Argentina - Portugal: o clamoroso amigável no 'Teatro dos Sonhos'

Argentina - Portugal: o clamoroso amigável no 'Teatro dos Sonhos'

Joga-se hoje, em Old Trafford, o clamoroso amigável entre Argentina e Portugal, um amistoso de luxo com vedetas a perder de vista, e, claro, dois galácticos do futebol mundial, Leo Messi e Cristiano Ronaldo, figuras absolutamente imperdíveis da geração actual e, certamente, de de toda a História da modalidade.

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Portugal e Argentina defrontarm-se hoje num amigável que mais não significa, em termos competitivos, uma oportunidade para sedimentar planos de jogo, testar alternativas tácticas e experimentar novas soluções individuais - isto não implica que, no entanto, as emoções não subam e a adrenalina não tome conta da pulsação dos executantes, eles que não serão alheios ao mediatismo exacerbado que é despertado pelo choque Messi x Cristiano Ronaldo.

O jogo é somente um amistoso, mas, dentro das quatro linhas, a proliferação de vedetas internacionais tornará o relvado de Old Trafford, num autêntico «Teatro dos Sonhos», onde a peça a ser representada será digna de um guião do Olimpo. Os deuses da bola comparecerão em peso: Di María, Higuaín, Tévez, Aguero, Messi, Pastore, Moutinho, Cristiano Ronaldo, Nani, Tiago, entre muitos outros, marcarão presença no duelo que certamente empolgará as massas.

Duas selecções com duas novas lideranças técnicas

Se Portugal viu a sua liderança técnica mudar após o desaire com a Albânia, no primeiro jogo da fase de apuramento para o Euro 2016, a Argentina alternou o seu timoneiro após o término do Mundial 2014, quando, após derrota na final, Sabella renunciou ao cargo de seleccionador - Tata Martino ocupou o seu lugar.

Tanto Fernando Santos como Martino têm passado os últimos jogos tentando decifrar a melhor estrutura para cada caso: o português procura a melhor táctica para dar a Cristiano Ronaldo e Nani a mais eficiente maximização de potencialidades possível sem descurar o equilíbrio nuclear a meio-campo, enquanto o argentino busca harmonizar o prolífico e frutuoso ataque, orquestrando-o em sintonia com um meio-campo em forma de tridente.

Portugal: Santos estuda a melhor dinâmica táctica

Fernando Santos implementou mudanças na orgânica da convocatória, alterando também o onze-base da selecção portuguesa com a introdução de maior experiência e tarimba: Ricardo Carvalho pegou de estaca no eixo central da defesa, Tiago saltou para o meio-campo como médio pendular pleno de versatilidade, Eliseu ocupou a lateral esquerda na ausência de Coentrão e, nas frescas introduções, Cédric, William Carvalho e Raphael Guerreiro viram o seu estatuto ganhar solidez.

De realçar é também a repescagem do extremo Ricardo Quaresma, que, preterido por Paulo Bento, consegue agora mostrar credenciais para merecer a confiança do novo seleccionador: o «Mustang» marcou frente à França, assistiu Ronaldo para o golo crucial na Dinamarca e agitou as águas contra a Arménia, estando no lance do golo de Ronaldo.

A elaboração do novo 4-4-2 losango veio substituir a predominânica do 4-3-3 habitual, na tentativa de tornar o ataque luso mais furtivo e menos dado às marcações adversárias - o fraco rendimento defensivo do trio ofensivo (Danny, Nani e Ronaldo) veio enfraquecer o plano da mudança, já que os sectores da defesa e do meio-campo sofreram com a fragmentação táctica provocada pela falta de apetência defensiva dos três executantes, principalmente no cômputo da pressão e da ocupação dos espaços.

Entre o 4-4-2 losango e o 4-3-3 muitas variações podem ser assimiladas e recriadas - Fernando Santos tem testado o factor híbrido que liga estruturalmente os dois modelos tácticos, estudando a melhor forma de erguer Portugal e de lhe dar consistência ao mesmo tempo que lhe confere perigosidade ofensiva mais maleável e menos previsível, algo que se tem verificado com o velho 4-3-3.

Argentina: consolidação do 4-3-3 na procura do núcleo mais forte

A consolidação do 4-3-3 argentino vem, principalmente, no seguimento pelo busca do Graal mais desejado pelos treinadores da alviceleste: sedimentar o meio-campo e, consequentemente, tornar todo o edifício táctico da Argentina mais sólido, mais confiável e mais batalhador. Com tanta artilharia pesada à mão, tanto Sabella como Martino sentiram a necessidade de balancear o ímpeto atacante dos seus jogadores com muita apetência para a posse e controlo do ritmo do jogo.

É nesse sentido que o 5-3-2 deu lugar (já com Sabella, em pleno Mundial) a um novo 4-3-3 com o talismã táctico nuclear chamado Di María, prostrado no meio-campo pronto a rasgar em transições velozes. Enzo Pérez foi um dos mais beneficiados com esta alteração de valores tácticos, tendo passado a actuar mais vezes no centro do terreno alviceleste. Mascherano e Banega guardam, habitualmente, as chaves da linha defensiva da Argentina.

Cristiano Ronaldo em alta, Messi à procura da forma ideal

Incontornável será o mediatismo em torno do famoso antagonismo Messi x Ronaldo: o português do Real Madrid vive um momento de forma tremendo e imparável, com golos em catadupa e uma marcha vertiginosa rumo a nova Bola de Ouro, enquanto que o génio argentino procura ainda a melhor forma física que lhe permite descolar para novas exibições portentosas. O craque do Real já se tornou no melhor marcador de Europeus (como o golo à Arménia) e a sua motivação está, ao contrário de Messi, nos píncaros.

«Messi está à procura da sua melhor versão. Temos a intenção de que a seleção seja o lugar propicio para isso, apesar de jogar mais pelo seu clube. Mas ele está preocupado em atingir a sua maior expressão futebolística. Temos todos de o ajudar», afirmou o seleccionador Martino no início de Novembro, reconhecendo o ténue rendimento do argentino.

Onzes prováveis

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