Especial derby: O desenho dos artistas

É já amanhã que Sporting e Benfica medem forças no eterno derby do futebol português. Para além dos artistas em campo, muito também se vai decidir através dos treinadores e da sua consequente leitura do jogo. Jorge Jesus e Rui Vitória há muito que implementaram a sua ideia e desenho táctico nas respectivas equipas.

Especial derby: O desenho dos artistas
Foto: ASF

Olhando para os esquemas táticos de Sporting e Benfica, encontramos, pelo menos no papel, sistemas idênticos. Com efeito, ambas as equipas apresentam-se num 4-4-2; para além do quarteto defensivo, com laterais de forte pendor ofensivo, leões e águias dispõem-se de forma semelhante no meio-campo.

Assim, temos um médio mais defensivo (ex. William Carvalho e Fejsa) atrás do médio responsável pelas transições e ligação entre defesa e ataque. Trata-se do centro nevrálgico da equipa, o seu ponto de equilíbrio (ex. Adrien Silva e Pizzi).

Nas alas não há segredos, dois extremos com técnica e capacidade de explosão (ex. Gelson e Salvio), capazes também de flectir para zonas mais interiores à procura de combinações com a dupla atacante.

É precisamente aí que parece residir a diferença entre Sporting e Benfica no que a desenho tático diz respeito. Nas águias, a dupla é mormente formada por Jonas e Mitroglou, sendo o grego o elemento mais posicional e Jonas aquele com maior “liberdade” de movimentação.

Já no Sporting os dois homens da frente têm sido Bas Dost e Alan Ruiz. Ora se o mortífero holandês não engana relativamente à sua natureza, já é no caso de Ruiz é possível ver, não tanto um segundo avançado, mas antes um médio ofensivo; um organizador de jogo em constante sintonia com o ponta-de-lança.

Independentemente destas ligeiras diferenças, ambas as equipas como que se encaixam na sua disposição. Para além do esquema tático, leões e águias apresentam filosofias de jogo bem semelhantes.

Aqui é possível ver o cunho pessoal dos técnicos. Ambas as equipas primam pela pressão alta para rápida recuperação da bola, procurando um desenvolvimento de massivo de lances ofensivos, principalmente baseados em rápidas combinações entre os homens do ataque. Um, dois, três toques é o necessário para conseguir uma jogada que liberte um colega para a finalização.

Excelentes artistas, grandes treinadores, um palco e público em polvorosa. Com ingredientes destes espera-se um excelente espectáculo dentro e fora das quatro linhas, onde o mais pequeno pormenor será decisivo para o resultado final.