Os visitantes que roubaram a festa da Copa Rio em 1994 nas Laranjeiras
Foto: Reprodução/Volta Redonda

O dia 15 de dezembro de 1994 foi um dia especial para milhares de cidadãos voltarredondenses que acompanhavam o Voltaço durante a realização da quarta edição da Copa Rio, torneio muito disputado, inclusive pelos quatro clubes da elite nacional, na época. Pela ótica do administrador de empresas Ricardo de Melo Ferreira, a conquista do Tricolor de Aço sobre o Fluminense nas Laranjeiras dificilmente será esquecida.

Valia vaga na Copa do Brasil e o prestígio no estado do Rio de Janeiro. E para o Voltaço valia o primeiro título de expressão na elite do cenário estadual. Mas, para torcedor da cidade, valia o tão sonhado grito de campeão, tarefa pela qual os poucos torcedores que se aventuraram tiveram que viajar cerca de 150 quilômetros. 

O jogo de ida foi uma vitória avassaladora do Tricolor das Laranjeiras sobre o Voltaço, em pleno Raulino de Oliveira: 4x1. Porém, como o regulamento não previa a obrigação de tirar a diferença no saldo de gols, a esperança ainda se mantinha viva.

"Eu na verdade não iria no jogo, na época tinha 20 anos. Já estava de férias escolares e fui com um amigo dar uma volta de manhã na Vila Santa Cecília (bairro tradicional da cidade), quando vi um senhor sentado, com uma bandeira do Voltaço ao fundo e numa mesa anotando algo numa planilha. Me aproximei e vi que se tratava de uma excursão para o jogo. Nem pensei duas vezes, coloquei o meu nome, de mais dois amigos e viemos embora almoçar para poder voltar para o embarque", recorda Ricardo.

E foi assim que Ricardo se juntou ao grupo de cerca de 30 torcedores que saíram às pressas, duas horas antes do jogo iniciar, de ônibus alugado, rumo às Laranjeiras. Para aumentar o nervosismo, o motorista ainda se perdeu no caminho, gerando um grande atraso na viagem. O grupo chegou com bola rolando.

"Entrei no estádio, no meio da torcida do Fluminense. A PM do Rio não se preparou para nos receber, não isolou local para a nossa torcida. Quando olho para o gramado, vejo o goleiro do Fluminense pegando a bola no fundo das redes e a torcida do Fluminense xingando muito. Não estava entendendo direito o que tinha acontecido", contou.

O cenário com o qual se depararam logo ao chegar era o gol de Valtinho, que só não calou as Laranjeiras porque o xingamentos tomaram conta das arquibancadas. Com exceção das dezenas de visitantes indigestos, que tiveram de conter os ânimos para não arrumar briga com a torcida da casa. O silêncio ficou para outro momento.

Com o resultado, em um jogo de muita pressão do Fluminense e ataque contra defesa, o desespero do torcedor chegou ao seu ápice, na disputa de pênaltis. "Algo me dizia que seríamos campeões. Não seria em vão tanta luta", relatou.

O final da história hoje é um deleite para a memória do torcedor do Voltaço. Em uma noite inspirada, o goleiro Sandro defendeu a cobrança do craque do Fluminense, Djair. O silêncio que não veio com o gol de Valtinho enfim chegou. O Volta Redonda se tornaria naquele momento o campeão da Copa Rio de 1994. Ainda assim, o grito que estava preso na garganta teve de ser controlado.

"Foi mais uma sensação indescritível, um silêncio no estádio e o nosso grito preso na garganta. Se a gente comemora, iríamos apanhar muito. Depois, a torcida do Fluminense ficou revoltada e veio pra cima da gente. Os caras queriam confusão."

A correria, o atraso, a frustração por não ter visto o gol, o medo e o risco de se envolverem em brigas na arquibancada do adversário. Nada disso atrapalhou a emoção dos visitantes que roubaram a festa do título da Copa Rio. 

"Sem dúvidas foi um título inesquecível, na época a Copa Rio tinha muito peso, dava junto com o campeão estadual vaga para a Copa do Brasil. Emoção igual essa pelo Voltaço senti poucas vezes", concluiu Ricardo.

O Voltaço viria a ser bi-campeão no ano seguinte, em 1995, diante do America. Mas a conquista diante de um clube da elite nacional, na casa do adversário, teve um gosto diferente e um lugar especial guardado na história do Volta Redonda Futebol Clube.

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