Nem ata, nem desata

O Sporting tinha o primeiro lugar à distância de uma vitória, depois de ter vencido a equipa de Coimbra na primeira volta com um sonante 0-4, o que deixava a promessa de um jogo facilitado para os 11 chefiados por Leonardo Jardim. Em jeito de ajuda, o empate do Benfica e a derrota do Porto com o Marítimo deixavam os leões em vantagem caso garantissem uma vitória.

Tal não aconteceu. A equipa de Alvalade bem tentou, mas o resultado não passou do nulo. Zero para o Sporting, zero para a Académica. Um resultado justo, mas que voltou a mostrar que a equipa de Leonardo Jardim tem muita dificuldade em lidar com a pressão.

Quarenta e cinco minutos de tentativas

O Sporting entrou em campo com o Estádio de Alvalade de costas para o relvado. Os adeptos prometeram e cumpriram. «Três minutos de costas para o relvado contra a corrupção» foi o apelo das claques, cumprido pelos mais de 36 mil espectadores.

Jardim deixou Capel e Carrillo no banco e deu o lugar a Carlos Mané e Wilson Eduardo. O Sporting até entrou bem, pressionante e subido no terreno, e dominou os primeiros 20 minutos da partida, mas o golo insistia em não surgir. Logo aos seis minutos, um remate de Montero, descaído para a esquerda, obrigou Ricardo a defesa atenta, e três minutos depois, era Jefferson quem, a forte pontapé, fazia tremer os ferros da baliza estudantil. As investidas leoninas foram uma constante durante toda a primeira parte, ainda que o gás da equipa fosse diminuindo, perante a incapacidade para cumprir a promessa de um golo que parecia anunciado.

Do lado da Académica, Marinho era sempre o mestre de armas, e, apesar da superioridade verde e branca ao longo de toda a primeira parte, a baliza de Patrício chegou a tremer. Corria o minuto 35 quando um contra-ataque ia dando o primeiro golo do jogo. O pontapé de Marinho acabou no poste direito de Rui Patrício, valendo a rápida intervenção de Rojo que conseguiu desviar a bola no ressalto e fazer a defesa leonina respirar de alívio.

 

Faltou o golo

Já na segunda parte da partida, a história foi outra. Ao minuto 50, o Sporting acordou. Apesar das dificuldades em passar pela defesa da equipa de Coimbra, os leões começaram a criar perigo logo ao minuto 51. Um grande remate de Wilson Eduardo esbarrou numa grande defesa de Ricardo.

Em 51 minutos de jogo, a equipa e Leonardo Jardim apresentava apenas nove remates, e somente três deles à baliza. Slimani entrou para o lugar de André Martins e a bola pareceu acabar no fundo da baliza. Um grande remate do Argelino, depois de um cruzamento de Jefferson fez a defesa de Coimbra tremer e foi Fernando Alexandre quem tirou a bola de cima da linha de golo, evitando o golo dos leões. Jefferson saiu lesionado da jogada e teve de sair de maca do relvado. Uma entorse grave no tornozelo esquerdo pode fazer com que Leonardo Jardim seja obrigado a deixar o lateral de fora no jogo com o Benfica. Depois da lesão de Jefferson, o Sporting precisava de uma substituição que segurasse a defesa, e o lugar foi dado a Eric Dier.

Ao minuto 61 foi a vez de Marinho criar perigo para a baliza de Rui Patrício. Valeu a intervenção de Maurício, que evitou o primeiro golo na baliza verde e branca. Ao minuto 66 Adrien Silva estava de frente para a baliza e o remate saiu bem colocado, mas foi Ricardo que, mais uma vez, disse não aos leões.

Até ao fim da partida foram mais quatro as tentativas do Sporting, pelos pés de Eric Dier, Fredy Montero e Diego Capel, tudo grandes remates para grandes defesas do guarda-redes da Académica.

William Carvalho estava avisado à partida para a presente jornada, mas acabaria mesmo por ver o cartão amarelo. Corria o minuto 93 quando o jogador do Sporting travou Marinho, que saía em corrida para lançar o contra-ataque. O árbitro não cedeu a pressões e mostrou mesmo ao internacional português o cartão amarelo que o deixará de fora no jogo com o Benfica.

Tudo na mesma

Na próxima semana, a equipa de Leonardo Jardim vai até ao Estádio da Luz com os mesmos pontos de diferença com que ficara na última jornada. Dois pontos que poderiam nem existir, não fosse a incapacidade de finalização no jogo de ontem.   

Em conferência de imprensa, o treinador do Sporting acabou por dizer que faltou «finalização e concretização» ao Sporting. «Empatámos este jogo por não termos conseguido concretizar. Entrámos bem, mas perdemos intensidade pouco depois dos 20 minutos da primeira parte. Depois disso criámos poucas ocasiões de golo. Era importante marcar cedo, especialmente contra estas equipas, que jogam praticamente com 10 elementos na área. Era importante marcar para desbloquear. No entanto, trabalhámos no limite e os jogadores deram o seu melhor.»

No que a Montero e à falta de golos por parte do Colombiano diz respeito, o treinador  leonino diz que o Sporting não tem de viver para a marcação de golos através de um só jogador. «O Sporting, como tenho dito várias vezes, não vive à custa de um jogador. Tem outros. Quando marcamos ninguém pergunta pelo Montero... Todos nós somos responsáveis por não fazer golo. Não vale a pena individualizar.»

Sérgio Conceição mostrou-se feliz com o resultado alcançado em Alvalade: «Não entramos bem por mérito do Sporting, mas entretanto equilibrámos a equipa e até tivemos chance de marcar. A segunda parte foi muito melhor e à imagem daquilo que temos feito. A unidade e entreajuda foi importante e os jogadores são os grandes obreiros deste ponto importante para a nossa luta.»

Com este resultado o Sporting vai até ao Estádio da Luz em desvantagem e a Académica vai receber a equipa do Estoril em Coimbra, que tem mais cinco pontos do que os estudantes.

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