serie B. No papel, era um time espetacular, mas os problemas extracampo do clube estragaram todo o trabalho”, lamenta Chiaretti.

Lesão e pandemia atrapalham

Em 2019, Noppert acertou seu retorno para a Holanda, para atuar no Dordrecht, da segunda divisão, mas também não conseguiu se firmar - foram apenas dois jogos com a camisa dos Schapenkoppen.

Por conta de uma lesão, Noppert fez apenas dois jogos com a camisa do Dordrecht (Foto: Divulgação/FC Dordrecht)
Por conta de uma lesão, Noppert fez apenas dois jogos com a camisa do Dordrecht (Foto: Divulgação/FC Dordrecht)

O brasileiro Fabian, zagueiro formado nas categorias de base do Avaí e que atuou neste ano no Gnistan, da Finlândia, era companheiro de Noppert na época. Ele afirma que sempre viu no atual goleiro da Oranje uma qualidade acima da média, mas que uma lesão limitou sua evolução no Dordrecht.

Ele chegou no Dordrecht no meio da temporada e seria nosso goleiro titular. Mesmo muito alto, era muito ágil e bom com os pés. Só que teve muito azar. Jogou apenas dois jogos e se machucou em um treino, teve uma lesão no joelho e teve que passar por cirurgia. Nem voltou a treinar durante a temporada, que foi encerrada antes por causa da Covid-19”, conta.

Chances na elite

Após o fim forçado da temporada por causa da pandemia, Noppert ficou sem clube até 2021. Neste período, ele chegou a cogitar encerrar sua carreira após apelos de sua família, mas perseverou e conseguiu uma chance no Go Ahead Eagles, da primeira divisão holandesa, na temporada 2021-22.

Noppert conseguiu se estabelecer na elite da Holanda após se destacar no Go Ahead Eagles (Foto: Divulgação/GAE)
Noppert conseguiu se estabelecer na elite da Holanda após se destacar no Go Ahead Eagles (Foto: Divulgação/GAE)

Ele passou boa parte da temporada como reserva, mas, em janeiro de 2022, assumiu a titularidade do time de Deventer e fez 15 partidas na temporada. O Go Ahead Eagles terminou na 13ª colocação do Campeonato Holandês, evitando o rebaixamento, e a torcida reconheceu a importância de Noppert, pedindo que ele tivesse uma chance na seleção.

Na época, o goleiro chegou a ser perguntado por um jornalista sobre o assunto em uma entrevista e brincou: “[Só se for] na seleção da Frísia (região onde fica Heerenveen)”.

Continuei acompanhando quando ele foi para o Go Ahead Eagles. Foi muito legal ver a evolução dele quando teve a oportunidade de jogar e foi surpreendente a velocidade com que ele deu os próximos passos”, destaca Fabian.

Para a temporada 2022-23, Noppert acertou seu retorno ao Heerenveen, time da sua cidade e que normalmente briga no meio da tabela da Eredivisie. Titular absoluto do clube, ele atuou em 14 partidas e sofreu 13 gols na campanha da equipe, oitava colocada no campeonato local.

Noppert em ação no empate do Heerenveen contra o Feyenoord em 0 a 0, em Roterdã (Foto: Divulgação/SC Heerenveen_
Noppert em ação no empate do Heerenveen contra o Feyenoord em 0 a 0, em Roterdã (Foto: Divulgação/SC Heerenveen)

Oportunidade na seleção

Com a incerteza na posição de goleiro da Oranje, Noppert recebeu sua primeira convocação em setembro, para partidas da Liga das Nações. Ele não entrou em campo, mas acabou convencendo van Gaal e a comissão técnica holandesa.

Goleiro da Holanda na Copa de 2014 e com 63 partidas com a camisa laranja, o experiente Jasper Cillessen, ex-Barcelona e Valencia e atualmente jogador do NEC Nijmegen, acabou ficando de fora da lista de van Gaal para o Mundial do Catar. Além de Noppert, os convocados para a posição foram Justin Bijlow, do Feyenoord, e Remko Pasveer, do Ajax.

Apesar da concorrência com dois goleiros de gigantes do país, Noppert ganhou sua primeira chance como jogador da Holanda na vitória por 2 a 0 contra Senegal, na primeira rodada da fase de grupos da Copa do Mundo, se tornando o primeiro atleta do Heerenveen a atuar com a Laranja em Copas. Com atuações seguras, ele se firmou como titular da Oranje, que busca o título mundial inédito.

Temos o grupo dos ex-jogadores do Foggia no WhatsApp onde mantemos contato. Logo após o primeiro jogo da Copa, todos nós demos parabéns por essa grande conquista de defender a seleção holandesa. Minha relação com ele era bem legal. Ele não falava bem italiano, conversávamos mais em inglês, mas ele era muito divertido. Depois do Foggia, ele ficou sem time, mas graças a Deus deu tudo certo para ele. Quando acontece algo deste tamanho com um companheiro de clube é maravilhoso. Além de ser um excelente profissional, é uma excelente pessoa. Ele merece muito”, destaca Chiaretti.

Noppert estreou com a Holanda na vitória por 2 a 0 sobre Senegal (Foto: Divulgação/OnsOranje)
Noppert estreou com a Holanda na vitória por 2 a 0 sobre Senegal (Foto: Divulgação/OnsOranje)

Ascensão meteórica

Em coletiva nesta terça-feira (6), Noppert disse que sua experiência no Catar está sendo muito diferente para ele. Acostumado a clubes e estruturas modestas, o goleiro é o jogador com menor salário entre os holandeses que estão no Mundial, cerca de 130 mil euros por ano. Ele e seus companheiros fizeram um passeio de iate após a vitória sobre os Estados Unidos nas oitavas de final da Copa do Mundo, um luxo que ele não está habituado.

Tudo isso é novo para mim, pode-se dizer, mas é bacana. Preciso ser eu mesmo e tento me manter assim. De fato, é um mundo novo para mim”, admitiu.

A evolução de Noppert, que vai encarar Lionel Messi e companhia nesta sexta-feira (9), às 16h, por uma vaga às semifinais da Copa do Mundo é inspiração para quem conviveu com o goleiro em momentos de bem menos badalação.

É muito legal ver ele na Copa, principalmente por ter visto ele ter uma lesão séria. Três anos depois está no maior campeonato do mundo. Com certeza é uma inspiração”, resume Fabian.

"Uma inspiração", destaca Fabian, ex-companheiro de Noppert (Foto: Divulgação/OnsOranje)
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