Portugal à beira de novo KO, golo de Varela impede ida ao tapete
Jones esteve em destaque com golo portentoso (Foto: Reuters/Dylan Martínez)

Nova desilusão lusitana em terras brasileiras, novo percalço no caminho para os oitavos-de-final, Portugal não foi capaz de ultrapassar a barreira dos EUA e esteve a segundos de ser mesmo eliminado da prova. Depois de começar a partida com pujança, Portugal perdeu o domínio da partida e o golo de Nani, logo aos cinco minutos, desvaneceu-se, para dar lugar às constantes ameaças norte-americanas. A primeira parte transformou-se numa mediocridade exibicional agitada apenas pelos remates de Nani, único jogador luso em destaque nos primeiros 45 minutos. No calor de Manaus, a selecção das quinas afundou-se na segunda parte e só Varela ligou a máquina do suporte de vida, já para lá do minuto 90.

Selecção de pacientes de enfermaria

Contam-se cerca de dez lesões musculares ocorridas no lote dos 23 jogadores lusos, as mazelas acumulam-se e poucos são os elementos totalmente aptos para competir ao mais alto nível. Em seis substituições efectuadas por Paulo Bento nos dois jogos do Mundial 2014, cinco delas foram feitas na sequência de lesões que impediram os jogadores portugueses de continuarem em campo. Isto porque esta noite, quando passavam 15 minutos da hora marcada para o apito inicial (23 horas) Postiga pedia para sair, agastado com dores. Mas as contrariedades físicas não ficaram por aí.

Seria André Almeida o senhor que se seguiria: a meio do primeiro tempo, o jogador do Benfica queixou-se e teve de abandonar o jogo durante o intervalo. Ambos os jogadores aumentam o leque de lesões, que parece abanar a selecção como o vento abana as árvores, deixando os frutos pelo caminho - Coentrão lesionou-se diante da Alemanha e abandonou a prova, Hugo Almeida e Rui Patrício ficarão de fora durante 10 dias, Ronaldo não se apresenta na sua melhor forma física e Bruno Alves esteve a contas com uma mialgia que certamente ainda não estará totalmente debelada. Uma autêntica selecção de enfermaria, onde a idade média terá o seu peso explicativo - somos a quarta selecção mais velha da competição.

Nani deu cedo o mote mas foi sol de pouca dura

Almeida cruzou na direita e o alívio atabalhoado da defesa estadunidense coloca a bola precisamente no pé do desmarcado Nani - bastou fuzilar Tim Howard, golo português aos cinco minutos. Quem augurava uma goleada que corrigisse a sofrida diante dos germânicos, estava rotundamente enganado pois a reacção da formação dos «The Yanks» foi esforçada e insistente. Com Bradley a lançar passes longos ou a executar passes curtos de qualidade, Portugal era de ambas as formas rasgado pela ligação táctica dos EUA. O meio-campo resistente, com Jermaine Jones, Bradley e Beckerman, ganhava no endurance e na agressividade ao miolo mole de Portugal.

Dempsey desde cedo resolveu colocar Beto à prova, beneficiando da boa consistência ofensiva da selecção treinada por Klinsmann. Sem avançados, os EUA impuseram a lei de Dempsey, que procurou constantemente espaços entre as linhas portuguesas, tentando furar por entre o quarteto defensivo com corridas que Bruno Alves não era capaz de suster ou acompanhar. No meio campo denotava-se a falta de frescura de Meireles, cada vez mais apagado no relvado do Arena Amazónia. Com Moutinho e Veloso passivos, Portugal apenas criava perigo através dos esticões de Ronaldo e Nani, que não beneficiaram da profundidade que um 4-3-3 exige aos laterais. Pelo contrário, os EUA viam Fabian Johnson dar fulgor ao flanco direito, com arrancadas imparáveis. 

Antes do intervalo, Portugal voltou a dar um ar da sua graça, de novo pelos pés de Nani. Um remate potente do extremo do Manchester United foi embater no poste, regressando para uma recarga de Éder, que, bem posicionado, rematou para a defesa da noite, uma estirada de último recurso que sacudiu a bola para canto: Tim Howard esteve em grande plano mesmo à beira do interregno.

Estoiro de Jones estoirou com Portugal

Os EUA voltaram a avisar, agora por Bradley, que penetrou pela área portuguesa e rematou de primeira depois de um passe vindo do flanco direito. Valeu Ricardo Costa, que cortou a bola mesmo em cima da linha de golo. Mas tal golo parecia ser inevitável dado o ascendente norte-americano. Aos 64 minutos o empate finalmente se consumou: tiro potente de Jones que mais parecia um canhão a disparar uma bola plena de fogo e destruição. Beto, pregado ao relvado, assistiu ao 1-1 e ao degradar das esperanças no apuramento. A confiança portuguesa fora abalada gravemente.

Flanco esquerdo de Portugal foi «highway» norte-americana

De todos os calcanhares de Aquiles que Portugal e Paulo Bento apresentaram, a faixa esquerda da defesa foi o maior de todos eles. Com Veloso lento, mole e apático e sem ajudas do companheiro de imediação, Meireles, o corredor ficou evidentemente exposto a todos os ataques adversários. Tanto Johnson como Bedoya (e depois Yedlin) perfuravam o lado canhoto do Portugal como se faca em manteiga se tratasse. O golo do 2-1, aos 81 minutos nasce, logicamente, de uma incursão pelo lado coxo das quinas. Bradley recebe o esférico proveniente do flanco maldito, passa para Zusi que por sua vez assiste Dempsey, à boca da baliza plantado. O capitão América afagou a bola com a barriga e fez o 2-1.

Bruno Alves, deitado no chão na sequência do cruzamento, colocou Dempsey em jogo, permitindo que o «falso 9» (função que desempenhou esta noite) marcasse sem qualquer marcação. Passividade lusitana contra a garra norte-americana. Sobre Portugal voltava a pairar o fantasma da derrota e a definitiva eliminação da Copa do Mundo 2014. Apesar da boa exibição de William Carvalho, que rendeu Almeida, o jovem médio defensivo não está isento de culpas no lance do segundo golo.

Golo de Varela foi milagre que enganou a eliminação

Minuto 95 e Portugal eliminado: Varela, lançado pelo passe perfeito de Ronaldo, enganou a eliminação e de cabeça empatou a partida num voo que não deu chances a Howard. Um grande golo que adiou a derrota final de Portugal, apesar de não haver grandes razões para festejos - com apenas um mísero ponto, a turma de Bento terá mínimas senão irrisórias probabilidades de seguir em frente. Para que tal aconteça, Portugal terá obrigatoriamente de bater o Gana (tarefa complicada...) e esperar que a Alemanha vença os EUA...no entanto, para que a profecia matemática se complete a diferença de quatro golos negativos que Portugal carrega terá de ser eliminada na conjugação dos resultados desses dois jogos...uma probabilidade quase irrealista.

Bento e os maus lençóis portugueses

«É um resultado que não é bom, isso é óbvio. Não nos coloca fora do Mundial mas deixa-nos numa situação muito complicada. Começámos bem, com a obtenção do golo, mas tivemos grandes dificuldades em conter o flanco direito dos Estados Unidos», analisou depois do apito final. «Agora há que jogar o último jogo e esgotar todas as possibilidades que temos, que são poucas neste momento», reconheceu o seleccionador português.

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