Um GP de Fórmula 1 nas ruas de Londres?
Imagem promocional (2012) do circuito imaginário do GP de Londres, com o Big Ben como fundo. (Fonte: Metro)

Um GP de Fórmula 1 nas ruas de Londres?

O primeiro-ministro do Reino Unido, David Cameron, alterou recentemente a legislação que impedia a realização de eventos desportivos motorizados nas ruas de Londres. Existe assim a possibilidade de, já no próximo ano, se vir a realizar o Grande Prémio de Londres, tantas vezes falado por Bernie Ecclestone.

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Élia Paulo

O sonho de Bernie Ecclestone (autoridade máxima da Fórmula 1) da realização de um Grande Prémio nas ruas de Londres continua a ser apenas um sonho, contudo, as barreiras legais que impediam o avanço da ideia foram ultrapassadas recentemente. Tal aconteceu devido ao anúncio por parte do primeiro ministro do Reino Unido, David Cameron, de uma mudança na legislação, que permite aos conselhos o fecho de estradas para a realização de eventos desportivos motorizados. Esta lei vai entrar em vigor já em Março do próximo ano. 

Recorde-se que a Fórmula E, nova categoria de automobilismo, contará já com uma prova urbana em Battersea Park, em plena cidade de Londres, no final do seu primeiro campeonato, a 27 de Junho de 2015.

Traçado proposto em 2012 para um eventual GP londrino (VAVEL).

E depois da legislação, o financiamento?

Embora esta alteração da legislação seja, sem dúvida, um grande impulso, o problema que se coloca é sobre que entidades estariam dispostas a assumir todo o encargo financeiro subjacente à realização de um grande prémio em Londres. Os promotores abortaram a realização do GP urbano de Nova Jérsia em 2014, devido à experiência dolorosa da exposição desconfortável financeira que acarreta a realização de um GP urbano. Por outro lado, o GP urbano de Singapura tem sido um sucesso, sendo suportado a 60% pelo governo e a 40% pelo empresário Ong Being Seng. Os custos dos direitos de uma corrida são de pelo menos 40 milhões de dólares, aos quais se adicionam as despesas com as infraestruturas. Apenas empresas privadas de grande capital considerariam tamanho investimento, sendo a única maneira de recuperar os gastos através da venda de bilhetes. O governo britânico, assim como a autarquia londrina, já negaram o seu envolvimento nesta iniciativa; contudo, ambos são da opinião de que seria benéfica para o turismo.

Bernie Ecclestone "divertiu-se", no passado, com a ideia da realização do GP em Londres, por vezes ameaçando Silverstone com tal situação, quando as negociações estavam complicadas. Deste modo, o britânico pretendia incentivar alguns dos seus patrocinadores. 

Algures em 2012, a última vez que o britânico se tinha pronunciado sobre o assunto, de modo a promover a corrida, foi realizado um vídeo promocional idealizado pela Santander UK para o seu patrocínio no Grande Prémio britânico. Tal realização pretendeu averiguar o nível de apoio conseguido para o evento, não só dentro da própria F1, mas também das comunidades empresariais e políticas mais influentes da cidade de Londres.

 

Cameron orgulhoso, Ecclestone cauteloso 

Ecclestone, embora satisfeito com a decisão do governo britânico, mostrou-se sabedor das dificuldades prévias à realização de um tal evento: «Vai depender muito da questão comercial. Como vamos financiar a corrida? A notícia é boa, mas as corridas de rua são dispendiosas, sobretudo, no que toca à segurança. Vamos ver o que acontece, mas é um bom sinal. O passo está a ser dado na direcção certa.»

Bernie Ecclestone (Fonte: The Telegraph)

David Cameron, primeiro-ministro inglês, realçou o histórico papel dos britânicos no desporto automóvel, e filia nessa história a recente decisão do executivo: «Esta mudança vai ser muito útil para o desporto motorizado britânico. Mais corridas e mais eventos irão levar à entrada de mais dinheiro no país e também, a ainda mais sucesso nesta extraordinária indústria. A F1 tem um grande impacto mundialmente e tenho muito orgulho pela intervenção que a Grã-Bretanha e os britânicos têm tido nesta modalidade do desporto motorizado», afirmou Cameron.

Atualmente, não existem países a acolher doisGrandes Prémios por época, e Silverstone já tem contrato assinado para acolher o grande prémio da Grã-Bretanha durante dez anos. Contudo, visto que os entraves jurídicos à realização de um GP em Londres deixaram de ser problema, ver-se-á se surge alguma iniciativa empresarial nesse sentido.

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