Quanto jeito dava este André Gomes no período pós-Enzo?

Quanto jeito dava este André Gomes no período pós-Enzo?

O Benfica vendeu André Gomes a um fundo de investimento no início de 2014, acabando por perder o médio tecnicista para o Valência no defeso de Verão. Agora, já orfão do construtor Enzo Pérez, as águias vêem o jovem luso deslumbrar ao mais alto nível, mexendo os cordelinhos valencianos contra os galácticos da Liga BBVA.

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André Gomes tinha talento escorrendo dos pés, a cada passada no relvado, rumo à baliza, com a visão no horizonte e o radar atento aos colegas. Todos lhe reconheciam o primeiro toque refinado, a inteligência dos movimentos, a graciosidade do passe - mas, nunca titular indiscutível, o Benfica e Jorge Jesus viram no internacional um activo cujo o valor de 15 milhões de euros poderia deixar saciado o cofre da Luz, e, assim, Gomes partiu para Valência.

A projecção da Liga BBVA tem demonstrado que o médio organizador de jogo vale bem mais que aquilo que o clube «Che», matreiro, pagou pelo seu passe ao Benfica. A direcção e o treinador projectaram, aparentemente, um Benfica de futuro que mais necessitava do dinheiro vivo urgente que do potencial tremendo do médio agora ao serviço de Nuno Espírito Santo - agora, Gomes deslumbra em Espanha, pouquíssimos meses depois de deixar a Luz, onde nunca fora titular regular.

A forma calma, hábil, astuta e graciosa como lidera o meio-campo do Valência, seja contra Davides seja contra Golias, demonstra que o talento à disposição de André Gomes é gigantesco e a sua curva de progressão ainda irá no início. No Benfica, secundarizado pelas estrelas nucleares do meio-campo (Matic, Enzo) Gomes esperou e desesperou por oportunidades e nem o futuro lhe reservou melhor vida na Luz - a saída, oportuna para si, revelou que Gomes estava prestes a explodir e apenas necessitava de um empurrão...para o estrelato da titularidade.

Não o deu Jesus deu Espírito Santo: agora Gomes comanda o meio-campo, pensa as jogadas, dá a marcar e até enfeita golos como poucos médios. Ficou o Benfica a chuchar no dedo, deixando sair um jogador no Verão que agora, na era pós-Enzo, daria um jeito inegável a uma equipa carente de um pensador na zona de construção. Meses depois de sair, por uma quantia que agora vemos ter sido baixa (por quanto o Benfica o venderia, imaginemos, depois de uma temporada toda a titular?...), Gomes prova que o negócio feito pelo Benfica poderia, certamente, ter sido bem melhor caso o jogador tivesse outras oportunidades no reino da Luz.

A braços com adaptações, entre recuos de Talisca e aprendizagens forçadas de Samaris e Pizzi, o Benfica vê Gomes bailar pela Liga BBVA, mostrando credenciais de topo contra o Real Madrid, bem na zona do meio-campo onde o maestro ergue a batuta, depois a cabeça, e desenha, com os pés e com os olhos, as jogadas que os golos coroam. A pergunta surge, inocentemente, porque a lógica do planeamento assim o exige: porque não agarrou o Benfica André Gomes, vendo nele o futuro do meio-campo da Luz? A sua saída era assim tão premente, inefável e irrevocável?

Nem os quinze milhões de euros parecem desculpar tal venda: logo o Benfica desbaratou a mesma quantia, comprando Cristante e Samaris. Não está em causa a valia de ambos os jogadores, que poderão explodir na Luz a qualquer momento, é certo. Mas terá mesmo valido a pena receber tão pouco por um jogador que poderia ser tão fulcral neste Benfica 2014/2015?

 

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