Super Bowl LI: comandantes dos melhores ataques, McDaniels e Shanahan duelam pelo título
(Foto: Editoria de arte/VAVEL.com)

New England PatriotsAtlanta Falcons estão no top 3 dos ataques na liga durante a temporada que vai terminando. Seus líderes Tom Brady e Matt Ryan devem bastante aos treinadores ofensivos a chegada até aqui na competição. Confira um raio-x da carreira dos Coordenadores Josh McDaniels e Kyle Shanahan.

No England Patriots há 15 temporadas, Josh McDaniels segue se reinventando

A mente por trás de Tom Brady, o coordenador ofensivo do New England Patriots e ex-técnico principal na NFL Josh McDaniels é sempre lembrado a cada demissão de treinadores como candidato ao cargo de treinador em alguma franquia. Lembrado como gênio ou percursor na profissão ele novamente colocou sua equipe entre as melhores da liga no aspecto ofensivo.

O primeiro trabalho com o futebol americano veio ainda jovem aos 23 anos com o lendário treinador universitário Nick Saban em Michigan State antes da virada do milênio. Esteve lá por apenas uma temporada antes de se mudar para Cleveland e abandonar a carreira no esporte da bola oval.

Seu retorno ocorreu em 2001, contratado que foi pelo New England Patriots para exercer funções secundárias como assistente pessoal e depois defensivo. Assumiu a função que entre idas e vindas ocupa até hoje na temporada 2004 inicialmente como treinador de quarterbacks e logo em seguida acumulando função como coordenador ofensivo.

No primeiro ano como treinador dos quarterbacks conquistou o tão almejado título de campeão batendo o Philadelphia Eagles por 24 a 21 no Super Bowl. Tom Brady naquele ano passou para quase 4 mil jardas e anotou 28 TD’s sendo selecionado o melhor em sua posição.

Em 2006, seu primeiro trabalho a frente de todo ataque foi mediano levando a ser a sétima melhor equipe no quesito ofensivo porém se destacando mesmo na temporada seguinte onde a equipe fez 16 vitórias e nenhuma derrota.

As adições dos recebedores Wes Welker e Randy Moss para atuar com o RB Marshall Faulk levou o ataque a 36.8 pontos por partida, disparado o melhor do ano que Tom Brady levou o prêmio de jogador mais valioso (MVP) na temporada regular para casa. O ano também marcou a estreia de Logan Mankins na proteção do camisa 12. Nada que a derrota para o New York Giants na decisão apagasse a campanha quase invicta em 2007.

Sem Thomas, sem pós temporada no ano pós derrota no Super Bowl. O oitavo melhor ataque, com Matt Cassell, não foi suficiente e no fim daquela temporada McDaniels aceitou trabalhar como técnico principal para o Denver Broncos. No Colorado não seguiu com bons índices ofensivos e inovações, sua marca na carreira ao menos no ano inicial e ainda trocou Jay Cutler para ter Kyle Orton.

Josh em passagem fraca nos Broncos (Foto: Doug Pensinger/Getty Images)
Josh em passagem fraca nos Broncos (Foto: Doug Pensinger/Getty Images)

Outra decisão vinda da mente dele foi a escolha da sensação do campeão nacional Universitário Florida Gators, Tim Tebow em seu segundo ano. O hibrído de QB e RB tinha problemas ao tentar passes longos mas assumiu a condição de titular e explodiu depois que McDaniels foi demitido na semana 13. Foram 11 vitórias e 17 derrotas como treinador principal.

Retornou ao Patriots após passagem frustrada no St Louis Rams para comandar a equipe nas funções onde teve sucesso: treinador de quarterback e coordenador ofensivo, substituindo Bill O’Brien no decorrer da pós-temporada em 2012.

Optando por uma novidade, a formação com dois Tight Ends abusando de Rob Gronkowki e Aaron Hernandez, que ainda alinhava como corredor nas famosas chamadas de jet sweep e colocando todos seus RB’s para jogo o coordenador deu novos ares ao ataque em Boston.

Vieram mais presenças em playoffs e uma conquista de Super Bowl contra o Seattle Seahawks na temporada onde Josh precisou mudar toda dinâmica ofensiva da equipe pois tinha perdido as cinco melhores e mais prolíficas peças no ataque.

Brady e McDaniels (Foto: Maddie Meyer/Getty Images)
Brady e McDaniels (Foto: Maddie Meyer/Getty Images)

Dono do terceiro melhor desempenho ofensivo na temporada regular, Josh McDaniels viu seu nome florescer outra vez como ótimo coordenador. O sistema implementado garantiu que a ausência de Brady por suspensão fizesse pouco efeito na equipe. Jimmy G esteve como titular nas primeiras quatro partidas vencendo três sem ceder passes aos adversários.

Quando o titular retomou a posição foram números ainda mais impressionantes. Thomas passou para 3,554 jardas, 28 TD’s e foi interceptado apenas duas vezes em 12 jogos. O rodízio na posição de corredor foi outro aspecto do jogo ofensivo que chamou a atenção onde onze atletas correram e tiveram produção positiva no jogo terreste.

Maior expoente pelo chão foi Legarrette Blount monopolizando o número de TD’s corridos para a endzone rival. Foram 18 vezes em que Blount invadiu a linha de gol com a bola embaixo do braço conseguindo a pontuação nas 1161 jardas percorridas pelo atleta.

Por cima, no jogo aéreo, foram ainda mais nomes acionados e até Garoppolo recebeu passe pelo New England Patriots. A falta de Gronk por lesão fez crescer outros jogadores, entre eles a surpresa Chris Hogan de 38 recepções em 57 passes na sua direção e o TE Martellus Bennett que viu 73 bolas irem pra si, recebendo 55 desses passes. O Tight End foi o alvo preferido de Brady/McDaniels na endzone marcando sete touchdowns, dois a mais que o segundo colocado James White.

Josh McDaniels segue criando alternativas para o Patriots no ataque, fazendo um duelo interessante com o coordenador ofensivo do Atlanta Falcons Kyle Shanahan. Os dois tem em mãos “apenas” Brady e Ryan, candidatos ao prêmio de MVP na temporada para explorar suas ideias no Super Bowl em Houston.

McDaniels e Belichick: "crânios" do sistema vencedor de NE (Foto: Maddie Meyer/Getty Images)
McDaniels e Belichick: "crânios" do sistema vencedor de NE (Foto: Maddie Meyer/Getty Images)

Seguindo os passos do pai, Kyle Shanahan passou por muita coisa antes de vencer na profissão

O DNA é moldado no futebol americano, tendo sido filho de um treinador que obteve muito sucesso na National Football League. Essa é a pressão e o currículo prévio obtido já no berço pelo coordenador ofensivo Kyle Shanahan, nêmesis no maior ataque da Liga na temporada sob a batuta em campo de Matt Ryan utilizando a camisa do Atlanta Falcons.

Nascido em 14 de Dezembro de 1979, Kyle passou por algumas experiências ao longo da carreira antes de brilhar em voo solo como treinador do ataque na Georgia. Logo aos 24 anos em 2003 ele já trabalhou como assistente graduado na Universidade da Califórnia (UCLA), passando nos dois anos seguintes ao “Controle de Qualidade Ofensiva” em seu primeiro emprego na NFL pelo Tampa Bay Buccaneers.

Rapidamente chegou ao posto de coordenador ofensivo quando trabalha no Houston Texans em 2008, tendo trabalhado anteriormente com treinador de recebedores e também quarterback’s nos anos de 2006 e 2007 respectivamente.

Shanahan em sua passagem nos Texans (Foto: Bob Levey/Getty Images)
Shanahan em sua passagem nos Texans (Foto: Bob Levey/Getty Images)

Na primeira temporada ele colocou sua equipe como 17º melhor ataque somando 6 mil jardas e anotando 22.9 pontos por partida e já no ano seguinte avançou ainda mais. Foram 24.3 pontos anotados por partida, ultrapassando novamente a marca de seis mil jardas e pulando para o décimo melhor desempenho ofensivo entre as franquias.Seu QB Matt Schaub e o principal receber Andre Johnson foram eleitos como all-pro sob o comando de Shanahan.

Trabalhando pela primeira vez com seu pai Mike, o filho mais novo do clã teve dificuldades em imprimir seu trabalho nos primeiros anos com D.McNabb e Rex Grossmann na posição titular do ataque. Tendo um ataque móvel com os principais escolhidos no draft de 2012, os Redskins voltaram aos playoffs pelo read option onde Robert Griffin III e o corredor Alfred Morris.

Foram 4800 jardas percorridas pela dupla, além de 20 passes para TD’s, 7 corridos pelo camisa 10 e novato do ano Griffin somados aos 13 pelo solo conseguidos por Morris. Foi o terceiro melhor ataque da NFL naquela temporada somando 27.3 pontos por jogo.

Foto: Win McNmee/Getty images
Foto: Win McNmee/Getty images

As lesões da dupla e o fracasso subsequente do sistema levaram Mike ao Cleveland Browns por uma rápida temporada comandando Bryan Hoyer que foi interceptado treze vezes durante aquela curta passagem. Seu ressurgimento veio no Falcons do head coach Dan Quinn, ajudando na campanha de 7 vitórias e 1 derrota na primeira metade da temporada 2015. Apesar de ter tido 7 derrotas nas oito semanas seguintes o ataque destacou o corredor D.Freeman e Julio Jones para o Pro Bowl.

A principal mudança veio da sinergia entre Matt Ryan e seu treinador. Chamado também pelo apelido Ice, o quarterback titular entendeu muito bem o programa de jogo apresentado pelo mentor que consiste em passes curtos, corrida e envolver mais jogadores no ataque a ponto de evitar que Julio Jones seja acionado de forma excessiva em todas as partidas.

Jones segue sendo líder nas recepções, principalmente nos passes longos onde foi chamado quatro vezes mais que seus companheiros no ataque, 27 passes completados para +20 jardas.

Shanahan em seu ápice na carreira (Foto: Joe Robbins/Getty images)
Shanahan em seu ápice na carreira (Foto: Joe Robbins/Getty images)

E se engana quem pensa que o veterano foi sozinho a vertente do jogo aéreo. No quesito receber bolas na endzone ele está empatado com o até então desconhecido Taylor Gabriel, tendo cada um dele seis touchdowns marcados ao longo do ano.

Nomes como Mohamed Sanu, Justin Hardy, Jacob Tamme, Austin Hooper e Tevin Coleman tem pelo menos três TD’s anotados no jogo aéreo. Isso tudo sem citar o gigante Freeman que correu para onze numa média de 4.8 corridas por carregada, ultrapassando as mil jardas apenas como opção por terra.

Pelo ar foram ainda 462 jardas atuando no ataque de 33.8 pontos e que a cada jogada conseguia em média 8.2 a cada passe completado, o melhor entre todas as franquias. Tudo isso liderados por Kyle Shanahan, treinador ofensivo cobiçado por equipes como o San Francisco 49ers para ter ser primeiro emprego na posição principal.

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