Três anos após conquistar Super Bowl, Doug Pederson é
demitido do Philadelphia Eagles
Cooper Neill/NFL

Há quase três anos, o Philadelphia Eagles conseguia a maior glória da história de sua franquia tradicional e histórica no futebol americano ao vencer o New England Patriots por 41 a 33 e conquistar o Super Bowl 52. O comandante da equipe que garantiu o primeiro SB era Doug Pederson. O nome dele está escrito pela trajetória da conquista, com mudança forçada de quarterback e a construção de uma história vencedora. Nesta segunda-feira (11), porém, a história segue sem o entrelace entre as partes. Doug Pederson foi demitido após uma nova temporada fora dos playoffs.

Tudo pode ser explicado por uma palavra: desencanto. Na temporada de 2017, a lesão de Carson Wentz e a entrada de Nick Foles deu certo. Sem o principal jogador, a franquia teve campanha de 13-3 na temporada regular e levou o Super Bowl. A expectativa era de que o time permanecesse em alto nível quando Wentz retornasse de lesão, mas não foi o que aconteceu. E a temporada 2020 foi o ápice do descontentamento.

O desempenho do quarterback caiu drasticamente de rendimento. Como resultado, uma campanha bem decepcionante. Embora tenha sido a pior divisão de toda a NFL na atual temporada, com Washington Football Team campeão com 7-9, o Philadelphia Eagles foi o único time que não chegou com chances de classificação aos playoffs na NFC Leste na última rodada. A frustração de Doug Pederson se deu antes mesmo da franquia terminar o ano com campanha 4-11-1. O elenco atual é composto por remanescentes do título com uma nova geração de atletas. Elemento fundamental na ligação entre os dois polos, Carson Wentz não correspondeu. Jalen Hurts foi promovido a QB titular na semana #13. E, como sinal de que não tinha mais o que fazer no setor ofensivo, usou Nate Sudfeld como quarterback no último quarto diante de WFT na semana #17.

De acordo com informações reveladas por Tom Pelissero, da NFL Network, o agora ex-técnico dos Eagles estava descontente e cansado de ouvir o que deveria ser feito para a franquia melhorar a campanha. Além disso, o jornalista Michael Silver, também da NFL Network, afirmou que a falta de direcionamento para o futuro a médio prazo, o encerramento do contrato de Wentz e as finanças controladas deixaram Doug Pederson descrente de que 2021 seria um ano de retomada. Também, a relação entre quarterback e head coach estava desgastada. Em comunicado publicado em suas redes sociais, o técnico agradeceu à franquia e à cidade como um todo pelo trabalho feito na Filadélfia.

“Foi uma honra absoluta servir como treinador do Philadelphia Eagles. Por mais difícil que seja dizer adeus, sempre olharei para o passado com apreço e respeito. Obrigado a Jeffrey Lurie pela oportunidade, a Howie Roseman e Don Smolenski por sua parceria e apoio nas últimas cinco temporadas. A todos os nossos treinadores, jogadores e equipe, obrigado por acreditar em mim e permitir que os liderassem nessa jornada. As memórias que fizemos juntos aqui sempre terão um lugar especial no meu coração. À cidade de Filadélfia, obrigado por abraçar a mim e esta equipe. Eu realmente aprecio a paixão que carregam todos os dias – em casa, nas ruas e na comunidade. Não importa como, vocês sempre estiveram lá conosco. Embora esteja desapontado com o fim deste capítulo da minha carreira, estou extremamente orgulhoso do que conquistamos juntos. Em todos os altos e baixos, uma coisa permaneceu constante em nossa equipe: um compromisso inabalável de lutar contra adversidades e alcançar nossos objetivos não como indivíduos, mas como uma unidade coletiva. Não há melhor exemplo disso do que quando celebramos juntos o primeiro Super Bowl da história dos Eagles junto com a cidade. Essa é uma memória que todos guardaremos para sempre”, disse.

Ponto de vista executivo

Citado no início do comunicado de Peterson, o presidente e diretor executivo do Philadelphia Eagles, Jeffrey Lurie, também divulgou uma nota para explicar o porquê da demissão. Em tal publicação, Lurie lamentou o desempenho ruim em 2020 e justificou a mudança no comando técnico como o melhor momento para que todas as partes envolvidas em tal processo possam evoluir em um novo ponto de partida.

“Passei as últimas semanas avaliando tudo do ano passado e olhando para o futuro. Todos nós estamos decepcionados com a forma como foi essa temporada e ansiosos para mudar as coisas, não apenas para a próxima temporada, mas também para o futuro da franquia. Doug Pederson e eu tivemos a oportunidade de sentar e discutir como seria essa visão coletiva no futuro. Depois de refletir um pouco sobre essas conversas, acredito que é do nosso interesse seguirmos em caminhos separados. Conheço Doug e sua família há mais de 20 anos e eles sempre serão uma família para mim. Tenho respeito enorme por ele e por tudo o que conquistamos juntos nas últimas cinco temporadas. Todos na organização entendem o tipo de homem e o tipo de técnico que ele é e o quanto significa para todos nós e para a cidade de Filadélfia. Todos nós esperamos o dia em que ele será induzido ao Hall da Fama dos Eagles como treinador campeão do Super Bowl e estamos confiantes de que ele terá sucesso com sua próxima equipe. Mas, como líder desta organização, é fundamental que eu faça o que acredito ser melhor para todos, enquanto olhamos para o futuro e avançamos ao próximo capítulo. Sei que temos trabalho a fazer para voltar aonde queremos estar, mas também acredito que temos um grupo excepcionalmente forte de pessoas nesta organização que podem nos ajudar a nos preparar para o sucesso futuro”, declarou.

Doug Pederson deixa o Philadelphia Eagles após cinco temporadas. Em seu trabalho, foram 42 vitórias, 37 derrotas e um empate. Além do título do Super Bowl LII, destacam as três aparições consecutivas da franquia nos playoffs entre as temporadas de 2017 e 2019. Porém, desde o título, ganhou nove ou menos jogos em quatro de cinco anos. Além disso, dos 14 treinadores que conquistaram o troféu Vince Lombardi desde 2000, Pederson se junta a Tom Coughlin e Jon Gruden a terem sequência com mais derrotas nas três temporadas seguinte ao título, com 22 vitórias, 25 empates e uma derrota.

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