1-0, MIN 8 HIGUAÍN
Argentina de serviços mínimos garante presença nas meias-finais
Reuters: David Gray

Argentina de serviços mínimos garante presença nas meias-finais

Esta tarde, Argentina e Bélgica disputaram o acesso às meias-finais num encontro que muito deixou a desejar. Um inspirado Higuaín inaugurou o marcador aos 8 minutos, ficando aí o jogo decidido.

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Beatriz Gonçalves

Foi no Estádio Mané Garrincha que se dispotou nova partida respeitante aos quartos-de-final, que consumou a passagem da selecção conduzida por Sabella às meias-finais da Copa do Mundo 2014. Numa partida em que a Argentina se encontrou em serviços mínimos frente a uma Bélgica pobre e decepcionante, fica provado que, com uma frente de ataque tão mortífera, tudo o que a selecção de Lionel Messi necessita é de um jogador que sobressaia, resolvendo o jogo - perante qualidade tão evidente, um criativo faz a diferença, mesmo que os outros estejam em baixo, o que tem sido verificado ao longo de toda a competição.

Perante este quadro, relevo para De Bruyne, do lado belga, com um destaque ofensivo que ao longo dos 90 minutos tentou mexer com a partida, com dribles e lances de muita rapidez que em várias ocasiões forçaram a Argentina a baixar as linhas. Do lado da selecção da américa do sul, o destaque é atribuído a Higuaín, a quem não faltaram características fundamentais como a rapidez de processos, boa capacidade de desmarcação e uma técnica que em muito abalou a defesa liderada por Kompany. 

Higuaín acordou para o Mundial

O pontapé de saída ficou encarregue da Bélgica, que imediatamente procurou ter mais bola perante uma Argentina que começou a sair em contra-ataque. Contudo, perante este início de jogo frenético, os argentinos rapidamente assumiram o controlo do encontro, demonstrando um meio campo forte na pressão.

De facto, pouco demorou até chegar o golo que decidiu a partida - Di María assistiu o mortífero Higuaín, após ressalto de bola favorável ao ponta de lança, que invadiu as redes de Courtois no único golo registado, marcava o relógio os 8 minutos. Foi o primeiro tento do avançado naquela que foi uma primeira parte dominada pelos albicelestes, perante uma Bélgica demasiado permissiva, criando muitos espaços à Argentina, sem pressionar.

Ainda que pouco tenha sido feito pela selecção Europeia para contrariar o poderio de Lavezzi, Messi e Higuaín, existiram alguns lances de destaque para os belgas - aos 17 minutos, Vertonghen efectuava um excelente cruzamento que Garay cortou de cabeça, com perícia e segurança, evidenciando a boa posição da defesa argentina. Registou-se mais Bélgica depois do golo, contudo, esta não foi preponderante e muito mais fez, especialmente quando confrontada com uma Argentina que não dava espaços para situações de perigo significativas à baliza de Romero. 

Na primeira parte, destaque ainda para a lesão de Di María - o extremo saía lesionado aos 33 minutos, obrigando Sabella a fazer entrar Enzo Pérez para a posição do lesionado. Este foi visivelmente um golpe duro na Argentina, mas que ainda assim não se viu prejudicada - não deixou de faltar à Bélgica criatividade no ataque, mostrando-se uma equipa desorientada, não pressionante e incapaz de transitar a bola com rapidez. Perante uma Argentina não muito melhor, mas mais perigosa, os minutos iniciais  ficaram bastante longe da intensidade que era esperada da partida.

Adormecer ao ritmo do tango Argentino

O quadro geral não sofreu alterações na segunda parte - entrando com os mesmos jogadores, sem qualquer alteração, a Argentina manteve a supremacia, enquanto a Bélgica continuava com a sua exibição pobre. Aos 51 minutos, Higuaín voltava a destacar-se ao chutar com força, sendo impedido de aumentar a vantagem por Van Buyten. Pouco depois, o ponta de lança entrava em destaque de novo - após perda de bola por parte de Hazard, Zabaleta colocou a bola em Higuaín, que se encontrou de novo perto de marcar o segundo para os argentinos.

À passagem do minuto 60, contudo, a Bélgica começou a equilibrar as hostes, procurando mais a igualdade e aproveitando-se do adormecimento geral do conjunto argentino. Aos 61 minutos era Fellaini que estava perto, cabeceando perto da baliza do guardião argentino, ainda que sem perigo evidente. Bélgica tentava crescer, mas o meio campo mal existia e pouca intensidade se verificava no jogo. Era pouca a velocidade no meio campo e tudo falhava para os belgas, estando mais próxima a Argentina de alargar o marcador do que a Bélgica de chegar ao empate. 

Destaque para Messi, aos 94 minutos, que correu quase isolado com a bola, encontrando contudo a defesa implacável de Courtois, não conseguindo o avançado bater o guardião. Segundos depois a Bélgica criava uma oportunidade, mas Garay não deixava, saindo seguidamente um remate de Witsel por cima na continuação da jogada ofensiva belga. Após 5 minutos de compensação, o árbitro apitava para o fim do jogo e, 24 anos depois, a Argentina voltava a ser apurada para as meias-finais da Copa do Mundo.

Os pupilos de Wilmots saíam derrotados, não demonstrando as suas capacidades nesta partida, evidenciando muitas fragilidades na defesa e intensidade de jogo. Destaque ainda para a inexplicável substituição de Hazard, jogador essencial à formação Belga, espectacularmente forte nos cruzamentos e que seguramente teria contribuído para uma melhor prestação da selecção europeia, numa partida em que tudo lhe correu mal. 

A partida terminava, assim, com um resultado justo perante uma Argentina pouco intensa mas com uma defesa compacta e um miolo equilibrado. A selecção sul americana voltará então a marcar presença nas arenas brasileiras já na próxima quarta-feira, frente à selecção holandesa que bateu a Costa Rica nas grandes penalidades. 

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