James morde os calcanhares uruguaios rumo aos quartos-de-final
James ajuda Colômbia a chegar aos quartos-de-final. (independent.co.uk)

James morde os calcanhares uruguaios rumo aos quartos-de-final

Num clássico sul-americano, Colômbia e Uruguai defrontaram-se este Sábado e, num jogo verdadeiramente apaixonante, destaque para o mago James (2-0) que foi decisivo para a passagem da sua formação aos Quartos-de Final, onde irão encontrar o anfitrião, Brasil, num jogo que se espera épico.

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Francisco Dias

A sonhar com a final do Mundial, a Colômbia bateu a decepcionante formação uruguaia por 2-0, atingindo, pela primeira vez na história, os Quartos-de-Final de um Mundial. O homem da partida foi o ex-portista, James, que bisou no encontro e, surpreendentemente, é agora o melhor marcador da prova, com 5 festejos alcançados. A equipa do Uruguai sentiu muito a ausência de Suárez e, nem mesmo Cavani, conseguiu disfarçar o fraco espírito de equipa, que a formação celeste demonstrou, ao longo deste Mundial. Em perspectiva para os Quartos-de-Final deste Mundial teremos, no próximo dia 4 de Julho, um imprevisível Brasil x Colômbia, que irá opor Neymar a James.

Clássico sul-americano: Colômbia brinda o Mundo com um futebol perfumado

A equipa da Colômbia que tem praticado o melhor futebol da Copa do Brasil destronou, nos Oitavos-deFinal, o 4º classificado do último Mundial de 2010, o Uruguai, por 2-0. A fazer história, com a primeira presença nos Quartos-de-Final e, com uma geração repleta de artistas, fica o aviso para o Brasil, que irá encontrar muitas dificuldades, para ultrapassar a garra, a perseverança e a classe colombianas.

Perante um estádio do Maracanã , repleto de aficionados sul-americanos, destaque para os primeiros 45 minutos que foram globalmente dominados pela Colômbia. Os primeiros 10 minutos da partida demonstraram que a formação colombiana tem estado à altura do que tem apresentado neste Mundial e, com um meio campo organizado, pressionaram de uma forma asfixiante os jogadores uruguaios. À passagem do minuto 5, James Rodriguez beneficiou de um livre que colocou em sentido, o guardião Muslera que, ainda assim, resolveu de forma tranquila.

Territorialmente, a Colômbia nunca deixou o Uruguai chegar perto da sua área e, perante atacantes tecnicamente demolidores na frente como James, Cuadrado e Jackson, avizinhava-se o primeiro golo. Aos 27 minutos surge o momento mágico da primeira parte, com o ex-portista, James Rodriguez, a elaborar um momento artístico que provavelmente será considerado o melhor golo deste Mundial. O artilheiro colombiano recebeu um passe e dominou o esférico com o peito, até chegar ao seu mortífero pé esquerdo que, mais uma vez, fez estragos neste Mundial, com um tiro portentoso, de fora da área, que ainda embateu com violência na barra uruguaia mas que só parou no fundo das redes de Muslera.

O actual jogador do Mónaco juntava-se assim a Neymar, Müller e Messi, todos com 4 golos, no topo dos melhores marcadores. O Uruguai reagiu timidamente ao golo e, foi através de uma bola parada que, aos 32 minutos tiveram a primeira oportunidade, digna de registo, por intermédio do especialista Cavani, que não passou longe do alvo. A Colômbia baixou um pouco as linhas e diminuiu a intensidade de jogo e o Uruguai aproveitou para causar algum perigo nos derradeiros minutos da primeira parte, com relevo para Alvaro González que rematou com intenção, obrigando Ospina a uma defesa de recurso. O intervalo chegou com a vantagem justa da Colômbia que apenas pecava por escassa.

Para o segundo tempo, o técnico uruguaio tentou alterar o sistema táctico que na primeira parte foi demasiado defensivo. A pressão aumentou e Cavani cheirou o golo nos minutos iniciais. No entanto, a organizada formação colombiana não deixou de procurar o ataque e, ao minuto 49, registo para um lance fantástico, digno de uma verdadeira equipa de futebol, que terminou com Cuadrado, a assistir, de forma primorosa, o talismã, James, que fez, assim, o gosto ao pé pela 5ª vez, em 4 partidas. A ambição dos uruguaios de chegar ao empate desvaneceu-se um pouco e, depois do golo sofrido, os celestes dominaram a última meia-hora, com demasiado coração e pouca cabeça.

Neste último período do jogo, Ospina demonstrou ser um dos melhores guarda-redes de todo o Mundial, com variadíssimas defesas de génio, que pararam remates de Cavani, Maxi mas, sobretudo, do melhor jogador uruguaio de todo o encontro, o ex-portista, Cristian Rodriguez. O extremo do Atlético de Madrid tentou remar contra a maré mas fica a sensação que o Uruguai jogou sem chama e acusou em demasia, a ausência do controverso, Luis Suárez.

Se é verdade que a Colômbia fez história é inegável que, em sentido inverso, a história foi madrasta para os uruguaios que, 50 anos depois de disputarem a final no Maracanã, frente ao Brasil, viram este mesmo estádio, terminar com uma geração composta por Maxi, Godín e Forlan que dificilmente disputarão o próximo Mundial.

Uruguai pecou na abordagem ao ataque colombiano

O técnico uruguaio compôs a equipa para estes Oitavos-de-Final, com um sistema demasiado defensivo, composto por 3 centrais, com os laterais, Maxi e Alvaro Pereira, que serviram de extremos, em várias fases de jogo. Este sistema táctico tem sido benéfico para as equipas sul-americanas mas, especificamente neste jogo, acabou por não corresponder ao poderio que a Colômbia imprimiu. Aproveitando o sistema cauteloso e a falta de dinâmica da equipa uruguaia, a Colômbia pressionou alto na primeira fase de construção e, com James e Cuadrado endiabrados na frente, a veterana selecção celeste não conseguiu construir jogo a meio-campo, apresentando um miolo e um ataque demasiado desconectado que impedia Cristian Rodriguez, Cavani e Forlan de criarem lances de perigo.

Só depois da desvantagem é que o Uruguai mudou tacticamente e mesmo com algumas oportunidades de bater Ospina, foi clara a falta de um conjunto dinâmico e organizado que parece ter desaprendido, do Mundial de 2010 para o de 2014. Se é verdade que Suárez foi uma baixa importante, não podemos esquecer que, do lado colombiano, Falcão também foi ausência, sendo nestas alturas que mais sobressaem, o rigor, a organização e a habilidade que, neste caso, estiveram claramente do lado colombiano que é já considerado, um dos potenciais vencedores da Copa do Brasil.

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