Raio-X do Campeonato Masculino de Vôlei: Grupo B
Brasil em sua trajetória para o ouro olímpico em 2016 (Reprodução/CBV)

Raio-X do Campeonato Masculino de Vôlei: Grupo B

Conheça perspectivas, histórias e curiosidades dos times do grupo encabeçado pelo Brasil

jonvicosta
Jon Costa

GRUPO B

Brasil

Um cartel de títulos de tirar o fôlego: tricampeão olímpico e mundial, bi da Copa do Mundo, penta da Copa dos Campeões e da América, enea da Liga Mundial, tetra dos Jogos Pan-Americanos, 31 vezes sul-americano. O Brasil circula entre as grandes forças do vôlei desde os anos 80, mas seu apogeu foi vivido na primeira década deste século. Campeão de tudo, literalmente. Nos últimos tempos, os títulos rarearam – o ouro olímpico no Rio foi ponto fora da curva. Mas ai de quem olhar de soslaio para a camisa verde e amarela.

Perspectivas. O Brasil não tem mais aquela pose de favorito absoluto, de barbada, bicho papão, entre outros predicativos. Mas, com um elenco experiente e gozando do status de campeão olímpico, não pode ser descartado do rol dos candidatos à medalha. Para ser primeiro da chave que encabeça fará um jogo decisivo contra a França logo na segunda rodada. Nos últimos anos, os dois países se esbarraram em diversos eventos, com vitórias para ambos os lados. No último deles, no final da Liga em junho, os Bleus fizeram 3 a 2. Traiçoeiro, o Canadá também será pedra no caminho. Sair invicto desta fase é fundamental para não ser limado na etapa seguinte.

Como se classificou. A 17ª participação brasileira no Mundial foi assegurada com o título do Sul-Americano em agosto do ano passado. Com sua força máxima, o time passeou no torneio, aplicando placares humilhantes, como um 25 a 4 sobre o Paraguai e um 25 a 6 sobre a Venezuela – este na decisão. O duelo contra a Argentina, derrotada na semifinal, não aconteceu, facilitando mais ainda.

Últimas temporadas. À medida que um dos melhores times da história dos esportes coletivos foi se desfazendo, o topo do pódio passou a ser menos frequentado. Contudo, neste ciclo, o Brasil esteve no alto logo no mais badalado dos torneios: os Jogos de 2016. E que conquista! Em casa, sob pressão de um país carente de medalhas douradas, diante da Itália. O quinto lugar na Liga-2015, com o Rio sediando o final six, deixara o time em alerta e no radar da desconfiança de muitos. De fato, a trajetória não foi serena. Na fase de grupos, foram dois revezes e um jogo de vida ou morte contra a França na última rodada. Mas, no fim, a festa reinou no Maracanãzinho. Em 2017, veio o título da Copa dos Campeões, um hexagonal disputado a cada quatro anos. Na Liga, foram duas pratas. Uma delas bem dolorida, ano passado, em Curitiba, após derrota para a França no tie-break. Em 2018, terminou em quarto. Nas competições domésticas, mais dois segundos lugares: no Pan de Toronto-2015 e na Copa Pan-Americana-2018. No Sul-Americano, os brasileiros seguem hegemônicos, embolsando mais dois troféus – já são 26 seguidos.

O comandante. Em janeiro de 2017, o gaúcho Renan Dal Zotto, 58 anos, assumiu o enorme desafio de substituir o vitorioso Bernardinho. Ele foi um dos expoentes da Geração de Prata que disputou o Mundial-1982 e as Olimpíadas-1984. Depois, foi técnico de clubes no Brasil e na Itália. Em 2006, conquistou a Superliga à frente do catarinense Cimed. Também trabalhou como comentarista de TV e foi diretor de seleções da CBV.

O time. A necessária renovação, tendo em vista Tóquio, não saiu do papel. Cobrado por resultados, Renan se apegou ao elenco campeão no Rio. Dos 12 atletas dourados, somente o aposentado Serginho e os lesionados Maurício Borges e Lucarelli não estarão no Mundial. As referências são o oposto Wallace, 31, o levantador Bruninho, 32, melhores em suas posições nos Jogos-2016, o ponteiro Lipe, 34, e o central Lucão, 32. Entre as novidades, está Kadu, 24, que retornou às quadras em agosto após ficar suspenso por um ano devido a doping.

Prata Mundial. Foi na vizinha Argentina, em 1982, que a lendária Geração de Prata se mostrou ao mundo. Comandados por Bebeto de Freitas, o time formado por Montanaro, Renan, William, Bernard e companhia bateu o Japão na semifinal e perdeu a decisão para os soviéticos. Nos campeonatos seguintes, apenas em 1994, o Brasil ficaria longe dos quatro primeiros lugares. Em 1986, em 1990, como sede, e em 1998, disputaria o bronze, sem êxito. Os anos do quase estavam terminados. Na década que viria, o topo do pódio seria íntimo.

É tri! Já com Bernardinho como técnico, o Brasil iniciou em 2002, novamente na Argentina, a sua época mais vitoriosa em Mundiais. Para chegar ao título, venceu em sequência os adversários mais fortes da época: a Itália, a Iugoslávia e, na decisão, a Rússia, por 3 a 2, com 15 a 13 no tie-break. André Nascimento foi eleito o melhor atacante, e Maurício, o melhor levantador.  Em 2006, bateu a Sérvia na semifinal e esmigalhou a Polônia na disputa do ouro. Giba foi o jogador mais valioso. Em 2010, a campanha do tri ficou marcada pelo “jogo da vergonha”, como ficou conhecida a derrota proposital para a Bulgária por 3 a 0. O objetivo era cair num grupo mais fraco na fase seguinte, com Alemanha e República Checa, fugindo de um encontro precoce com Cuba. Mas quase o tiro saiu pela culatra: o embate contra os checos foi decidido apenas no quinto set. Na final, sem sustos, o Brasil fez 3 sets a 0 sobre os cubanos e viu Murilo ser eleito o MVP. Em 2014, chegou à quarta decisão consecutiva, mas a Polônia, empurrada por seus fãs, venceu.

Papa título. A seleção brasileira já disputou seis finais olímpicas. Venceu três, a de 1992, contra a Holanda, com a liderança de Marcelo Negrão, Maurício e Tande, sob a batuta de Zé Roberto; a de 2004, contra a Itália, com Ricardinho, Serginho, Dante e Giba no ápice de suas formas; e a de 2016, no Rio de Janeiro, outra vez sobre a Azurra, com Bruno, Wallace e Lucarelli insuperáveis. Na Liga Mundial, atingiu o nono título em 2010, oito deles na Era Bernardinho, ultrapassando a Itália no ranking de troféus. Na década passada, o Brasil estabeleceu uma hegemonia poucas vezes vista num esporte de alto rendimento: entre 2001 e 2006, foram 20 torneios disputados, com 16 ouros, três pratas e um bronze.

Canadá

Por anos, o Canadá viveu na sombra de Estados Unidos e Cuba, dentro e fora do continente. Com o declínio dos caribenhos, isso tem mudado. Até pódio de Liga virou realidade. Sem um campeonato profissional forte, seus principais jogadores estão espalhados pelo mundo. Intercâmbios assim são a esperança de que o esporte no país dê um salto de qualidade, reduzindo a diferença para as grandes forças. A boa performance na Rio-2016 mostrou que o empenho poderá ser recompensado em breve.

Perspectivas. O Canadá é uma das mais proeminentes equipes do segundo pelotão do vôlei. Mas, diante de Brasil e França, não costuma aprontar. Nos últimos anos, se encontraram em Olimpíadas e Ligas, e o saldo é de apenas uma vitória – um 3 a 0 sobre o time verde e amarelo nesta temporada. Terá de desfazer tal sina, arrancar pelo menos um triunfo contra eles, caso queira surpreender. E surpreender, aqui, significa, entrar no top seis. Para atingir a segunda fase, o desafio é menor. Egito, Holanda e China não são ameaças.

Como se classificou. A vaga para seu 11º Mundial veio com o terceiro lugar no Campeonato da NORCECA em 2017. Eliminado nas semifinais pelos Estados Unidos, o Canadá venceu o México por 3 a 1 na disputa do bronze e, assim, fugiu da repescagem.

Últimas temporadas. Embalada pelo sétimo lugar no Mundial-2014, o Canadá fez um ciclo proveitoso, mesmo renovando parte de seu elenco no meio dele. Nos Jogos de 2016 venceu Itália e EUA, terminando em segundo numa chave encabeçada pelo Brasil, atrás apenas da Azurra. Nas quartas, porém, cruzou com a implacável Rússia e perdeu em sets diretos. Na Liga, depois de vencer a segunda divisão em 2016, realizou sua melhor campanha na história em 2017, obtendo inédito pódio: eliminou a Rússia em seu grupo e ganhou os EUA na disputa do bronze. Em 2018, com o sétimo lugar, não conseguiu vaga na fase final. Em 2015, aproveitou a ausência dos americanos e conquistou pela primeira vez o Campeonato da NORCECA, batendo Cuba na decisão. Este resultado a credenciou para disputar a Copa do Mundo no mesmo ano, classificando-se em sétimo, sem vitória sobre alguma potência. No Pan de Toronto, também em 2015, frustrou sua torcida ao cair para a Argentina na semifinal, mas superou Porto Rico para ficar com o bronze. Na Copa Pan-Americana, disputada anualmente, foi terceiro em 2016.

O comandante. Em 2017, o francês Stéphane Antiga, 42 anos, foi o escolhido para dar prosseguimento ao bom trabalho desenvolvido por Glenn Hoag. Em sua carreira como jogador, atuando como ponta, ele conquistou inúmeros títulos nacionais em seu país, na Espanha e na Polônia. Em 2001, venceu a Champions com o Paris. Pela seleção, fez parte da equipe que alcançou o melhor resultado de sempre num Mundial: o bronze de 2002. Também foi vice da Liga. Em 2013, quando ainda jogava, iniciou sua trajetória como técnico e, no ano seguinte, já comemorava o título do mundo com a Polônia.

O time. Findada as Olimpíadas do Rio, alguns pilares da seleção despediram-se, como Winters, Schmitt, Verhoeff e o técnico Hoag. Antiga, então, rejuvenesceu o elenco, mas manteve nomes antigos, como os pontas Perrin, 29, e Hoag, 26; os centrais Vigrass, 29, um dos melhores da posição na Liga-2017, e Van Doorn, 28; e os levantadores Sanders, 26, e Blankenau, 28.  Dos novos, o destaque é o oposto Vernon-Evans, 20, que já atua na liga polonesa. Outro seria Barnes, 24, que, contundido, não foi convocado. Em junho, Schmitt suspendeu a aposentadoria, participou da Liga das Nações, mas ficou fora da lista do Mundial.

Canadá na Liga-2017: bronze (Reprodução do site da FIVB)

Em Mundiais... Da estreia em 1974 até hoje, o Canadá só não se classificou para um Mundial, o de 1986. Fará em 2018, portanto, seu oitavo campeonato consecutivo. A primeira boa exibição ocorreu em 1982, na Argentina, quando avançou à segunda fase, terminando em 11º. Em 2014, alcançou sua melhor classificação: sétimo lugar, superando o nono de 1994. Na última rodada da segunda fase, fez confronto direto contra a Alemanha por uma vaga no final six, mas perdeu em sets diretos.

Upgrade nos resultados. A seleção canadense disputou quatro Olimpíadas: 1976, em casa, 1984, 1992 e 2016. Em Los Angeles, ano do boicote dos países socialistas, quase subiu ao pódio, terminando em quarto lugar. Perdeu para os Estados Unidos na semifinal e para Itália o bronze. Em Ligas, o bronze de 2017 é sua única medalha. No Campeonato Norte e Centro-Americano, em 2015, após cinco vices, tirou de Cuba e Estados Unidos a primazia de serem os únicos campeões. Na Copa Pan-Americana, tem duas pratas e três bronzes; e no Pan-Americano, três bronzes.

França

Os últimos quatro anos fizeram bem demais à imagem da seleção francesa. Conquistou os primeiros títulos de sua história e deu dor de cabeça aos times de ponta. Deixou para trás o passado de figurante, que, vez ou outra, fazia participações especiais. Nunca se jogou tanto vôlei pelo país. Nunca houve tanto espaço para o esporte nas mídias. Agora, a busca é pela regularidade, algo necessário para marcar época.

Perspectivas. Apesar da espinha dorsal esbanjar talento, a França tem vivido altos e baixos. Nas competições passadas, a falta de reservas à altura foi um grande empecilho. Agora, o técnico Tillie está cercado de jovens promissores. A meta é se firmar de vez no círculo das potências, conquistando um pódio. Na primeira fase, brigará pela liderança do grupo contra o Brasil, mas sem desprezar o crescimento do Canadá. O momento crucial será a etapa seguinte, quando apenas meia dúzia entre 16 times prosseguirão.

Como se classificou. A França carimbou lugar no seu 16º Mundial com a liderança na chave A das eliminatórias europeias, disputada em Lyon. Era o grupo mais difícil por causa da presença da Alemanha, adversário que a venceu no jogo do bronze em 2014. Na certeza de uma vitória sobre as inexpressivas Turquia, Ucrânia, Azerbaijão e Islândia, uma derrota para os alemães levaria os franceses à repescagem. Mas o triunfo foi mais ameno do que se esperava: 3 a 0.

Os campeões da Liga Mundial em 2015 (Reprodução do site da FIVB)

Últimas temporadas. O ano de 2015 foi um divisor de épocas na história do vôlei francês. Com os inéditos ouros no Europeu, em final contra a Eslovênia, e na Liga, ao bater a Sérvia, a França ganhou moral frente às potências históricas. Na Rio-2016, entretanto, decepcionou e foi umas das ceifadas no chamado grupo da morte, ficando à sombra de Itália, Canadá, EUA e Brasil. Também não foi feliz na defesa de seu título europeu em 2017: surpreendida pela limitada República Checa, terminou em nono. Na Copa dos Campeões, meses depois, não fosse a vitória sobre o Japão, teria sido a pior entre as seis equipes. Mas, nas duas últimas Ligas, os Bleus se mostraram competitivos, marcando presença nas finais. Em 2017, na fria Curitiba, frustraram os brasileiros em épica jogo resolvido no tie-break. Em 2018, diante de seus fãs, caíram para a Rússia (3 a 0).

O comandante. Desde 2012 no cargo, Laurent Tillie, 54 anos, é o responsável pela subida de patamar da França, levando-a para sua primeira conquista na Europa e na Liga. Filho de um ex-jogador de vôlei e argelino de nascimento, ele vestiu a camisa tricolor em 406 jogos, participando de três Mundiais e duas Olimpíadas. Em sua carreira de técnico, já trabalhou em clubes nacionais e italianos, com um título do Campeonato Francês no currículo.

O time. A base da França é formada por três atletas que foram bronze no Mundial e ouro no Europeu da categoria sub 19 em 2007: o ponta Ngapeth, 27, um dos mais habilidosos do mundo, que tem dois prêmios de MVP da Liga e um do Campeonato Italiano; o meio de rede Le Roux, 29, futuro jogador do Cruzeiro; e o levantador Toniutti, 28, três vezes melhor da posição na Liga. Outra peça indispensável é o líbero Grebennikov, 28, o melhor do Mundial-2014. Eles serão acompanhados por inúmeros jovens, como o oposto Boyer, 22, que tenta ocupar o espaço deixado por Rouzier, ausente há dois anos. Às vésperas do certame, Ngapeth sofreu lesão no abdômen, o que pode comprometer seu desempenho e as pretensões francesas.

Bronze Mundial. A França é figurinha quase certa em Mundiais – não se classificou apenas para três das 18 edições já realizadas. Por duas vezes, foi sede, mas o fator casa não resultou em medalhas, sendo a sétima de 1956 e a sexta de 1986 (com derrota para o Brasil na semifinal). Em 2002, os franceses, liderados por Antiga, Granvorka e Henno, subiram ao pódio pela primeira vez, um resultado fora dos prognósticos. Na disputa do bronze, superou a Iugoslávia, ouro em Sidney. Em 2014, voltaram a surpreender: saíram do dificílimo Grupo A na liderança, à frente de EUA e Itália, e caminharam até a semifinal, quando foram parados pelo Brasil no quinto set. Acabaram em quarto, após desanimado jogo contra a Alemanha.

O passado do quase. A França disputou quatro Olimpíadas, sempre com resultados tímidos. Apenas em 1988 superou a fase de grupos, finalizando em oitavo. Em Ligas, antes do bicampeonato recente, tinha como melhor resultado a prata em 2006, após derrota para o Brasil por 3 a 2. Na Europa, acumulou quatro vices (1949, 1987, 2003 e 2009) até ser campeã em 2015.

Egito

Neste século, o Egito tirou a Tunísia do posto de maior expoente do vôlei africano, ultrapassando-a em número de títulos. Mas quando atravessam os oceanos, o Mediterrâneo ou o Mar Vermelho, os egípcios se apequenam, perdem a realeza, viram sparring das potências e colecionam participações opacas nos grandes torneios.

Perspectivas. O futuro do Egito no Mundial será colocado em xeque nas partidas contra China e Holanda, os adversários mais próximos de seu nível, uma vez que Brasil, França e Canadá estão em outro patamar. Contra os chineses, nas duas últimas Ligas, o saldo está zerado: uma vitória e uma derrota, ambas por 3 a 0. Contra os holandeses, foram três revezes, um deles em cinco sets.

Como se classificou. A medalha de prata no Campeonato Africano em 2017 garantiu o passaporte do Egito para seu nono Mundial – o sexto consecutivo.

Últimas temporadas. Em 2016, depois de oito anos, o Egito retornou aos Jogos Olímpicos, caiu na fase de grupos, como esperado, mas, enfim, obteve uma vitória: 3 a 0 sobre Cuba. Em 2015, sagrou-se campeã continental pela oitava vez e terminou em 10º na Copa do Mundo. Mas, em 2017, depois de seis títulos seguidos, os egípcios foram destronados na África pela Tunísia, diante de sua torcida. Na decisão, derrota em sets diretos, sem oferecer muita resistência. No ano passado, foi a última colocada do segundo nível da Liga.

Egito na Liga-2015 (Reprodução do site da FIVB)

O comandante. Em janeiro, a passagem de Sherif El Shemerly como treinador chegou ao fim. Do El-Ahly, veio o substituto: Mohamed Moselhy, 46 anos. Ele é um dos maiores jogadores de todos os tempos do país, com 350 partidas pela seleção e presença nos Jogos de Sidney.

O time. O jogo do Egito se concentra no veterano oposto Ahmed Salah Abdelhay, 34: convocado desde 2003, disputará seu quarto Mundial e tem no currículo o status de maior pontuador da Copa do Mundo-2015 e os prêmios de MVP do Campeonato Africano em 2011 e 2015. No meio de rede, estão dois paredões, Mohamed Abou, 29, com 2,10 m, e Mohamed Masoud, 24, com 2,11 m. Da nova geração, desponta Hisham Ewais, 23, melhor oposto do Mundial Sub-23 em 2017.

Sem brilho em Mundiais. Em oito participações no Mundial, o Egito não registrou grandes feitos. Iniciou sua trajetória em 1974, no México, e lá aconteceu sua primeira vitória: 3 a 2 contra a Itália, que ainda não desfrutava do prestígio de hoje. Deixaria o certame com o 17º lugar. Em 2010, graças ao triunfo por 3 a 0 sobre os iranianos logo na rodada inicial, os faraós obtiveram uma inédita classificação à segunda fase. Nesta, não ofereceram dificuldades para russos e espanhóis, finalizando o campeonato em 13º, a melhor posição de sua história. Em 2014, foi lanterna de seu grupo, desperdiçando no tie-break a chance de uma vitória contra o México.

Faraós da África. Quatro presenças, 20 jogos, uma vitória, seis sets vencidos, 57 perdidos. Esse é o resumo do Egito em Jogos Olímpicos. Em 2006, foi o primeiro representante africano na Liga, onde jamais alcançou resultados relevantes. Na África, o panorama é outro. São oito troféus – seis deles conquistados neste século -, contra sete da Tunísia.

China

Antes, Japão e Coreia do Sul. Agora, o Irã. Parece cada vez mais distante o dia em que a China assumirá as rédeas do vôlei masculino em seu continente, assim como as mulheres fizeram. Já são 19 anos à espera de um título asiático. Mas o trabalho de base tem dado novo ânimo à torcida. Em 2013, a geração sub-19 foi prata no Mundial. Em 2015, o sub-21 foi bronze. Resta esperar a colheita dos frutos.

Perspectivas. Moldada pelo veterano técnico Raul Lozano, a China batalhará ponto a ponto contra Holanda e Egito por um lugar na segunda fase. Triunfos sobre ambos na Liga-2017 mostram que é possível. O duelo-chave será contra o time europeu na segunda rodada. Se vencer, deve selar a vaga contra os africanos na última. Se perder, restará fugir da lanterna.

Como se classificou. A China chegou ao seu 14º Mundial com o segundo lugar em sua chave nas eliminatórias asiáticas, atrás do Irã e à frente Catar, Coreia do Sul e Cazaquistão.

Últimas temporadas. Neste ciclo, a China falhou em sua tentativa de ir às Olimpíadas do Rio e não conseguiu romper o jejum de títulos asiáticos, que já dura duas décadas. Em 2015, levou a partida semifinal contra o Irã até o tie-break e terminou com o bronze. Em 2017, não passou das quartas, sendo eliminada pela Coreia do Sul. Mesmo longe dos primeiros patamares do vôlei, e tendo passado os anos anteriores no nível intermediário da Liga Mundial, o país foi escolhido pela FIVB para disputar a primeira Liga das Nações, em 2018, como um dos doze times não aptos ao rebaixamento. Relaxado com tanta cortesia, os chineses se classificaram em 15º, com três vitórias, uma das quais sobre a França, que atuou com equipe mista.

China no Mundial-2014 (Reprodução do site da FIVB)

O comandante. Desde 2017, o técnico da China é o experiente argentino Raul Lozano, 62 anos. Em três décadas de trabalho, ele já dirigiu times na Itália, na Polônia e na Grécia. No universo das seleções, fez duas passagens pela Espanha nos anos 90; foi vice-campeão mundial com a Polônia em 2006; venceu a Liga Europa com a Alemanha em 2009; e levou o Irã à sua primeira olimpíada em 2016.

O time.  Com 2,05 m, o oposto Jiang Chuan, 24, tem se tornado a referência de ataque no sexteto chinês. Na última Liga das Nações, ele registrou números impressionantes: foi o maior pontuador geral e o segundo com melhor aproveitamento (55%), atrás apenas do russo Muserskiy. Outro que se destacou nas estatísticas foi o meio de rede Rao Shuhan, 21, segundo na média dos bloqueios, perdendo apenas para o búlgaro Gotsev. Nas pontas, um representante da velha guarda, Zhang Chen, 33, divide as atenções com um da nova, Liu Libin, 23.

Pouco brilho em Mundiais. A China estreou no Mundial-1956, terminando em nono entre 24 times, com vitórias sobre Brasil e Iugoslávia. Em 1978, fez sua melhor campanha, batendo a Polônia na disputa do sétimo lugar. Em 1982, repetiu esse desempenho e, se não fosse uma derrota para Argentina na última rodada da terceira fase, teria chegado no top quatro. Em 2014, venceu Egito e México, avançou de fase e fechou em 15º.

Na fila. A China esteve em duas Olimpíadas: foi oitava em 1984 e quinta em 2008. Na campanha de Pequim, bateu Venezuela e Japão nos grupos e parou nas quartas diante de Brasil. Na Liga, é um dos oito times que disputaram a primeira edição em 1990. Classificou-se para o final six em 1996, não foi além do sexto lugar, mas obteve um histórico triunfo sobre a Itália, 3 a 0. Na Ásia, a China sagrou-se campeã em 79, 97 e 99. Depois, acumulou três pratas e dois bronzes.

Holanda

A Holanda é uma das muitas potências do vôlei que ficaram no passado. Durante toda a década de 1990, frequentou com insistência os pódios, dividindo espaço com italianos, brasileiros, russos, entre outros. Com sua camisa, desfilaram craques da estirpe de Blangé e Zwerver, hoje eternizados no Hall da Fama. Mas não houve outra geração como essa por lá. E nem se vislumbra uma vindoura. Restou apenas nostalgia.

Perspectivas. Há quanto tempo não se via o conjunto laranja nas grandes competições do vôlei! Ausente dos Mundiais desde 2002 e das Olimpíadas desde 2004, a Holanda mata a saudade de inúmeros fãs que criou no fim do século passado. Mas que estes não esperem algo mais do que uma vaga na segunda fase. Os tempos são outros e faltam jogadores diferenciados. Seus principais obstáculos são China e Egito. Contra o primeiro, venceu e perdeu em encontros recentes na Liga. Contra o segundo, tem levado vantagem. Diante do Brasil, a desigualdade técnica, caso prevaleça como nos amistosos de agosto, mostrará o quanto uma seleção evoluiu e a outra regrediu em um quarto de século.

Como se classificou. Sede de um dos grupos das eliminatórias europeias, a Holanda teve a sorte de não encarar nenhum bicho papão do continente. Eslováquia e Grécia, times de seu nível, eram os mais fortes rivais. Áustria, Moldova e Luxemburgo faziam número. Resultado: cinco vitórias, liderança e viagem marcada para seu 12º Mundial.

Últimas temporadas. A Holanda atravessou o ciclo para o Mundial sem muito destaque. No Europeu-2015, perdeu para a Eslovênia nos playoffs por 3 a 0 e terminou em nono. Em 2017, caiu logo nos grupos, após três derrotas – contra a França, levou o jogo até o quinto set. Entre 2015 e 2017, disputou a segunda divisão da Liga, alcançando o terceiro lugar em 2016. Na Liga Europa deste ano, foi quinta.

Holanda em ação na Liga-2017 (Reprodução do site da FIVB)

O comandante. Quando assumiu o comando da seleção de seu país em 2014, Gido Vermeulen, 54 anos, recebeu o desafio de resgatar um pouco do brilho de outrora. O primeiro passo foi dado: depois de um hiato de 16 anos, a Laranja está de volta ao Mundial. Antes, Gido comandou as equipes femininas de Espanha (2008-2012) e da Holanda (2012-2014).

O time. Mesmo gozando de alta popularidade no país, o vôlei holandês tem sofrido com a escassez de talentos. Seus atletas raramente despertam interesse nas grandes ligas. E, quando lá chegam, não costumam durar muito. Exemplo disso é o ponta Horst, 26: jogou pelo Piacenza, da Série A, e, no momento, se aventura na Coreia do Sul. Também homens de confiança de Vermeulen, o levantador van Haarlen, 29, atua na Bulgária, e o líbero Jorna, 29, na vizinha Bélgica. O craque atende pelo nome de Abdel-Aziz, 26, oposto que, em breve, estará no Qatar. Na mais recente temporada do Campeonato Italiano, defendendo o Milano, foi o terceiro no ranking de pontos e o primeiro no de saque.

Prata Mundial. Nas décadas de 1960 e 1970, a Holanda era participante assídua do Mundial, mas sem fazer cócegas nas potências da época. Depois de um tempo desaparecida, ressurgiu com força em 1990, embalada pelo vice na Liga meses antes: bateu os Estados Unidos, campeões olímpicos, na fase de grupos e caminhou até as quartas, quando perdeu, de virada, para Cuba no tie-break. Em 1994, em sua melhor campanha, com grandes atuações de Zwerver e Posthuma, despachou os americanos na semifinal e encarou a favoritíssima Itália na decisão, sofrendo revés por 3 a 1. Nas edições seguintes, foi sexta em 1998 e nona em 2002.

Ouro Olímpico. O quinto lugar em Seul-1988 levou os atletas holandeses, sob o comando do técnico Ariel Selinger, a se dedicarem exclusivamente à seleção, durante todo o ano, abdicando da carreira em clubes. Tal projeto foi batizado de Bankras e o objetivo era o título nos Jogos de 1992. Nem todos resistiram por muito tempo à sedução do dinheiro das ligas profissionais. Blangé, um dos craques, por exemplo, ficou até 1990, indo para a Itália. Selinger, o mentor, foi parar no Japão – mas voltaria semestres depois. Mesmo com os poréns, o elenco se reuniu para a missão em Barcelona - e ela quase foi cumprida. Depois de três derrotas nos grupos, a Holanda superou a Itália em cinco sets nas quartas, bateu Cuba na semifinal e foi abalroada pelo Brasil no jogo derradeiro. O ouro estava guardado para Atlanta-1996, quando o time laranja, mais calejado, fez decisão épica contra o italiano: 17 a 15 no tie-break.

Enchendo o peito de medalhas. Em Sidney-2000, já no crepúsculo de sua geração magnífica, a Holanda teve a infelicidade de encontrar uma inspirada Iugoslávia nas quartas. Um 3 a 2 contra impediu o bicampeonato. Ao menos, van de Goor acabou eleito MVP. Além dessas medalhas, o rastro laranja também ficou em outros torneios, com destaque para o ouro no Europeu-1997 e na Liga-1996 e a prata na Copa do Mundo-1995 e na Copa dos Campeões-1997. Neste século, só se viu a Holanda em pódios na Liga Europa, certame de menor prestígio, do qual foi campeã em 2006 e 2012.

VAVEL Logo