Benfica de Jesus não nasceu para aguentar a «Champions»

Benfica de Jesus não nasceu para aguentar a «Champions»

Os números não mentem: o Benfica de Jorge Jesus apenas ganhou 36% dos jogos que realizou em fases finais da Liga dos Campeões desde que o técnico chegou ao clube encarnado.

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Contra os factos estatísticos poucos argumentos servem para contrariar aquela que é já uma tese vista e revista: o Benfica de Jorge Jesus não tem apresentado estofo para lidar com a competitividade da maior prova internacional de clubes. Ao longo dos últimos cinco anos e meio, as «águias» participaram em cinco edições da Liga dos Campeões (na presenta temporada jogam a quinta prestação) e apenas obteram a qualificação para os oitavos-de-final por uma ocasião, em 2011/2012.

Fraca prestação tem sido padrão do Benfica de Jesus

A incapacidade de completar com sucesso os apuramentos na fase de grupos é ainda mais acentuada quando analisamos os adversários que o Benfica teve pelo caminho. Com um rol de oponentes à medida do poderio encarnado, as formações de Jorge Jesus ao longo destes cinco anos e meio debateram-se com imensas dificuldades técnicas e tácticas no decorrer dos seis jogos que compõem a dita fase de grupos - muitas das vezes perante adversários de nomeada inferior, o Benfica não mostrou aptidão para fazer jus ao investimento financeiro feito pela direcção do clube.

Os dados são incorruptíveis: em 30 partidas realizadas entre 2010 e 2014, o Benfica apenas venceu 36% desses jogos disputados, possuindo uma percentagem de percalços avultada (64%, dos quais 43% resumem-se a derrotas). Se a estes factos adicionarmos uma vertente probabilística/hipotética de previsão futura com base no rendimento europeu actual, somos até tentados a inferir que este Benfica de Jesus poderá terminar a sua participação presente com um rácio ainda mais baixo.

Grupos da «Champions» estiveram longe de ser intransponíveis

Os números do balanço do Benfica da Liga dos Campeões são ainda mais preocupantes quando indexados ao nível dos adversários encontrados e o montante investido na criação, manutenção e reforço do plantel às ordens de Jorge Jesus, ano após ano. Comecemos pela categoria da oposição encarnada: na primeira participação, em 2010/2011, o Benfica campeão nacional não passou da fase de grupos, averbando umas embaraçosas quatro derrotas num grupo acessível - Olympique Lyon, Schalke 04 e Hapoel Tel-Aviv. Incapaz de bater os alemães em casa (1-2) e sofrendo uma humilhante derrota de 3-0 em Tel-Aviv, o Benfica comprometeu a qualificação e apenas logrou vencer dois encontros (4-3 ao Lyon e 2-0 ao Hapoel).

Em 2012/2013, o grupo, à excepção do tubarão Barcelona, era de boa constituição para os intentos encarnados: Spartak Moscovo e Celtic eram os alvos a abater. A equipa de Jesus defraudou e chegou à quarta jornada sem um único ponto conseguido: depois de empatar 0-0 com o Celtic e de perder 2-1 em Moscovo, o Benfica venceu russos e escoceses em casa mas acabou por empatar fora frente a um Barcelona repleto de jogadores de valia inferior. O medíocre Celtic acompanhou os «blaugrana» na passagem à fase seguinte.

Em 2013/2014, novo desaire internacional na «Champions»: num dos grupos mais dóceis da prova, com Olympiakos e Anderlecht, à parte do milionário PSG, o Benfica voltou a não ser capaz de firmar créditos na grande prova europeia. A incapacidade em bater o campeão grego (1-1 na Luz e 1-0 em Atenas) e o rotundo 3-0 sofrido no Parque dos Príncipes (exibição medonha e apática) ditaram a saída de cena dos encarnados, que ainda lograram vencer o campeão francês por 2-1 na Luz. 

Na presente temporada o cenário não se afigura animador: dois jogos e duas derrotas, com um saldo pesado de cinco golos sofridos e apenas um marcados. Espezinhado na Luz pelo Zenit nos primeiros 30 minutos e trucidado pela pressão de Leverkusen, o Benfica ainda não mostrou lampejos dignos de transmitir pujança europeia, tendo inclusivamente a presença na Liga Europa em risco - os dois próximos embates contra o Mónaco serão vitais para o desfecho da classificação.

Benfica de Jesus mostrou potencial em 2011/2012

Fora dos maus anos verificados está a temporada 2011/2012, na qual o Benfica de Jesus foi competente e estendeu até aos quartos-de-final a sua participação na liga milionária. Sorteado num grupo acessível, encabeçado pelo favorito Manchester United e pelo débil estreante Otelul Galati e o suíço Basileia, os encarnados confirmaram o seu superior potencial, angariando 3 vitórias e não perdendo sequer uma única vez (lograram empatar duas ocasiões com o temível United). Naquela que foi a melhor prestação das «águias» em 5 temporadas, o Benfica eliminou o Zenit nos quartos-de-final e apenas foi eliminado pelo poderoso Chelsea, que viria a ganhar a competição. 

Este sucesso na «Champions», até agora sem igual, aparece no registo benfiquista como uma vez sem comparação, no percurso de uma equipa que tem apresentado, ano após ano, graves e recorrentes dificuldades em suster o poderio oponente e em aguentar o arcaboiço da maioria das formações que se passeiam pela liga dos milhões. Uma das razões apontadas para o fracasso europeu na Liga do Campeões é a estrutura táctica imposta por Jorge Jesus: o seu 4-2-4/4-4-2 que incorre no paradigma dos dois médios centrais sozinhos no corredor central tem exposto um Benfica débil em termos de consistência global sempre que colocado perante equipas mais homogéneas, combativas e mais densas na zona do meio-campo.

 

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