De Fonseca para Castro: o que mudou no Dragão

As diferenças do Futebol Clube do Porto de Paulo Fonseca para o de Luís Castro medem-se logo pelo facto de os dragões terem voltado a jogar como uma equipa “grande” e com a ambição a que os adeptos se habituaram na era Pinto da Costa. Com Luís Castro, o meio-campo joga com maior ímpeto ofensivo, com as posições definidas e bem organizadas, o que tem devolvido aos azuis-e-brancos algum do prestígio que, com Paulo Fonseca, parecia ter desaparecido. Apesar de estar há poucos jogos à frente dos campeões nacionais, Luís Castro devolveu alguma mística ao clube, com destaque para a extraordinária eliminatória frente ao Nápoles, que trouxe reconhecimento europeu e confiança anímica a uma equipa que, até à saída de Paulo Fonseca, parecia debilitada. Antes do clássico, a atitude e o desenho táctico portista deverão ser ambiciosos, o que nivela este grande jogo, sempre de resultado imprevisível.

Fonseca, o cauteloso que tornou o Porto pouco “grande”

No comando dos dragões durante 21 jornadas, Paulo Fonseca conseguiu 13 vitórias, 4 empates e 4 derrotas na Liga Zon Sagres, o que, para uma equipa grande, e habituada a gloriosos triunfos, se tornou insustentável, uma vez que os azuis-e-brancos de Fonseca perderam mais pontos em 21 jornadas do que nas duas épocas de Vítor Pereira. Para agravar esta situação, a eliminação da fase de grupos da Liga dos Campeões, sem qualquer vitória no seu reduto, acentuou a desconfiança dos responsáveis do clube e dos adeptos. Com o 3º lugar no grupo apuraram-se para a Liga Europa e, ainda com Paulo Fonseca, a formação portista demonstrou, inexplicavelmente, muitas dificuldades para eliminar o Eintracht de Franfurt, que luta para não descer na Liga Alemã. O empate frente ao Guimarães, para o campeonato, foi o transbordar de uma situação que, já há muito tempo, fazia prever a saída do treinador.

(Foto: MaisFutebol)

Antes do clássico frente ao Benfica é importante relembrar a derrota no estádio da Luz que os dragões sofreram, ainda com Paulo Fonseca, e que fez transparecer totalmente a ineficácia do sistema táctico que o treinador implementava. Com as linhas demasiado baixas, o Porto jogava na expectativa, e, neste jogo frente aos encarnados, que os azuis acabaram por perder por 2-0, foi evidente que o meio-campo dos dragões jogou de forma demasiado defensiva, com um duplo pivot que em tudo descredibilizou o sistema ambicioso que vinha sendo implementado há muitos anos nas hostes portistas. Com as alterações tácticas surgiram também as fragilidades psicológicas de uma equipa que já não perdia na Luz há 5 anos e que, neste encontro, poderia até ter sido goleada pelos rivais.

Luís Castro e o regresso ao habitual 4x3x3

O treinador Luís Castro, que substituíu recentemente Paulo Fonseca, orientou a equipa por cinco ocasiões e, apesar de estar há poucas partidas à frente da formação azul-e-branca, é possível notar que esta passou a jogar novamente em 4x3x3, em detrimento do defensivo 4x2x3x1 de Paulo Fonseca. Para além da alteração táctica, o técnico passou a apostar em jogadores como Defour, Reyes, Quintero e Kelvin, o que evidencia confiança em todo o plantel que tem à disposição. Para além dos habituais titulares, o técnico tem acreditado nas valências das jovens promessas portistas, e devolveu saúde mental ao plantel, o que faz com que, neste momento, os dragões entrem com maior alegria dentro das quatro linhas.

Dos cinco jogos que já disputou, o técnico soma duas vitórias para o campeonato e uma derrota e, ainda, um triunfo e um empate para a Liga Europa. Comum a todos estes jogos, atentemos que a estratégia do treinador tem assentado em compor o meio-campo com o número 6 Fernando, o médio construtor de jogo, Defour, a número 8 (atleta que não jogava com Paulo Fonseca), e Carlos Eduardo como número 10, a apoiar os atacantes. Com esta composição táctica, o Porto ganhou um forte poder de pressionar o adversário, com as linhas subidas e descredibilizou, por exemplo, uma equipa bem construída como o Nápoles.Na derrota frente ao Sporting, Luís Castro apresentou para o seu primeiro clássico, a mesma postura ambiciosa, com uma pressão alta declarada no meio-campo, com o tridente atacante composto por Quaresma, Varela e Jackson, bem entrosados a pressionar, também eles, os defesas do Sporting. Neste jogo, o Porto dominou na primeira parte e a estratégia do treinador falhou apenas na falta de eficácia em concretizar as oportunidades de golo.

Mais recentemente, e perante tantas ausências no jogo frente ao Belenenses, destaque para a aposta em jogadores menos utilizados, que vieram substituir Danilo, Fernando e Quaresma, que têm tido um papel preponderante, nesta difícil época dos dragões. Nesta partida que os azuis venceram pela margem mínima, relevo para a utilização de Josué, Kelvin e Quintero (marcou o golo da vitória), o que demonstra que, apesar da fraca exibição frente ao clube da cruz de Cristo, a equipa teve vontade e atitude para somar os 3 pontos e, assim, sonhar ainda com a obtenção do 2º lugar.

De forma resumida e como antevisão deste clássico, é importante realçar que, tão importante como mudar o sistema táctico, é sem dúvida também importante galvanizar a equipa psicologicamente, algo que Luís Castro tem implementado e, como tal, esta eliminatória frente ao Benfica para a Taça de Portugal assume-se como mais um desafio para o treinador que, em tão poucas partidas à frente do clube, parece ter encontrado a postura certa para jogar “à Porto”.

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