Raio X à Águia: Rúben Amorim
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Raio X à Águia: Rúben Amorim

Os jogadores são os principais protagonistas do futebol, mas há mais sobre eles do que é possível ver em campo. O Vavel Portugal faz hoje o raio-x a Rúben Amorim, médio do Benfica.

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Mara Guerra

O talento de Rúben Amorim para o futebol não foi precoce ou unanimemente reconhecido na sua juventude, como acontece com outros futebolistas. Foi no Belenenses que encontrou o seu meio de maturação, que lhe permitiu, mais tarde, voltar a encontrar-se com o Benfica, onde tinha sido dispensado nas camadas jovens. Na sua estadia na Luz, o percurso de Amorim não tem sido calmo, tendo o jogador que fazer prova constante das suas capacidades, de forma a figurar como primeira opção de Jorge Jesus. E se esta época parecia começar a trazer-lhe a confiança do técnico, Rúben Amorim enfrenta mais um momento de interregno, em virtude de uma lesão que o deixa afastado até 2014.

A escola de Belém

Nascido a 27 de Janeiro de 1985, em Lisboa, Rúben Filipe Marques Amorim depressa escolheu a sua opção clubística. Sócio do Sport Lisboa e Benfica, ingressou nas camadas jovens do emblema na época de 1998/1999, com então 13 anos. Antes, tinha tentado uma primeira incursão noutra modalidade: começou a carreira desportiva como guarda-redes de hóquei e aos 9 anos decidiu trocar os patins pelas chuteiras.

A primeira época de águia ao peito não convenceu os responsáveis pela formação encarnada, como não convenceu os rivais do Sporting, que também escolheram não acolher o jogador nas suas camadas jovens. Assim, Rúben Amorim viveu alguma mobilidade entre clubes (passou pelo CAC Pontinha e pelo Ginásio de Corroios) até se fixar em Belém. E foi mesmo no Belenenses que o jogador encontrou a estabilidade e confianças necessárias, para evoluir como futebolista e encontrar a sua posição no terreno de jogo. Em 2000, ingressou nos azuis e deu mostras da qualidade que o fez transitar para o plantel principal, em 2003, e onde permaneceu até 2008.

Rúben Amorim estrou-se na principal divisão do futebol português a 14 de Dezembro de 2003, em jogo contra o Alverca, como aposta do então treinador do Restelo, Bogicevic. Se na estreia apenas teve oportunidade de pisar o relvado por 1 minuto, 2 meses depois surgiu a oportunidade de figurar como titular. E o adversário só poderia ter sido escolhido por obra do destino: o Sport Lisboa e Benfica.  Nos restantes anos que permaneceu em Belém, Amorim foi aposta dos técnicos Carlos Carvalhal, José Couceiro e Jorge Jesus, como médio-centro, totalizando 107 jogos e 5 golos.

O regresso à Luz e o reencontro com Jesus

Em 2008, e como reconhecimento do trabalho demostrado ao serviço do Belenenses, o Benfica decide contratar o jovem que, anos antes, tinha renegado. Na época, em entrevista ao jornal «O Jogo», Rúben Amorim confessava: «Voltar ao Benfica tem um gostinho bom, porque afinal quem tinha razão era eu». O regresso ao encarnado começou, de facto, com um gostinho bom para o médio, que encontrou nas opções de Quique Flores, o então treinador, espaço para conquistar a titularidade indiscutível. O espanhol era adepto do modelo de jogo 4x4x2, o que permitiu a Amorim ser uma das opções para o meio-campo na sua primeira temporada na Luz.

A titularidade, essa foi posta em causa uma época mais tarde, quando Jorge Jesus assumiu o comando técnico do Benfica. E se o treinador e o atleta já se conheciam dos tempos de Belém, a familiaridade em nada favoreceu Rúben Amorim, que começou, progressivamente, a perder espaço no onze encarnado. E, como pronuncia o ditado, «um mal nunca vem só», eis que Ramires chegou à Luz com as qualidades necessárias à conquista da titularidade, e da simpatia de Jesus, pelo que o português foi, naturalmente, afastado.

Em 2010, após o Benfica se sagrar campeão, Rúben Amorim vive mais uma conquista pessoal, com a chamada à Selecção A, para disputar o Mundial na África de Sul, em virtude da lesão de Nani. Contudo, após esta internacionalização, as temporadas de 2010/2011 e 2011/2012 marcam uma tendência descendente no percurso do jogador, que, para além de se confrontar com algumas lesões, foi perdendo espaço no clube, do qual acabou por ser afastado, em Janeiro de 2012. Por divergências com Jorge Jesus, rumou a Braga por época e meia e, quando chegou ao norte, acabou por continuar em estado de suplente, nas opções de Leonardo Jardim. Só em 2012/2013, com José Peseiro, começa a reerguer-se e, curiosamente, no lado esquerdo do meio-campo. Nesta época, conseguiu mostrar a sua polivalência e importância ao serviço dos minhotos, conquistando uma Taça da Liga, o 5º troféu da sua carreira (ganhou 3 Taças da Liga – 2008/2009, 2009/2010, 2010/2011-, e um Campeonato, em 2009/2010, ao serviço do Benfica).

E as portas da Luz voltam a abrir-se...

A boa época em Braga fez com que as portas da Luz se voltassem a abrir para Rúben Amorim. De castigo cumprido, o médio voltou a ingressar o plantel de Jorge Jesus, nesta temporada. Ainda assim, as opções tácticas do treinador do Benfica, com a aposta na dupla Matic-Enzo Pérez, não facilitaram o regresso em pleno. E só o modelo 4x3x3, investido nas últimas partidas, voltou a mostrar Rúben Amorim, capaz de se entrosar e dividir o terreno com o sérvio e o argentino.

Antes de se ausentar por lesão (sofreu uma ruptura parcial no ligamento do joelho direito, no jogo frente ao Sporting para a Taça de Portugal), Amorim cresceu nos últimos embates encarnados, do qual se destaca a prestação na Grécia, frente ao Olympiakos e, dias antes, o jogo em Coimbra, frente à Académica, onde saltou do banco para mostrar uma das suas maiores qualidades: a técnica de passe. O atleta serviu, brilhantemente, Markovic para um golo e carimbou, assim, o 200º jogo na Liga.

Em duas centenas de jogos, Rúben Amorim não conta com nenhuma expulsão e totaliza 13 golos. E, volvida que está a marca de presenças no principal escalão, assistimos hoje a um atleta mais polivalente e completo, do que aquele que figurava em Belém ou que ingressou nas Águias em 2008. Se no Restelo o seu lugar terminava como médio centro, actualmente já fez provas de se adaptar ao lado direito do terreno, seja como médio-ala ou como defesa lateral. E, para além da eficácia em criar linhas de passe, conta-se na ficha técnica com a mais-valia de ser um jogador pressionante e que imprime ritmo ao jogo, com a bola nos pés.

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