Caminho para o Mundial 2014: «Elefantes» são a potência africana
Caminho para o Mundial 2014: «Elefantes» são a potência africana

A Costa do Marfim tem conhecido uma ascensão gradual no panorama do futebol internacional, fruto de uma disseminação dos seus jogadores pelos melhores campeonatos da Europa. Espalhados por ligas poderosas, como a inglesa, alemã ou francesa, os «elefantes» gozam de uma reputação que lhes permite chamarem até si o epiteto de melhor selecção africana - pelo menos no que à teoria diz respeito. O seleccionador Sabri Lamouchi conta com vedetas como o goleador Didier Drogba, o médio incansável Yaya Touré, o veloz Gervinho ou o driblador Salomon Kalou, todos eles habituados aos palcos da pressão e aos holofotes da ribalta.

Feita de experiência e maturidade, a Costa do Marfim mistura a ternura dos 30 anos com a juventude irreverente dos 20, num equilíbrio que demonstra a vitalidade da renovação: jogadores promissores como Serge Aurier (21 anos), Jean Daniel Akpa-Akpro (21 anos), Ismael Diomandé (21 anos) ou Mathis Bolly (23 anos), são as mais recentes apostas da selecção no sentido de rejuvenescer um plantel que conta com sete elementos com 30 ou mais anos de idade. Drogba, capitão do conjunto marfinense, é o mais velho das fileiras, com 36 anos: jogará, certamente, a sua última competição ao serviço do país - com 101 internacionalizações, o avançado do Galatasaray só é ultrapassado por Didier Zokora, que contabiliza 120.

Vencedores de uma Taça das Nações Africanas em 1992 e medalha de prata da mesma prova em 2006 e 2012, a Costa do Marfim não falhou a presença nos últimos três Mundiais de Futebol, afirmando-se ao longo dos últimos dez anos como uma potência africana pronta a explodir - em 2006 a sorte foi madrasta, sorteando os «elefantes» juntamente com a Argentina e a Holanda, no Grupo C 'da morte'. Em 2010, o azar manteve-se, com Brasil e Portugal a deixarem a Costa do Marfim pelo caminho na fase de grupos. Nesta edição do Mundial, a selecção africana teve, finalmente, um alívio da sorte: o grupo onde estará inserida não contém nenhum tubarão (Japão, Grécia e Colômbia).

Estilo de jogo arrojado e fé no trio ofensivo

Derivando entre o 4-3-3 e aproximações ao clássico 4-4-2 (com variantes de 4-2-3-1), o sistema de jogo costa-marfinense está ainda em aperfeiçoamento, mas uma coisa parece ser certa: a inclusão do trio ofensivo composto por Gervinho e Salomon Kalou nas alas, com Didier Drogba na área contrária, pronto a fazer estragos. Além desses três talentos atacantes (experientes a nível internacional), Lamouchi deverá sustentar-se tacticamente através do recurso a Zokora ou Tioté, caso utilize o 4-3-3, com Max Gradel e Yaya Touré à frente dos destinos do meio-campo. Em caso de adoptar uma postura mais conservador e defensiva, o seleccionador poderá juntar os dois médios defensivos, Zokora e Tioté, barrando a área e interditando com maior eficácia a baliza defendida por Boubacar Barry. Nesse caso, a Costa do Marfim transforma-se numa formação em 4-2-3-1, com Touré gozando de maior amplitude de movimentos.

Sendo uma variante credível, o 4-2-3-1 poderá realmente ser a opção escolhida para lidar com os perigos oponentes. Com um tampão defensivo duplo, o organizador de jogo Yaya Touré poderá abeirar-se para o ataque, fazendo parte da linha de três médios ofensivos que invadem o último terço adversário. Dada a potência física do jogador do Manchester City e a sua facilidade em galgar metros e manipular espaços, este 4-2-3-1 pode rapidamente moldar-se num 4-3-3. Nas laterais, Serge Aurier e Boka deverão ser os titulares, dando profundidade ao jogo marfinense. No eixo da defesa deverão estar Kolo Touré e Sol Bamba, podendo Lamouchi recuar Zokora para o lugar deste último, já que o trinco experiente também não é estranho às funções de defesa central. Amantes das transições rápidas, os costa-marfinenses jogam com o coração na cabeça, pensando o jogo com o ímpeto voluntarioso que lhes é característico. Fortes no ataque, apresentam um 11 sólido e combativo que não será fácil de quebrar.

A habitual pecha da barreiras neolatina e europeia

Se analisarmos toda a formação da Costa do Marfim, podemos constatar que o onze que regularmente apresenta não carece de vedetas habituadas a figurar nas grandes competições e nas ligas mais poderosas do mundo. Apesar desse facto inegável, os «elefantes» não fogem à habitual pecha da barreiras neolatina e europeia: em oposição directa, as selecções europeias e sul-americana (especialmente o Brasil e a Argentina) são potencias dificilmente ultrapassáveis por países africanos. As razões poderão prender-se com a maior experiência futebolística dos países europeus (munidos de ligas fortes e competitivas) e sul-americanos, uma mais eficaz organização desportiva (mais calejada) em termos estruturais (por exemplo, a nível federativo e associativo) e um poder económico naturalmente diminuto, característico da maioria dos países do continente africano. Ainda assim, o progresso futebolístico destas nações tem sido visível: mais presenças em Mundiais, melhores prestações (veja-se o caso do Gana em 2010) e mais promessas prontas a despontar.

Embora mais fortes que nunca, as selecções africanas são ainda inexperientes quando comparadas com o poderio histórico de Itália, Alemanha, Holanda, Brasil, França ou Argentina. Se olharmos para o contexto actual, temos a Espanha como nação forte do futebol moderno - mais um colosso a adicionar-se ao lote dos gigantes mundiais do Futebol. Esta selecção da Costa do Marfim tem talento, garra, velocidade, força e individualidades com a tarimba necessária para passar a fase de grupos. Juntamente com o Gana, poderá ser a revelação da Copa, mas, ainda assim, não deverá ser ameaça para os competidores mais dominadores. A defesa costa-marfinense é o sector mais débil, pecha que pode ser marcarada com abordagens cautelosas ao jogo.

Jogadores a ter em conta

O líder: Didier Drogba

Não é surpresa: o líder do balneário marfinense é o avançado Didier Droga, antiga glória do Chelsa e hoje jogador do Galatasaray. Experiente, habituado aos triunfos e às pressões dos grandes palcos, Drogba conduz a equipa dentro e fora de campo. Carismático e perserverante, o avançado de 36 anos é o capitão das tropas e faz valer a sua longa carreira (passou pelo campeonato francês, inglês chinês e turco) repleta de méritos para fortalecer a sua posição de líder. Com 103 internacionalizações, o «Rei de Londres», irá realizar o seu terceiro Mundial e os «elefantes» esperarão que os seus golos façam a diferença na Copa.

O ás: Yaya Touré

É dos seus pés que poderão vir a surgir as oportunidades de golo da Costa do Marfim. Potente, forte e indomável, o médio industrioso é o bastião táctico e técnico da formação africana. Antes de se ter fé em Drogba, será necessário aos costa-marfinenses terem todas as esperanças depositadas em Yaya Touré, já que é nele que se centram as tarefas de transição e distribuição de jogo, além das funções defensivas que tão bem sabe efectuar. Autêntico portento físico e dono de uma técnica sublime, o médio «todo-o-terreno», Touré pode desequilibrar com uma jogada apenas, tal é proficiência técnica de que dispõe. Antigo médio do avassalador Barcelona e hoje mestre do meio-campo dos «citizens», Yaya será o «ás dos elefantes» neste Copa.

A não perder: Serge Aurier

O nome de Wilfred Bony poderia figurar nesta categoria, mas, atendendo à certa titularidade do lateral Serge Aurier, bem como à sua tenra idade de 21 anos, resolvemos escolher o jogador do Toulouse. Lateral direito irreverente, Aurier é a grande promessa da Costa do Marfim: jovem, fisicamente imponente, rápido, resistente e inteligente. Percorre com facilidade o corredor direito, gosta de se incorporar nas manobras ofensivas e sabe como servir os companheiros, através de cruzamentos e combinações à flor da relva. Com apenas 8 internacionalizações mas muito potencial, Aurier é cobiçado pela liga inglesa, Liverpool e Arsenal sendo os mais acérrimos interessados.

VAVEL Logo