Com Morumbi lotado, São Paulo recebe Atlético Nacional pela semifinal da Libertadores

Após 45 dias de pausa, torneio continental volta com o Tricolor abrigo a briga por uma vaga na decisão; estádio deve bater recorde de público, e time vai com os desfalques de Ganso e Kelvin

Com Morumbi lotado, São Paulo recebe Atlético Nacional pela semifinal da Libertadores
Arte de Marcello Neves / VAVEL Brasil em foto de Fernando Nunes / São Paulo FC
São Paulo
Atlético Nacional-COL
São Paulo: Dênis; Bruno, Maicon, Rodrigo Caio, Mena; Hudson, João Schimidt, Thiago Mendes, Ytalo, Michel Bastos; Calleri. Técnico: Edgardo Bauza
Atlético Nacional-COL: Franco Armani, Bocanegra, Sánchez, Henríquez, Díaz; Sebá Pérez, Alex Mejía, Moreno, Macnelly Torres, Guerra; Miguel Borja. Técnico: Reinaldo Rueda
INCIDENCIAS: Partida de ida das semifinais da Copa Libertadores da América, a ser disputada no estádio do Morumbi, em São Paulo.

A espera do torcedor são-paulino finalmente acabou. Depois de quase dois meses, está de volta a Copa Libertadores da América, com seus confrontos da fase semifinal: nesta quarta-feira, o São Paulo terá o Morumbi lotado para receber o Atlético Nacional-COL, a partir das 21h45, buscando vantagem no primeiro jogo na briga pela decisão continental. 

O Tricolor certamente usará a força de seu estádio para a competição, uma vez que conta com desfalques importantes: o atacante Kelvin e o meia Paulo Henrique Ganso. Sem a dupla, o técnico Patón Bauza terá que modificar seu ataque, que terá o centroavante Jonathan Calleri, artilheiro da Libertadores, como referência. Jogadores importantes se recuperaram a tempo do duelo, como Hudson e Mena, e devem iniciar a partida como titulares. Todos os ingressos para o confronto foram vendidos, e o São Paulo deve fazer o que já fez três vezes na atual temporada: bater o recorde de público do futebol brasileiro no ano. 

A campanha tricolor começou ruim. Após passar pelo César Vallejo-PER, na pré-Libertadores, com um magro 1 a 0, a equipe de Edgardo Bauza só garantiu sua classificação para o mata-mata na última rodada da fase de grupos, ao empatar com o The Strongest-BOL, na altitude de La Paz: o time somava apenas um ponto após os três primeiros jogos, mas renasceu após golear o Trujillanos e vencer o atual campeão River Plate no Morumbi. Depois disso, o time parece ter ganhado confiança, começou a jogar bem e passou com muita tranquilidade pelo Toluca-MEX. Já contra o Atlético-MG, nas quartas, uma classificação sofrida, com derrota, mas com a vantagem de ter marcado um gol fora de casa.

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Por outro lado, o Nacional teve uma vida muito mais tranquila, pelo menos na fase de grupos. Jogando bem desde a primeira partida, os colombianos venceram cinco de seus seis jogos, tendo ainda empatado outro confronto. Nas oitavas, o time não teve grandes problemas e passou pelo Huracán-ARG. Já nas quartas, a classificação foi bastante sofrida. Após perder por 1 a 0 para o Rosário Central-ARG na Argentina, o clube colombiano buscou uma virada heróica em casa, com um gol no último minuto, e venceu os argentinos por 3 a 1.

O histórico de confrontos entre as duas equipes é favorável ao clube do Morumbi. Em dez jogos, os brasileiros venceram cinco, empataram três e foram derrotados duas vezes. Na última vez em que se encontraram, entretanto, foi o Atlético que levou a melhor. Em 2014, pelas semifinais da Copa Sul-americana, uma vitória por 1 a 0 para cada lado e classificação dos colombianos nos pênaltis.

Em 2014, São Paulo e Atlético Nacional duelaram pelas semis da Sul-Americana: colombianos levaram a melhor (Foto: Rubens Chiri / São Paulo FC)
Em 2014, São Paulo e Atlético Nacional duelaram pelas semis da Sul-Americana: colombianos levaram a melhor (Foto: Rubens Chiri / São Paulo FC)

Bauza não revela time titular, mas indica Ytalo no meio

Antes do confronto decisivo pela Libertadores, o técnico Edgardo Bauza resolveu fazer mistério. Sem poder contar com Paulo Henrique Ganso e Kelvin, machucados, e ainda em dúvida sobre as condições físicas do volante Hudson e do lateral Mena, o treinador não revelou qual formação será utilizada, porém indiciou que Ytalo deve atuar no lugar de Ganso. "Ytalo tem grandes chances. Creio que dar uma oportunidade a um jogador mais jovem, sem muita experiência, traria um peso muito grande. É uma lástima perderelhor opção, mas o Ganso, porque é um atleta importante na construção das jogadas e na ligação do meio-campo com os demais. Mas não é hora de lamentar. Verei qual será a m Ytalo é o que mais chances tem", afirmou Patón.

Ytalo, aliás, é o único reforço do clube para as semifinais. Além do camisa 37, o zagueiro Lucas Kal, o volante Artur e o atacante Pedro Bortoluzzo, todos formados nas categorias de base de Cotia, foram inscritos, nos lugares de Rogério (emprestado ao Sport), Wilder (devolvido ao Toluca após empréstimo), Breno e Lucas Fernandes (ambos machucados).

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O torcedor são-paulino, no entanto, ficou muito satisfeito com uma negociação em especial: a permanência em definitivo do zagueiro Maicon, que faz nesta quarta a primeira partida após assinar o novo contrato, com duração de quatro anos. E o capitão quer fazer história. “O que passou, passou. Quarta-feira é outra competição, tem de ser outra mentalidade e saber que um erro pode custar caro. Temos de entrar com outra mentalidade. Estamos a um passo da final da Libertadores. No nosso elenco, só o Lugano conquistou o título. Será importante vencer por qualquer resultado sem tomar gols. É claro que o Kelvin e o Ganso vão fazer muita falta, mas o professor Bauza está montando um time forte para a partida. Tem de ser melhor do que o que vinha jogando na Libertadores”, avaliou o defensor.

Na vaga de Kelvin, a dúvida ainda é grande. O mais provável é que Thiago Mendes jogue aberto pela direita, fazendo uma dobradinho com Bruno, e deixando Hudson e João Schmidt formando a dupla de volantes. Escalar Wesley também foi uma opção cogitada por Patón Bauza nos treinos, que não deve adiantar o time até a hora da decisão. A garantia na frente é a presença de Jonathan Calleri, artilheiro da Libertadores com oito gols, que renovou contrato até o final da competição e espera embalar com a música que a torcida criou. "Espero que a canção faça efeito e eu possa jogar para converter ao menos um gol. É o que falta para ser o goleador, mas o melhor que pode acontecer é que todos ajudem como possam, deem seu melhor e quem entrar de titular nos ajude a chegar à final. Gostaria de ser o goleador da Libertadores, ficaria na história, mas o mais importante é passar", disse o artilheiro, em entrevista à TV Globo.

Patón Bauza comanda último treino do São Paulo, já no Morumbi (Foto: Miguel Schincariol / São Paulo FC)
Patón Bauza comanda último treino do São Paulo, já no Morumbi (Foto: Miguel Schincariol / São Paulo FC)

Contra saídas, Nacional aposta em novo artilheiro e velhos destaques 

A pausa da Libertadores foi, de certa forma, ruim para o Atlético Nacional. A equipe, que vinha embalada após uma classificação heróica diante do Rosário Central, perdeu alguns jogadores, principalmente no setor ofensivo. Ibarbo, que estava emprestado, não teve seu vínculo renovado e Copete, um dos destaques do time, foi para o Santos. Além deles, Berrío, outra opção para o setor, foi expulso na última partida da competição e está suspenso para o duelo no Morumbi.

Por outro lado, a equipe ganhou dez reforços no período, pré-temporada do torneio nacional, e inscreveu quatro deles na Libertadores:Christin Dájome, Edwin Velasco, Elkin Blanco e Miguél Borja. O último, artilheiro do último Campeonato Colombiano, e chega para ser o matador da equipe e foi muito elogiado pela comissão técnica da equipe. 

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Para o duelo, o técnico Reinaldo Ruedas deve escalar um time com Franco Armani, Bocanegra, Sánchez, Henríquez, Díaz; Sebá Pérez, Alex Mejía, Moreno, Macnelly Torres, Guerra; Miguel Borja. Apesar de sofrer com mudanças, o time confia no potencial de seus principais jogadores, como os meias Torres, outrora sondado em muitos clubes no Brasil, e Guerra, o grande destaque do time na atual competição.

O técnico Reinado Ruedas, assim como os são-paulinos, diz ser fã de Telê Santana. "É a maior referência do futebol brasileiro. Aquela seleção brasileira da Copa do Mundo de 1982, na Espanha, é uma das melhores que vi jogar", afirmou o treinador, que também previu o crescimento do São Paulo durante a competição, na opinião dele a equipe brasileira mais forte. "Sem dúvida nenhuma. Evoluiu. É um time que está mostrando organização, futebol coletivo. Por causa disso, individualidades como as de Calleri e Ganso estão se sobressaindo", garantiu.

Colombianos também treinaram no Morumbi antes do duelo desta quarta (Foto: Divulgação / Atlético Nacional)
Colombianos também treinaram no Morumbi antes do duelo desta quarta (Foto: Divulgação / Atlético Nacional)