Champions: o Porto do Mou no topo da Europa
A equipa vencedora do troféu da Liga dos Campeões 2003/2004 (Foto: Uefa.com)

Depois da noite desta Quinta-feira, que ditou mais uma passagem emblemática do Futebol Clube do Porto na Liga Europa, nada melhor que recordar a extraordinária equipa do Porto de José Mourinho que levou os dragões ao topo do futebol mundial, depois do triunfo na Champions, na época de 2003/2004. Para os quartos-de-final da Liga Europa, os azuis e brancos irão defrontar o Sevilha, numa cidade de boas memórias, já que os dragões conquistaram aqui, frente ao Celtic de Glasgow, a final da Taça UEFA, no ano de 2003.

Quanto tudo aponta para mais uma temporada em cheio na Liga Europa fica, para todo o sempre, o ano em que se comemora uma década da épica vitória do FC Porto na Liga dos Campeões, o que representa, sem dúvida, um marco histórico para o futebol português. Para a eternidade futebolística ficam na memória os embates equilibrados frente ao Real Madrid, as rondas impróprias para cardíacos diante do Manchester United e, claro, a fantástica final frente ao Mónaco. Nesta campanha, o patrão da defesa, Ricardo Carvalho e o mágico centro-campista Deco, foram as figuras de destaque, neste Porto de Mourinho, que colocou Portugal nas bocas do mundo e todos os portugueses esperam que as vitórias europeias de 1987, 2003, 2004 e, mais recentemente, de 2011 inspirem os dragões a dignificar o nosso futebol a nível mundial.

Champions 2004: grupo galáctico que o Porto passou com distinção

Para começar o desafio da Liga milionária, o FC Porto ficou no grupo F composto por: Real Madrid, Marselha e Partizan. Não se tratava de um grupo acessível mas, com o estratega José Mourinho, a comandar as hostes azuis e brancas, o apuramento consumou-se, com os dragões a terminarem em 2º lugar neste grupo, com 11 pontos (3 vitórias, 2 empates e apenas uma derrota). Os portistas, que apontaram 9 golos, nesta primeira fase, tiveram alguns sustos defensivos, acabando por sofrer 8 tentos em 6 jogos. Nas partidas frente ao Marselha e ao Partizan, os azuis tiveram de suar bastante para alcançar os 3 pontos nesses respectivos encontros mas, o grande destaque vai, sem dúvida, para a batalha na qualificação “taco a taco” com os galácticos do Real Madrid onde brilhavam estrelas que dispensavam qualquer tipo de apresentação. Exemplos como Roberto Carlos, Zidane, Figo ou Ronaldo, que deslumbraram o novinho estádio do Dragão, com um futebol de craques, do melhor a que os apaixonados pelo desporto-rei tiveram oportunidade de assistir.

Os heróis portistas que entraram em campo, frente aos madrilenos foram: Vítor Baía, Nuno Valente, Pedro Emanuel, Ricardo Carvalho, Paulo Ferreira, Costinha, Pedro Mendes, Maniche, Deco, Ricardo Fernandes e Derlei. Este onze portista foi a base de José Mourinho em toda a competição e a solidez deste conjunto começava logo na baliza, onde Vítor Baía demonstrava uma agilidade que lhe permitia defender bolas que aparentemente pareciam indefensáveis. No centro da defesa, Ricardo Carvalho detinha uma capacidade posicional irrepreensível e, com uma rapidez sensacional para um central, tornava mais complicada a tarefa dos atacantes adversários.No miolo, relevo para o meio-campo titular da selecção nacional, Costinha, Maniche e Deco que, de trás para a frente, conferiam aos dragões, uma dinâmica defensiva e ofensiva, do melhor que a Europa do futebol já viu. Se no meio campo residia o segredo dos invictos, o ataque tinha como principal figura, Derlei, que imprimia uma velocidade estonteante, aliada a um faro letal para o golo.

Figo e Zidane defrontaram FC Porto na fase de grupos (Foto: Getty Images)

Do lado do Real, o que dizer de Roberto Carlos, Helguera e, principalmente, dos 3 Bolas de Ouro, Zidane, Figo e o fenómeno Ronaldo? Era espetáculo garantido… No primeiro jogo, no novo tapete azul e branco, foram os comandados de José Mourinho a inaugurar o marcador por Costinha que, ainda assim, não evitou o descalabro da 2ª parte, que foi controlada pelos galácticos, onde Figo esteve em evidência ao participar nos 3 golos da remontada espanhola. O guardião Vítor Baía viu o esférico balançar as suas redes por 3 vezes, com Helguera, Solari e Zidane a serem os protagonistas de um filme de terror, que ainda assim não impediu o final feliz que foi a qualificação do Porto para os oitavos-de-final.

Com o orgulho ferido, o Porto deslocou-se a terras de nuestros hermanos e, com uma exibição única de Deco, foi Derlei a bater Casillas, restabelecendo assim o empate, no Barnabéu, depois do golo de Solari, aos 9 minutos da 1ª parte. Os dragões estiveram perto de vencer, no entanto, o empate não deixou de ser um marco importante, num dos estádios mais difíceis do mundo, para se jogar futebol.

Depois dos astros do Barnabéu, o sonho prossegue em Old Trafford

Com o apuramento em 2º lugar no grupo F, a sorte ditou que o favoritíssimo Manchester United, iria defrontar o Porto, nos oitavos-de-final da Liga milionária e, mais uma vez, estava garantida uma constelação de estrelas a passar pelo Dragão. Nos ingleses actuavam ícones como: o eterno Giggs, o “pulmão” centro-campista Scholes e os goleadores Van Nistelrooy e Saha. A título de curiosidade, atentemos com grande surpresa para o banco de suplentes dos Red Devils, onde estava um tal de Cristiano Ronaldo, um “desconhecido” que, aos 19 anos dava os primeiros passos, sob a alçada de sir Alex Ferguson. A 1ª mão jogou-se na cidade Invicta, com o ponta-de-lança McCarthy, a ser a principal dor de cabeça do guardião Tim Howard, ao apontar dois tiros certeiros, que deixaram Alex Ferguson incrédulo e sem reacção, com a reviravolta portista, após o 1º tento de Fortune, que tinha colocado o Manchester United em vantagem.

Para a 2ª mão, o Porto alimentava a ambição de avançar na Champions e, no teatro dos sonhos, entrou em palco para representar uma peça feliz, que deixou de ser ficção, graças ao cabeceamento de Costinha, que tornou real o sonho de chegar à final de Gelsenkirchen. Em Old Trafford, foram os Red Devils a inaugurar o marcador, pela lenda do clube, Paul Scholes que, no entanto, não esperava que aos 83 minutos, o internacional português Costinha, silenciasse um estádio que habitualmente respira um ambiente arrepiante e infernal.

Depois do inferno de Old Trafford, Lyon e Coruña levaram o Dragão ao céu da final

Com José Mourinho cada vez mais confiante e com a equipa a ganhar experiência, com o avançar da prova, o Lyon atravessou-se no caminho azul-e-branco, para os quartos-de-final da Champions. Com uma massa associativa ao delírio, o Porto recebeu o Lyon na primeira ronda e, quem mais do que os ícones, Ricardo de Carvalho e Deco, para colorir uma eliminatória, que ficou a preto-e-branco para os franceses. Com vantagem de 2-0, os invictos partiram confiantes para Lyon, com o guerreiro Maniche a apontar dois tentos que apenas foram anulados por Péguy Luyindula e Élber, que assim fecharam a eliminatória, a favor dos campeões nacionais, com o 4-2 no global.

O FC Porto deu de caras com o Deportivo! (Foto: BBC Sport)

A um passo da final, os pupilos de Mourinho voltaram a encontrar uma equipa espanhola, desta feita, o surpreendente Deportivo da Coruña. Esta formação tinha na defesa o ex-portista Jorge Andrade e destaque ainda para a grande figura Diego Tristán, que foi um dos pontas-de-lança mais importantes na história deste clube. A 1ª parte da eliminatória jogou-se no Porto e o nulo insistiu em prolongar-se, durante todos os 90 minutos. A precisar de marcar em Espanha, os azuis-e-brancos galvanizaram-se e, com a cabeça na final, aliaram uma força mental a uma qualidade de jogo, de tal modo consistente que, a grande penalidade histórica, convertida por Derlei, encarregou de carimbar o passaporte para a merecida e tão ambicionada final da Liga dos Campeões!

Gelsenkirchen, a cidade que simboliza uma Champions

De malas aviadas para a Alemanha, o Futebol Clube do Porto, a viver um dos momentos mais emblemáticos da sua história, iria defrontar num embate inédito, a formação do Mónaco. Para chegar a esta final, os monegascos eliminaram, surpreendentemente o Real Madrid e, nesta partida frente ao Porto, a Europa do futebol viria a assistir a uma final completamente controlada por Deco e companhia. Do lado dos franceses, o grande destaque vai para Evra e para o mortífero ponta-de-lança Fernando Morientes. Na equipa base do Porto, Jorge Costa, Carlos Alberto e Alenichev foram as principais novidades para esta final repleta de emoções.

A primeira vitória de Mourinho na Champions foi com o FC Porto. (foto:Abola)

Depois de tantas batalhas travadas pelos dragões até chegarem a este confronto, a tranquilidade e, sobretudo, o querer na vitória foram fundamentais para os portistas escreverem na história os 3 golos que levaram o futebol português ao topo do mundo. Neste jogo, os marcadores de serviço foram Carlos Alberto, Deco e Alenichev, com relevo para o golo do luso-brasileiro que, com a bola nos pés, deliciou toda a Europa com uma técnica invulgar e uma extraordinária capacidade de remate, que espelhou toda a campanha do Porto nesta Champions: uma equipa segura, criativa e ambiciosa. Nesta final, os franceses não tiveram qualquer hipótese de disputar o troféu, ficando a consolação, para o avançado Morientes, de se ter sagrado o melhor marcador da prova milionária, com 9 golos. Os azuis-e-brancos receberam os restantes galardões: melhor guarda-redes- Vítor Baía, melhor defesa- Ricardo Carvalho e, sem dúvida, melhor jogador- o mágico Deco. Depois de relembrar a glória de há 10 anos, resta ao Porto acreditar em novo triunfo europeu e, assim, glorificar, uma vez mais, o futebol português e, quem sabe, numa final totalmente lusa, em Itália, frente ao Benfica.

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