Análise Táctica: Alemanha

Análise Táctica: Alemanha

A Mannschaft chega a mais uma final de um campeonato do Mundo depois de atropelar pelo caminho adversários de peso. VAVEL Portugal ajuda-o a perceber melhor como Joachim Low arruma a equipa em campo.

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João Pita

Os Germânicos partem para a final como favoritos à conquista do troféu depois de terem feito um Mundial espectacular, deixando para trás oponentes de peso e praticando um futebol de muita qualidade que impressionou pela sua objectividade, pragmatismo e eficácia. Em caso de vitória a Mannschaft pode mesmo fazer história, sendo a primeira equipa Europeia a vencer um Mundial na América do Sul.

Depois de 3 vitórias em Mundiais a Alemanha tenta hoje alcançar o quarto título e apanhar a selecção Italiana que já conta com 4 vitórias na prova. Depois de vitórias esclarecedoras contra Portugal (4-0) e Brasil (7-1) e de jogos mais complicados com vitórias tangenciais como a França (1-0) e a Argélia (2-1), a Alemanha já provou ser uma equipa muito completa com soluções para todos os momentos do jogo e com uma concentração e intensidade competitiva acima da média.

A defesa Alemã

Sem ter ainda sofrido qualquer derrota na prova a equipa Germânica apenas consentiu 4 golos nos 6 jogos já disputados, mostrando enorme solidez defensiva e dificultando bastante a tarefa às equipas adversárias, que não têm conseguido marcar golos a Manuel Neuer. O guardião do Bayern fez um Mundial espectacular e afirma-se cada vez mais como o melhor guarda-redes do Mundo sendo muito forte entre os postes e também nas saídas. Neuer é muito forte com a bola nos pés e permite que Low use uma linha defensiva mais subida para pressionar alto e tentar recuperar logo a bola pois o guardião funciona como líbero e está sempre atento às bolas nas costas dos seus defesas.

O quarteto defensivo tem sofrido algumas alterações, quer pela lesão de Mats Hummels quer pela utilização de Lahm como médio, à semelhança do que tem sido feito por Guardiola no Bayern de Munique. Para o jogo de hoje prevê-se que Low faça alinhar Boateng e Hummels no centro da defesa e Howedes e Lahm como laterais. Este esquema tem sido o mais forte e apesar de Lahm ter muita preponderância no miolo Germânico, como lateral direito dá muita qualidade e profundidade, contrastando com Howedes na esquerda.

Lahm tem estado em destaque no Brasil (fonte:dailymail)

A equipa Alemã terá de ter muita atenção ao espaço nas costas da sua defensiva pois embora Neuer funcione muito bem como guarda-redes líbero a Argentina tem mais qualidade na transição ofensiva do que os adversários que a Alemanha já enfrentou e Messi, Higuain e Lavezzi são jogadores muito rápidos e capazes de explorar alguma lentidão dos Alemães. O maior problema para os Alemães será mesmo como anular Leo Messi, uma vez que "la pulga" gosta de cair na faixa direita para depois poder partir do flanco para o meio em busca do seu portentoso pé esquerdo. Do lado esquerdo da defensiva Alemã está Howedes, um central adaptado que não tem rotinas como lateral. Howedes não se projecta no corredor e faz com que a saída de bola da Alemanha seja maioritariamente feita pelo centro do terreno ou por Lahm no outro flanco mas tem também algumas limitações em termos de velocidade, tornando o seu flanco o lado a explorar pelas equipas adversárias, como fez o Gana, ainda na fase de grupos.

Para resolver o problema na esquerda da defesa a solução pode ser Mats Hummels. O central do Dortmund está numa forma espectacular e tem sido imperial no centro da defesa. Jogando como central do lado esquerdo Hummels terá como missão ajudar Howedes a anular Messi e também Enzo, que se espera que jogue como interior direito, no lugar de Di María. Anulando o jogo pela direita do ataque Argentino a Mannschaft priva a equipa de Sabella daquela que é a sua arma mais forte. A chave para a equipa de Low poderá mesmo ser a tentativa de fechar bem os corredores e obrigar os Argentinos a jogar pelo centro do terreno, algo que durante a prova a equipa das pampas nunca conseguiu fazer.

Um meio campo em alta rotação

Se a equipa Alemã sofre poucos golos é também devido ao trabalho incrível dos seus médios, que jogam com muita intensidade e entrega, dificultando muito a posse de bola das equipas adversárias e atropelando os médios da equipa contrária. Schweinsteiger, Khedira e Kroos têm estado em destaque no campeonato do Mundo quer no momento defensivo quer no momento ofensivo, sendo o motor da equipa Germânica e jogando sempre uma velocidade acima dos adversários. No momento da perda de bola o trio de meio campo é muito agressivo no pressing e tenta evitar que a bola entre nas costas dos seus defesas, através de passes longos. Kroos e Khedira pressionam mais à frente e Schweinsteiger fica numa posição mais recuada, para evitar que haja espaço entre linhas para que jogadores criativos recebam a bola com espaço. A intensidade competitiva e agressividade no momento defensivo fazem da Alemanha uma equipa que não deixa os seus adversários ter a bola na sua posse no meio campo e obriga a jogar rápido e por vezes errar. 

Khedira e Kroos têm mostrado veia goleadora (fonte:http://www.oestadorj.com.br)

Quando a equipa contrária erra e cede a posse de bola o trio de meio campo tem sempre capacidade para atacar rapidamente e fazer a bola chegar aos homens da frente sem que a outra equipa tenha tempo para se organizar defensivamente. A chave desta intensidade é a qualidade de passe destes médios, particularmente de Kroos, que por serem jogadores muito bons no capítulo do passe conseguem fazer a bola chegar rápido e em boas condições aos colegas, não perdendo a bola em situações que podem ser comprometedoras. O equilíbrio de meio campo Germânico tem sido muito difícil de contrariar pois os médios Alemães são muito bons e agressivos defensivamente mas também têm muita qualidade técnica e de passe, sendo quase um 2 em 1.

Outra particularidade dos centro campistas Alemães é a sua capacidade de chegada à área, que faz com que sejam jogadores que fazem golos regularmente, quer em situações de finalização na área quer através da meia distância. Kroos e Khedira no momento de organização ofensiva sobem no terreno e vão muitas vezes funcionar como apoios à entrada da área, permitindo que os avançados andem em constantes trocas posicionais, abrindo espaços nas defesas contrárias. No jogo de hoje o meio campo Alemão não deverá ter tanto trabalho a nível de pressão pois a Argentina é uma equipa que não constroi jogo pelo centro do terreno e que não procura sair em ataque organizado, tentando mais explorar as transições ofensivas.

O trio de ataque letal

Low deverá fazer alinhar um tridente ofensivo composto por Muller, Ozil e Miroslav Klose. Com Klose na frente de ataque, a equipa dá aos centrais adversários uma referência na marcação e com as movimentações do ponta de lança da Lázio, há mais espaços para as movimentações dos "vagabundos" Muller e Ozil, que jogarão na faixa mas sempre partindo para o meio, em busca do jogo interior que o poderoso meio campo Germânico propicia.

Klose é o maior goleador da história dos Mundiais (fonte:telegraph)

Depois de se ter sagrado recentemente o maior goleador da história dos Mundiais, Klose está num excelente momento e mesmo com 36 anos tem revelado uma condição física excelente. Ozil não tem feito um Mundial espectacular e é frequentemente apontado como o "elo mais fraco" da equipa Germânica, no entanto o homem do Arsenal é sempre um perigo à solta para as defesas contrárias, pela sua capacidade de decidir o jogo num lance de génio. Muller tem estado em grande destaque e leva já 5 golos apontados, sendo um dos grandes favoritos à conquista do prémio de melhor jogador. Quer partindo da faixa quer jogando como avançado centro, Muller tem estado em grande e as suas movimentações constantes têm deixado os adversários com a cabeça em água e sem capacidade para travar o homem do Bayern. Mais que um goleador Muller é um incrivel jogador de equipa, oferencedo muita intensidade defensiva também e ajudando a equipa em todos os momentos do jogo.

Na partida haverá claramente um contraste de estilos de jogo, entre uma equipa com as linhas mais juntas e um bloco subido, à procura de ter bola, controlar o jogo em posse e pressionar rápido e agressivo como é a Alemanha e uma equipa mais expectante, com o bloco baixo e à procura de sair em transições rápida explorando o espaço nas costas como é a Argentina. O resultado é impossível de prever embora a Alemanha parta com algum favoritismo depois de um Mundial mais espectacular, será certamente um jogo apaixonante que poderá seguir no VAVEL.

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