Seleção VAVEL da Copa Africana de Nações de 2017
Imagem: Hugo Alves/Editoria de Arte da VAVEL Brasil

Terminada a Copa Africana de Nações de 2017, é hora de eleger os melhores jogadores do certame. A VAVEL Brasil acompanhou todos os detalhes da maior competição do futebol africano e escala sua Seleção da CAN 2017 no esquema 3-4-3, tendo em vista que os maiores destaques do torneio vieram do setor ofensivo do campo.

Goleiro: Fabrice Ondoa (Camarões)

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O goleiro Fabrice Ondoa colecionou grandes atuações na campanha que rendeu o quinto título continental a Camarões. Fechou o gol no clássico frente ao rival Gabão, cujo placar foi 0 a 0 e eliminou a seleção dona da casa em plena fase de grupos. Nas quartas de final, contra o Senegal, em novo empate sem gols, agarrou até pensamento e tornou-se a grande estrela da disputa de pênaltis ao defender a cobrança do craque senegalês Sadio Mané.

Diante de Gana, na semifinal, teve atuação segura. Na final, contra o Egito, pouco trabalhou; Sofreu apenas três gols em toda esta Copa Africana de 2017.

Se você acredita em destino, pode dizer que os holofotes sobre Ondoa na CAN 2017 foram um capricho da vida. Cotado para ser o goleiro titular de Camarões nesta edição da CAN, André Onana optou por não jogar a competição para, segundo suas palavras à mídia holandesa, "consolidar sua titularidade no Ajax". A decisão do arqueiro do maior campeão holandês abriu espaço para Ondoa mostrar o seu valor.

Por incrível que pareça, o jovem de 21 anos tem pouca experiência em clubes. Ele integrou as categorias de base do Barcelona, onde conquistou a Uefa Youth League em 2013/2014 com o time sub-19 - foi um dos destaques desse torneio. Foi promovido ao elenco do Barcelona B, mas recebeu poucas oportunidades. Rescindiu com os culés e se transferiu ao Gimnàstic de Tarragona, que o emprestou ao Pobla de Matumet, da Segunda Divisão B (a terceira divisão espanhola), onde foi titular em cinco partidas, e, depois, ao Sevilla Atlético, o time B do Sevilla que joga a Liga Adelante (segunda divisão), do qual é o goleiro reserva.

Apesar da pouca presença em clubes, Ondoa tem vasta experiência na seleção. Foi convocado pela primeira vez em agosto de 2014, jogou a Copa Africana de Nações de 2015 e agora, com o título da CAN 2017, atingiu sua consagração máxima.

Defensor: Kara Mbodji (Senegal)

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A defesa do Senegal sofreu apenas dois gols na Copa Africana de Nações de 2017. O grande símbolo da consistência defensiva dos Leões de Teranga certamente foi o zagueiro Kara Mbodji. Peça-chave do elenco do Anderlecht, da Bélgica, o defensor de 27 anos foi revelado pelo Diambars FC, clube do seu país, e também já jogou no Tromsø (Noruega) e Genk (Bélgica).

Mbodji defende as cores do seu país desde 2011. Esteve presente nos Jogos Olímpicos de Londres 2012 e na Copa Africana de Nações de 2015, na Guiné Equatorial.

Kara está em nossa seleção da CAN 2017 graças às suas atuações seguras nos jogos do Senegal. Mostrou ser um dos pilares dos leoninos, que apresentaram um dos estilos de jogos mais agradáveis de se ver na competição. Anotou um gol no certame, na vitória de 2 a 0 sobre a Tunísia, na primeira rodada.

Defensor: Ahmed Hegazy (Egito)

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A carreira do egípcio Ahmed Hegazy, 26 anos, é respeitável. Revelado pelo Ismaily SC, clube do seu país que é conhecido como "Os Brasileiros do Egito" devido à semelhança de seu uniforme com o da Seleção Brasileira, ele já jogou nos clubes italianos Fiorentina e Perugia e hoje é peça importante do clube mais vitorioso do Egito, o Al Ahly.

Hegazy veste a camisa dos Faraós desde as categorias de base e ganhou espaço na seleção principal devido a sólidas atuações. É um jogador que se defende bem e passa segurança aos demais companheiros do time. Ajudou o Egito a chegar à final e não à toa está em nossa seleção.

Defensor: Michael Ngadeu-Ngadjui (Camarões)

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O zagueiro Michael Ngadeu-Ngadjui (26) é um dos símbolos da renovação da seleção camaronesa - para se ter ideia, nenhum jogador do atual plantel dos Leões Indomáveis tem mais de 30 anos. Convocado pelos Leões Indomáveis pela primeira vez em 2016, durante as Eliminatórias para a CAN 2017, foi parte importante da solidez defensiva de sua seleção na campanha rumo ao quinto título africano.

Ngadeu-Ngadjui coleciona em seu currículo passagens por Canon Yaoundé (de Camarões, onde foi revelado), Kirchhörder SC (Alemanha), Sandhausen (Alemanha), time B do Nuremberg (Alemanha) e Botosani (Romênia). Hoje está no Slavia Praga, da Tchéquia.

O defensor anotou dois gols nesta Copa Africana: o da virada de 2 a 1 sobre a Guiné-Bissau, na primeira fase, e o primeiro da vitória de 2 a 0 contra Gana, na semifinal.

Volante: Charles Kaboré (Burkina Faso)

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Na cabeça de área aparece o burquinense Charles Kaboré. Capitão dos "Garanhões", Kaboré é o jogador que mais vezes entrou em campo pela Burkina Faso: esteve presente em 79 partidas de 2006 para cá. Seu status de "xerifão", seu talento para roubar bolas e a segurança que transmite à equipe o credenciaram à Seleção VAVEL da CAN 2017.

O volante começou sua carreira nas categorias de base do Étoile Filante de Ouagadougou, clube da capital do seu país. Ainda jovem, mudou-se à França, onde ascendeu ao profissionalismo. Passou pelo modesto Libourne-Saint-Seurin e pelo clube mais popular do país, o Olympique de Marseille. Depois, estabeleceu-se no futebol russo. Mais precisamente, na cidade de Krasnodar. Vestiu a camisa do Kuban Krasnodar e, mais tarde, "virou a casaca": hoje joga no FC Krasnodar.

Volante: Cheikhou Kouyaté (Senegal)

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Quem acompanha Kaboré na volância em nosso time é o capitão do Senegal, Cheikhou Kouyaté. Ele chega credenciado pelos mesmos motivos de seu companheiro de posição: liderança e sagacidade. Está na seleção de seu país desde 2012 e, agora, tem duas Copas Africanas de Nações na bagagem (2015 e 2017).

Hoje no clube inglês West Ham, Kouyaté tem 27 anos e iniciou seus passos no futebol no extinto RWDM Brussels FC, da Bélgica. Continuou sua caminhada no futebol belga ao vestir as camisas do Anderlecht e do Kortrijk. Está nos Hammers desde 2014.

Meia: Préjuce Nakoulma (Burkina Faso)

Ulrich Pedersen/Getty Images

Um dos pilares do ofensivo e veloz futebol de Burkina Faso merece espaço na Seleção VAVEL da CAN 2017. O meia-atacante Préjuce Nakoulma anotou gols importantes gols nesta Copa Africana. Balançou as redes no empate contra o Gabão, resultado que foi importante para a conquista da liderança do Grupo A, e na vitória contra a Tunísia, nas quartas de final.

Nakoulma, 29 anos, é experiente, habilidoso e está presente nos mais diversos setores do campo. Defende a seleção dos "Garanhões" desde 2012. Marcou presença no vice-campeonato africano de 2013 e na boa campanha nas Eliminatórias para a Copa do Mundo de 2014, quando Burkina Faso quase foi ao Mundial no Brasil.

Revelado pelo Commune FC, clube de Ouagadougou, capital do seu país, Nakoulma tem extensa passagem pelo futebol polonês, onde vestiu as camisas do Granica Lubycza Królewska, Hetman Zamość, Stal Stalowa Wola, Górnik Łęczna, Widzew Łódź e Górnik Zabrze. Depois dos longos nove anos como "andarilho" do futebol polonês, mudou-se à Turquia, onde defendeu o Mersin İdman Yurdu e o Kayserispor. Passada a CAN 2017, o jogador tem, agora, um novo desafio: jogar pelo terceiro maior campeão francês, o Nantes.

Meia: Mohamed Salah (Egito)

Mujahid Sapodien/Getty Images

Em sua primeira Copa Africana, o ponta Mohamed Salah (24) teve importante papel de liderança técnica com a seleção do Egito, a maior campeã do certame. Em grande fase com a Roma na Serie A, o jogador assumiu o posto de "herdeiro" do lendário Mohamed Aboutrika. E com louvor. Com dois gols e duas assistências, participou de quatro dos cingo gols dos Faraós na CAN 2017.

Revelado pelo El Mokawloon El Arab, clube de seu país, Salah despontou para o futebol na Suíça, jogando pelo Basel. Transferiu-se ao Chelsea com o status de craque, mas não obteve o mesmo sucesso em terras britânicas. O time londrino preferiu emprestá-lo à Fioretina e, posteriormente, à Roma. O clube da capital italiana acabou comprando os direitos federativos do atleta.

Atacante: Sadio Mané (Senegal)

Visionhaus/Getty Images

O craque do Liverpool e camisa 10 da seleção do Senegal, Sadio Mané, fez boas apresentações na CAN 2017. Balançou as redes nas vitórias sobre Tunísia e Zimbábue, na fase de grupos. Reforçou seu papel de liderança técnica dos Leões de Teranga.

Nas quartas de final, o jogador de 24 anos parou no goleiro Ondoa. Desperdiçou chances no tempo normal, na prorrogação e errou sua cobrança na disputa de pênaltis. Seu choro após a eliminação senegalesa ganhou o mundo. Mané sabe que poderia ter feito mais. Mas nos fãs de futebol fica a esperança de que ele ainda dará muitas alegrias ao Senegal, que carece de boas campanhas desde o ano de 2002, quando chegou à final da Copa Africana e às quartas de final em sua primeira - e, até hoje, única - Copa do Mundo.

A caminhada de Sadio Mané pelos gramados começou nas categorias de base do Génération Foot, da capital senegalesa, Dakar. Considerado um menino prodígio, logo foi ao Metz, da França, onde se tornou profissional. Após viver fases goleadoras no Red Bull Salzburg, da Áustria, e no Southampton, da Inglaterra, hoje é peça importante do Liverpool de Jürgen Klopp.

Atacante: Christian Bassogog (Camarões)

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Outra peça fundamental da renovada seleção de Camarões, Christian Bassogog foi eleito o melhor jogador da Copa Africana de Nações de 2017 pela Confederação Africana de Futebol (CAF).

O prêmio não veio à toa. O atacante é daqueles jogadores que não se escondem da partida e chamam a responsabilidade para si. Movimenta-se bastante e tem um estilo de jogo coletivista, além de apurado faro de gol. Foi às redes na vitória de 2 a 0 sobre Gana na semifinal.

Jogador do Aalborg, da Dinamarca, Bassogog começou no Rainbow FC, de Camarões, e também já atuou no Wilmington Hammerheads, dos EUA.

Atacante: Junior Kabananga (RD Congo)

Issouf Sanogo/AFP/Getty Images

É claro que o artilheiro da CAN 2017 não iria ficar de fora. O atacante Junior Kabananga, que joga no FC Astana, do Cazaquistão, fez gol nos três jogos da República Democrática do Congo na fase de grupos. Ajudou os Leopardos a vencerem o Marrocos (1 a 0) e o Togo (3 a 1) e a empatarem com a Costa do Marfim (2 a 2). Mesmo com a eliminação da RD Congo para Gana nas quartas de final, nenhum outro jogador foi capaz de ultrapassá-lo na artilharia da competição.

Kabananga é o representate do futebol, como diria o senso comum, "alegre" dos congoleses. O time de Florent Ibengé visa o ataque e conta com jogadas rápidas de peças como Bakambu, M'Poku, Mbokani, Mubele e do próprio Kabananga.

Junior tem um vasto currículo. Começou no MK Etanchéité, clube da capital Kinshasa, e, depois, passou pelo futebol belga. Defendeu o Anderlecht, o extinto Germinal Beerschot, o Roeselare e o Cercle Brugge. Também jogou no Karabükspor, da Turquia.

Técnico: Hugo Broos (Camarões)

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Multicampeão na Bélgica tanto como jogador quanto como treinador do Anderlecht e do Club Brugge, duas das maiores e mais populares equipes do país, o belga Hugo Broos vem liderando a renovação da seleção camaronesa.

Ainda que estivessem pensando a longo prazo, os Leões Indomáveis colheram os frutos logo cedo, com o título da Copa Africana de Nações de 2017. Muito disso se deve ao estilo de jogo implantado por Broos, que consiste num forte sistema defensivo, setor que é o ponto crítico das seleções africanas em geral, e em rápidas transições defesa-ataque.

Justiça seja feita, o treinador que ajudou a colocar ponto final no jejum de 15 anos sem títulos de Camarões tem de ser o técnico da Seleção VAVEL da CAN 2017.

Menções honrosas: Essam El-Hadary (goleiro - Egito), Christian Atsu (meia - Gana), Benjamin Moukandjo (meia - Camarões) e Bertrand Traoré (atacante - Burkina Faso).

A VAVEL Brasil acompanhou todos os detalhes da Copa Africana de Nações de 2017; relembre

Os 10 gols mais bonitos da CAN 2017

A VAVEL Brasil também separou os 10 gols mais bonitos da Copa Africana de Nações de 2017. Delicie-se com a lista abaixo.

1 - Piqueti (Guiné-Bissau) - Guiné-Bissau 1 x 2 Camarões (primeira fase)

2 - Vincent Aboubakar (Camarões) - Camarões 2 x 1 Egito (final) - o gol do título

3 - Rachid Alioui (Marrocos) - Marrocos 1 x 0 Costa do Marfim (primeira fase)

4 - Paul-José M'Poku (RD Congo) - RD Congo 1 x 2 Gana (quartas de final)

5 - Henri Saivet (Senegal) - Senegal 2 x 0 Zimbábue (primeira fase)

6 - Alain Traoré (Burkina Faso) - Burkina Faso 1 x 0 Gana (decisão do terceiro lugar)

7 - Yves Bissouma (Mali) - Mali 1 x 1 Uganda (primeira fase)

8 - Mohamed Salah (Egito) - Egito 1 x 0 Gana (primeira fase)

9 - Farouk Myia (Uganda) - Uganda 1 x 1 Mali (primeira fase)

10 - Riyad Mahrez (Argélia) - Argélia 2 x 2 Zimbábue (primeira fase)

As imagens mais marcantes

A seleção da Guiné-Bissau se despedindo dos seus torcedores antes de viajar ao Gabão. Os lusófonos participaram da Copa Africana de Nações pela primeira vez.

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O zagueiro da Burkina Faso, Yacouba Coulibaly, manteve-se em campo com um curativo na cabeça depois de se chocar com o atacante do Gabão, Serge Kevyn.

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O momento em que o goleiro egípcio Essam El-Hadary, de 44 anos, substitui o lesionado Ahmed El-Shenawy e se torna o jogador mais velho a entrar em campo numa Copa Africana de Nações. O fato aconteceu no empate sem gols com o Mali.

Divulgação/Twitter

O craque Pierre-Emerick Aubameyang lamenta a eliminação precoce da seleção anfitriã, o Gabão. As Panteras empataram os três jogos da primeira fase e deram adeus ao sonho do título inédito.

Nur Photo/Getty Images

Quem também caiu na fase de grupos foi a campeã de 2015, a Costa do Marfim. Os Elefantes empataram com o Togo e a RD Congo e sucumbiram diante do Marrocos.

Issouf Sanogo/AFP/Getty Images

Jogadores do Egito comemoram a classificação à final da CAN 2017. O herói do dia foi o goleiro Essam El-Hadary, que pegou duas cobranças na disputa de pênaltis contra a Burkina Faso.

Ulrich Pedersen/Getty Images

Jogadores de Camarões celebram o quinto título dos Leões Indomáveis na Copa Africana. A taça foi conquistada após vitória de 2 a 1 sobre o Egito, de virada, na grande final, no Stade de l'Amitié, em Libreville, capital do Gabão.

Gabriel Bouys/AFP/Getty Images
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