Jorge Jesus obrigado a conquistar o bi-campeonato em 2015
Foto original: fFernando Veludo/NFactos

Jorge Jesus obrigado a conquistar o bi-campeonato em 2015

No Benfica desde 2009, Jorge Jesus vai na sua sexta época aos comandos do clube da Luz mas as conquistas não abundam: em cinco campeonatos, Jesus apenas venceu dois, tendo um dos piores rácios da História dos treinadores encarnados. Depois da eliminação da Europa e da Taça, Jesus está obrigado a sagrar-se bi-campeão para acertar as contas.

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Desde o mítico húngaro Janos Biri que o Benfica não apostava de forma tão contínua num treinador: o sétimo treinador encarnado, que comandou os destinos técnicos do clube das águias entre 1939 e 1947, venceu 3 Campeonatos Nacionais, 3 Taças de Portugal e um Campeonato de Lisboa, sendo sucedido por Jorge Jesus no número de anos consecutivos à frente do clube da Luz. O timoneiro português, de 60 anos, vai completar a sua sexta época no Benfica e, à semelhança do técnico húngaro, não apresenta um rácio épocas em função/campeonatos brilhante.

Biri e Jesus: montados no tempo contra as hegemonias

Janos Biri lutou contra o poderio do Sporting, clube que dominava a cena nacional de então, da mesma forma que Jorge Jesus se debate hoje contra a hegemonia do FC Porto, ainda patente nos números de campeonatos vencidos nas últimas duas décadas. Ambos os treinadores mostraram a preserverança típica dos lutadores, mas, simultaneamente, pagaram o preço lógico de uma estadia mais prolongada: Janos levou oito anos para conquistar três campeonatos, enquanto Jorge Jesus precisou, até agora, de uma mão cheia de épocas para se sagrar duas vezes campeão

Mais tempo à frente de uma equipa implica mais hipóteses de vencer mas também mais probabilidades de perder - o trabalho de manter, renovar e estruturar um plantel é moroso, complexo e depende de muitas variáveis, internas e externas. Jorge Jesus irá completar seis anos à frente do Benfica, num contexto de forte investimento financeiro por parte da direcção encarnada, que só agora aparenta abrandar. A qualidade dos jogadores transaccionados pelo Benfica rivaliza já com a do rival Porto, habituado a pescar talentos e a vendê-los a preços astronómicos. No taco-a-taco com o FC Porto, o Benfica de Jesus venceu 2 campeonatos e perdeu 3 - um para o aclamado André Villas-Boas e dois para o mal-amado Vítor Pereira.  

Jesus tem passado de derrotas amargas

Apesar de muito acarinhado por grande parte da massa adepta encarnada, Jorge Jesus está longe de ser uma figura totalmente unânime no mundo benfiquista, seja pelo discurso peculiar - tido por auto-elogioso - seja pelas derrotas marcantes que mancharam o currículo do técnico: três campeonatos perdidos de modo sucessivo para o Porto, dois deles perfeitamente ao alcance da competência global do Benfica das épocas de 2011/2012 e 2012/2013. As derrotas repetidas às mãos do rival Dragão (uma delas historicamente humilhante) enfraqueceram a aura vitoriosa do Jorge Jesus de 2009/2010. 

O Benfica de Jorge Jesus levantou o Benfica da cova, despertando a ânsia encarnada e dando novo vigor a um clube adormecido pela hegemonia do Dragão. O campeonato de 2009/2010 lançou esperança sobre as hostes vermelhas mas a verdade é que Jesus esbarrou, logo a seguir, num tri-campeonato portista que arrefeceu por completo o suposto novo ímpeto vitorioso do gigante adormercido. O jejum encarnado prolongou-se por três temporadas, mal mitigado pelas vitórias abundantes na ainda imberbe Taça da Liga. Sem ligas nem Taças de Portugal, o Benfica apenas por uma vez conseguiria singrar na Liga dos Campeões, chegando em 2011/2012 aos quartos-de-final da prova. 

2014 reforçou aura benfiquista e premiou garra de Jesus

Mas o ano de 2014 premiou a insistência das águias de Jesus: triplete nacional na algibeira encarnada, nova final da Liga Europa (outra derrota final também) e um renovado e límpido impulso de vitória que ameaça contundentemente a hegemonia portista. O sucesso em 2014 chegou na hora certa, já que a pressão da vitória começava já a esmagar a equipa técnica do Benfica e também a própria direcção, que agora colhe os louros de ter batido o pé às vozes que exigiam a saída do técnico depois do terrível mês de Maio de 2013, altura em que o Benfica tudo perdeu - Liga, Taça e Liga Europa.

E foi precisamente o sucesso obtido em 2014 que permitiu a continuidade de Jorge Jesus, já que o treinador não aguentaria, certamente, quatro anos sucessivos de derrotas no campeonato português. Os três triunfos das águias deram nova aura à Luz, e, neste sexto ano de Jesus ao leme da nau do Benfica, pede-se novo sucesso ao treinador português, já que a obrigação de tornar real o bi-campeonato é cada vez mais avassaladora: o Benfica, despojado já de ambições europeias e varrido que foi da Taça de Portugal, concentra toda a sua força na revalidação do título de campeão nacional - caso falhe, nova época em branco poderá atirar a reputação de Jesus para os baixos patamares da já velha e cíclica contestação.

2015: sobre a pressão do bi-campeonato

Com a concentração totalmente canalizada para a conquista da Liga, facto que tem até sido criticado, o Benfica carregará, até fim da temporada, a pressão de estar obrigado a arrebatar o título, estando, ainda para mais, muito bem posicionado para o fazer (seis pontos de avanço sobre o FC Porto e dez sobre o Sporting). Favorito a essa conquista, o Benfica actual dificilmente aguentará uma derrota final sem sofrer abalos na sua estrutura técnica - lembrar, ainda, que Jorge Jesus termina contrato no final da presente temporada...

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