Doloroso adeus de um dos maiores da história da NFL: Peyton Manning confirma aposentadoria

Doloroso adeus de um dos maiores da história da NFL: Peyton Manning confirma aposentadoria

Após quase 20 anos de carreira, Peyton Manning anuncia oficialmente sua aposentadoria da NFL; quarterback se despede como atual campeão do Super Bowl 50

pedrohguimaraes
Pedro Henrique Guimarães

Infelizmente, vivemos em um mundo de despedidas, sejam elas no meio profissional ou no meio pessoal de nossas vidas. Porém, quando tal despedida comove todo um nicho de pessoas, como por exemplo, um grupo apaixonado por um determinado esporte, precisamos olhar para tal acontecimento com uma abordagem especial.

Nesta segunda-feira (7), Peyton Manning oficialmente se despede de nós da forma que deveria. Campeão do Super Bowl 50 com o Denver Broncos, o Sheriff agora alçará novos rumos em sua vida, e deixará um vazio no coração dos apaixonados pela NFL. Não apenas torcedores dos Broncos e do Indianapolis Colts – franquias em que Peyton fez história na liga -, irão lamentar sua despedida. Como dito acima, um espaço na vida dos adeptos ao futebol americano será aberto, e dificilmente voltará a ser preenchido.

Durante a coletiva de despedida, Peyton comentou sobre diversos assuntos, e agradeceu aos Broncos pela oportunidade. "Gratidão é a palavra que me vem a mente quando eu penso em Denver. Eu amo o futebol americano, então vocês não precisam imaginar se eu sentirei falta. Sentirei muita falta, absolutamente. Este é o momento certo para eu me aposentar", disse Manning.

Perguntado sobre a rivalidade com o New England Patriots, o quarterback brincou. "Sentirei bastante falta dos fãs dos Patriots em Foxboro. E com certeza sentirão a minha, porque eles conseguiram diversas vitórias em cima de mim", comentou Manning, bem humorado.

Cabisbaixo, Peyton se despede da NFL com sensação de dever cumprido (Foto: Getty Images)
Cabisbaixo, Peyton se despede da NFL com sensação de dever cumprido (Foto: Getty Images)

Não torço para Broncos ou Colts, e invejo quem teve a oportunidade de torcer para uma franquia liderada por Peyton Manning. Não pude ver o filho do meio de Archie Manning pela equipe de Indianapolis, infelizmente. Me tornei apaixonado assíduo do futebol americano na temporada em que Peyton chegou ao Denver Broncos, rodeado de incertezas após uma lesão no pescoço.

Torcedor por influência de Manning, Caíque Toledo se despede de um dos seus maiores ídolos esportivos

Tive o prazer de conversar com o jornalista Caíque Toledo. Torcedor do Indianapolis Colts por influência de Peyton Manning, o jornalista é colunista da ESPN e ex-editor chefe da VAVEL Brasil, e pode ver Manning jogar pela sua franquia, além de ter acompanhado a conquista do Super Bowl XLI. Relembrando jogadas e momentos marcantes, Caíque conta a principal lembrança que tem de Peyton nos Colts.

"Comecei a acompanhar a NFL no início da temporada em 2006, e o jogo que escolhi foi Colts e Broncos. Indianapolis venceu por 34 a 31, fora de casa, com um show de Manning, que lançou para quase 350 jardas e três touchdowns. O quarterback me conquistou", disse Caíque. "Na semana seguinte, Indianapolis venceu New England em Foxboro, e a partir dali decidi que torceria pelos Colts, e Peyton Manning foi o elo fundamental nessa escolha", afirmou o torcedor.

Antes, na temporada de 2003, Caíque ainda relembrou uma das inúmeras partidas históricas de Manning na NFL. "Não acompanhei, mas uma partida histórica de Manning foi em 2003, contra Tampa Bay, quando ele foi o principal responsável por uma virada de 21 pontos faltando quatro minutos para o fim. Ao lado de Marvin Harrison, formaram uma dupla incrível. Outra lembrança para qualquer torcedor dos Colts é a final da AFC em 2010, quando Manning lançou dois touchdowns e virou o jogo que estava sendo perdido em 11 pontos contra o New York Jets. Dali, fomos para mais um Super Bowl", completou.

Emocionado, o torcedor se despede de um dos principais responsáveis pelo despertar da paixão pelo esporte. "A aposentadoria de Peyton Manning não é só o fim de uma era de glórias na NFL, mas também um marco na história do futebol americano. Um dos maiores jogadores de todos os tempos, o camisa 18 se despede com uma lista intermináveis de recordes, cinco prêmios de MVP e dois Super Bowl. Mais do que números, deixa um legado de quem ajudou a revolucionar o esporte".

"Com passes perfeitos e muita inteligência, Manning recolocou grandes franquias da NFL no mapa, tornando-as duas das equipes mais competitivas da liga. Não à toa, durante 14 anos teve que se sobressair contra defesas abaixo da média e linhas ofensivas fracas pelo Indianapolis Colts, onde se tornou um ídolo imensurável e teve sua camisa aposentada. Depois, não menos brilhante foi no Denver Broncos, mas, até por ironia do destino mas com muito merecimento, teve ao seu lado um setor defensivo impecável, se tornando em 2015 o quarterback mais velho a levantar o troféu Vince Lombardi -- e o único da posição a ser campeão por duas franquias", disse Caíque.

"Manning não é só o jogador com mais vitórias, mais passes para touchdowns, mais passes para TD em uma temporada, mais passes para TD em uma partida, mais jardas lançadas, mais jardas por jogo, mais viradas no último quarto, mais campanhas para ganhar partidas e mais vezes escolhido para o Pro Bowl em temporadas regulares. Ele foi o quarterback a mudar o jogo, a treinar os wide receivers por conta própria, a ser mais técnico do que o próprio head coach. Seu legado consegue ser maior que seus prêmios", afirmou.

"Se é o maior da história, não sei. Talvez, diria eu com um pouco de clubismo. Mas seu legado consegue ser ainda maior que seus prêmios e recordes. O esporte agradece", finalizou Caíque, se despedindo de um dos maiores da história.

Uma das duplas mais prolíficas da história da NFL, Manning e Marvin Harrison colecionam momentos inesquecíveis pelos Colts (Foto: Getty Images)
Uma das duplas mais prolíficas da história da NFL, Manning e Marvin Harrison colecionam momentos inesquecíveis pelos Colts (Foto: Getty Images)

Em 2011, ainda em Indianapolis, Manning teve de passar por três cirurgias – duas no pescoço e uma na coluna -, forçando o quarterback a ficar longe dos gramados durante toda a temporada. Já no ano seguinte, em março, foi anunciado em uma coletiva que Peyton estava deixando a franquia.

Após ser dispensado dos Colts, o quarterback chegou a visitar o Miami Dolphins e o Arizona Cardinals, mas acabou fechando com os Broncos. Em sua estréia na temporada regular pela equipe, diante do Pittsburgh Steelers, Manning completou 19 de 26 passes para 253 jardas, anotou dois touchdowns e nenhuma interceptação, encerrando a partida com um rating de 129,9.

Pat Bowlen, Manning e John Elway durante apresentação em Denver; QB chegou rodeado de dúvidas (Foto: Getty Images)
Pat Bowlen, Manning e John Elway durante apresentação em Denver; QB chegou rodeado de dúvidas (Foto: Getty Images)

Naquele ano, apesar das inúmeras incertezas, Peyton teve uma de suas melhores temporadas de sua longa carreira. Manning atuou em todas as 16 partidas da temporada regular, lançando para mais de 300 jardas em nove destas. Além disso, o quarterback teve o rating abaixo de 100 em apenas seis jogos. Em 2012, Peyton recebeu o prêmio de Comeback Player of The Year, dado ao jogador que melhor retornou a liga após um período fora.

Torcedor dos BroncosEdmar Assis volta no tempo e lembra chegada de Peyton, cheia de incertezas

Torcedor dos Broncos, Edmar Assis relembra a chegada de Peyton a franquia do Colorado. "No dia fiquei empolgado por um cara como ele, com tudo que representa pro esporte, jogar no meu time após um tremendo pesadelo com o Tim Tebow. Mas claro, ficou uma pulga atrás da orelha de ser um grande erro, por causa das cirurgias recentes", afirmou.

"Mas a primeira temporada dele foi ótima e surpreendente, todo mundo ficou empolgado com um Manning tão bem, mas olhando para o time inteiro, eu sabia que ele outra vez teria que carregar um time de uma defesa fraca. Intimamente, até antes do atropelamento do SuperBowl XLVIII, eu sabia que Manning só ganharia mais um anel com uma revolução na comissão técnica e na defesa. E foi o que aconteceu", destacou Edmar.

Manning assina autógrafos de fãs e torcedores durante seu primeiro training camp pelos Broncos (Foto: Getty Images)
Manning assina autógrafos de fãs e torcedores durante seu primeiro training camp pelos Broncos (Foto: Getty Images)

Em sua última temporada na NFL, Peyton teve altos e baixos. Voltou a conviver com lesões e foi colocado no banco em algumas partidas, deixando Brock Osweiller under center. Assim como a maioria dos torcedores dos Broncos, Edmar também tinha suas dúvidas em relação ao futuro de Manning. "Na verdade, só fui acreditar que ele ia mesmo ganhar o segundo anel depois do touchdown derradeiro contra os Panthers no Super Bowl", disse Edmar.

"Embora a defesa estivesse mostrando muita qualidade, não tinha como acreditar num possível título com ele lançando mais interceptações do que touchdowns, principalmente depois daquele fatídico jogo contra o Kansas City Chiefs em casa. Mas, como um tremendo atleta que é, Peyton deu a volta por cima, e mesmo não estando na melhor forma, fez o suficiente para dar tranquilidade ao time e deixar a defesa fazer o resto", completou o torcedor.

Sobre a aposentadoria de Manning, Edmar afirma estar com sentimentos divididos. "É um misto de tristeza e alegria. Tristeza, claro, por ver o maior de todos deixando o meu time e a NFL. Alegria por Peyton estar saindo no auge e por ter nos dado motivos para comemorar muito. Para o futuro os Broncos, precisamos manter o nível defensivo pra dar tranquilidade ao próximo quarterback, seja Osweiler ou outro. Mas não acredito que outro troféu do SuperBowl venha pra Denver nos próximos três anos", finalizou o torcedor.

Em uma das carreiras mais memoráveis da NFL, nada mais justo do que encerrar sua história como campeão (Foto: Getty Images)

Números e estatísticas são de suma importância no ramo dos esportes, mas não estamos aqui para falar disso. A carreira de Manning ultrapassa tais fatores, e sua grandeza e importância para o futebol americano é valorizada por todos, inclusive por Tom Brady, um de seus principais rivais em sua carreira, que afirmou que Peyton “mudou o jogo para sempre e fez todos a sua volta melhores no esporte”, além de enfatizar a honra de ter tido uma rivalidade tão grande com Manning.

Que não seja um adeus, mas sim um até logo. Obrigado pelas memórias, pelas jogadas, pelos touchdowns, pelas conquistas, e por ter modificado o jogo - assim como disse Brady. Passaremos o resto de nossas vidas sentindo sua falta, mesmo os não torcedores de Colts e Broncos. Thank you, Sheriff.

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