McLaren 2014: fim de uma parceria, em busca de repetir a história

McLaren 2014: fim de uma parceria, em busca de repetir a história

Um ano de transição com muita desorganização à mistura nunca poderia dar certo. Resta agora esperar que o futuro seja melhor e inspirado nas conquistas do passado.

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Fábio Mendes

2014 foi um ano difícil para a McLaren. E no fundo toda a gente sabia que assim iria ser. Depois do anúncio da entrada da Honda para 2015, a parceria McLaren/Mercedes ficaria sempre fragilizada. Mas o pior nem seria isso. O pior seria o repetir dos erros do passado.

A McLaren passou ao lado do campeonato em 2011, onde claramente tinha um carro para fazer frente aos Red Bull, algo que não foi conseguido devido a falhas de fiabilidade. Desde aí a equipa acumulou erros atrás de erros no desenho dos carros, especialmente na parte aerodinâmica. Foi assim em 2013, com um ano péssimo e 2014 não foi diferente. Tanto que esse departamento foi completamente reformulado e tem agora alguns dos melhores engenheiros da especialidade.  Infelizmente essa remodelação não chegou a tempo de afectar o carro de 2014 com os resultados que se viram.

Foi um ano muito dificil para a McLaren ( Foto: XPB images)

O carro de 2014 surgiu como um dos mais interessantes. Trazia apetrechos ao nível da aerodinâmica que fizer levantar algumas sobrancelhas. Parecia que  a McLaren estava no bom caminho. Mas foi sol de pouca dura. Nos testes de invernos a equipa teve os seus problemas como todas as outras mas o carro não parecia muito “fora de forma”. Havia coisas a melhorar mas que pareciam ser tratáveis a curto prazo.

A corrida da Austrália fez pensar que a equipa de Woking tinha encontrado o rumo certo, mas todas as debilidades do carro foram mascaradas pela especificidade da pista e pelo desempenho dos adversários. Daí para a frente a história seria bem diferente. A Malásia trazia os primeiros maus sinais que foram confirmados nas 3 corridas seguintes, onde ficaram sem pontuar. Algo quase inédito para a McLaren. Foram feitos muitos esforços para melhorar o carro, mas o grande defeito do MP4/29 nunca foi devidamente rectificado (demasiada subviragem). Assim o carro nunca foi capaz de aproveitar o poder dos novos motores Mercedes e a equipa viu se obrigada a lutar apenas pelo 5º lugar, algo que esteve em perigo até a última corrida, levando a melhor sobre a Force India.

Foi um ano difícil para a McLaren, em que tiveram de trabalhar muito para melhorar o carro e tiveram de preparar a estrutura para receber a nova parceria, com os japoneses da Honda.

Jenson Button: O porto seguro no mar de tormentas

Button lutou por manter o lugar na equipa e conseguiu ( Foto: XPB images)

Button já passou por muito na F1 e já conduziu muitos carros maus. Este ano voltou a ter esse desafio pela frente. A equipa virou-se para ele e para a sua experiência e mais uma vez o britânico não desiludiu. Depois de uma fase inicial titubeante em que JB não encontrou o ritmo certo, Button recuperou de novo as bases para garantir à equipa os pontos possíveis. Não foi um ano fácil. Depois da inesperada morte do pai no inicio do ano, Button teve ainda de lidar com um carro difícil e uma possível saída de cena da F1, com a entrada de Alonso na equipa para 2015. A tudo isso, Jenson respondeu com classe e com trabalho. Não foi o seu melhor ano na F1 mas foi o ano em que mais obstáculos e dificuldades enfrentou e superou com sucesso. Foi claramente o melhor piloto, algo que vem sendo habitual desde que entrou na McLaren. Mereceu claramente a permanência na equipa e será em 2015 uma peça fundamental para o regresso da McLaren às boas exibições.

Kevin Magnussen: Um potencial enorme injustiçado

Magnussen ainda brilhou em 2014 mas não foi suficiente ( Foto XPB images)

Magnussen entrou para subistuiur Pérez, que foi descartado pela equipa de forma algo precipitada. Mas o potencial do jovem dinamarquês deixava todos com “água na boca” sendo mesmo apelidado por muito como o “the next big thing”. Magnussen tem pinta de campeão. Mas teve o seu ano de estreia numa equipa em busca do norte e com um carro que não o ajudou, dadas as expectativas criadas. A corrida em Melbourne e o pódio mostraram a chegada de um jovem prodígio. Mas as boas exibições não tiveram continuidade e o rendimento de Magnussen foi descendo à medida que as dificuldades se apresentavam. Não é fácil para um jovem lidar com a pressão de uma equipa de top, que está em crise e saber que no final todo o seu esforço poderá ser em vão, com a entrada de um novo piloto. A sua inexperiência foi o factor determinante e pagou de forma demasiado cara. Será piloto de reserva para 2015. Injusto para um piloto com a sua qualidade. Ainda terá por certo muitas oportunidades, mas não se pode dizer que tenha culpa. Não foi regular é certo mas mostrou qualidade. Foi vítima da desorganização da McLaren. Esperemos que no futuro a equipa o compense.

Qual o futuro?

A parceria McLaren-Honda será posta à prova em 2015 (foto: s/f).

A equipa tem um grande desafio pela frente. A Honda chega com um ano de atraso e o processo de desenvolvimento do motor foi repleto de problemas. Será muito complicado a McLaren ambicionar lutar directamente pelo titulo em 2015 com tanta coisa nova por afinar. Tem a dupla de pilotos perfeita para fazer o trabalho de sapa. Alonso e Button serão porventura a dupla ideal, com experiência, muitos anos de F1, muitas vitórias e muitas dificuldades vividas ao longos da carreira. Eles, melhor que ninguém, saberão dar as indicações certas aos engenheiros para melhorar o carro e tornar a McLaren competitiva. Não será um processo fácil. Mas toda a caminhada é iniciada com o primeiro passo e estre primeiro passo será fundamental um percurso que se espera vitorioso.   

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