Gonçalo Guedes: Diamante do futuro pode ser útil no presente
Foto: Rui Minderico

Tal como Luís Filipe Vieira reiterou numa entrevista recentemente publicada, finalmente o Benfica parece começar a recolher frutos da sua formação, estando a maturar vários jovens talentos que em pouco tempo poderão mesmo vir a ser figuras de proa da primeira equipa, perfilando-se na dianteira o altamente promissor Gonçalo Guedes que ainda este Domingo se estreou na Primeira Liga no terreno do Penafiel.

Ainda antes de o fazer, o talentoso extremo foi já comparado a estrelas de primeiro plano como Cristiano Ronaldo ou Franck Ribéry. Precoce, é certo, provavelmente exagerado também, mas na realidade em Guedes encontra-se mesmo um valor que vale a pena segurar assim a sua evolução se mantenha e as lesões não o apoquentem no futuro.

A revelação de Gonçalo Guedes não surpreende quem conhece a sua qualidade técnica que já o destacava em escalões mais jovens como os Iniciados em frente, e ainda na primeira época como júnior passou a tornar-se impossível não reparar numa das promessas que mais se evidenciou na UEFA Youth League na época passada, sabendo-se que o futebolista escolhido como melhor jogador da competição, Munir El Haddadi, nasceu um ano antes do talento português.

Faltou a Guedes aquele que seria um título colectivo merecido para o que demonstrou enquanto individualidade, surgindo como o tipo de atacante que mais agrada no futebol actual pelo facto de poder criar desequilíbrios em qualquer posição do ataque, por ambos os flancos e ainda em zonas centrais, tanto no eixo do ataque como nas costas do ponta-de-lança, o que o torna habilitado para render em qualquer esquema táctico.

Ciente do ‘diamante em bruto’ que tem em mãos, Jorge Jesus sempre elogiou Gonçalo Guedes, tendo anteriormente afirmado que o jovem se encontra dois anos futebolisticamente adiantado em relação ao comum jogador da sua idade, razão pela qual não revelou problemas em convocá-lo em dois compromissos da Liga dos Campeões, ante Monaco e Bayer Leverkusen, nos quais ficou à beira da estreia.

Guedes parece ter uma carreira bem sucedida pela frente à qual o Benfica pretende manter-se associado

Necessitando ainda de cumprir algumas etapas para finalmente se assumir como o pleno futebolista que um dia virá a ser, Guedes mostra já ser o tipo de jogador que torna uma equipa favorita à vitória ao tê-lo nas suas fileiras. Nada indiferente a essa realidade, o Benfica encontra-se perto de conseguir a renovação contratual de um elemento que em pouco tempo pode contribuir com diversas alegrias aos adeptos encarnados.

Para o fazer, o Benfica terá ao mesmo tempo de resistir ao assédio de vários colossos europeus com o Bayern de Munique à cabeça para que possa ter a certeza de que nas próximas épocas a maturação física e futebolística desenvolvidas pelos seus técnicos junto do jovem atleta valerá a pena em termos desportivos e não somente financeiros - parece ser essa a estratégia dos responsáveis benfiquistas, uma acção que indicia muito sucesso pela frente.

A chegada de Gonçalo Guedes à primeira equipa surge poucos meses após uma temporada de enorme sucesso e a mais importante da carreira de quase todos os futebolistas que compunham (alguns ainda compõem) o grupo de trabalho encarnado, o que surge como uma motivação acrescida para o talento de 18 anos que parece ter chegado para ficar.


Mais - ficar com um valor da formação como Guedes torna-se ainda uma esperada aproximação a eras como os anos 60, altura em que um Benfica dominador a nível nacional e europeu era constituído exclusivamente por futebolistas nacionais, um cenário que começa a deixar de ser uma utopia com jogadores da craveira deste ‘menino’ que certamente também sonhará em representar o clube que o formou nos maiores palcos europeus.

No entanto será necessário abrir espaço no leque de extremos para que o jovem possa permanecer no plantel

A sedimentação da promessa benfiquista na primeira equipa oferece ainda uma outra vantagem que se descortina pelo facto de tornar necessária a contratação de mais um extremo, a posição que habitualmente ocupa e pela qual passa agora a concorrer com uma concorrência de peso com a qual poderá ter muito a aprender mas com a qual também em pouco tempo será capaz de lidar.

Apesar de muito jovem, Gonçalo Guedes possui uma interessante ligação com o golo que rendeu títulos na formação às águias - exemplo disso foi o grande golo que apontou em casa do FC Porto que garantiu a conquista do Nacional de Juvenis há duas épocas - que poderá ser aproveitada com muita utilidade por Jesus e o plantel principal no qual o jovem poderá ter o seu espaço ainda que se afigure como muito difícil poder jogar com regularidade.

Aliás, para que o teenager benfiquista possa beneficiar da permanência na primeira equipa parece ainda faltar a confirmação da saída de mais um dos extremos a exemplo do que sucedeu com Bebé, sabendo-se que neste momento o Benfica ainda possui para esses lugares os argentinos Nico Gaitán e Eduardo Salvio, dois habituais titulares que não deverão ser negociados assim como Ola John, que ganhou espaço em relação à época passada.

Assim sendo apenas sobra Miralem Sulejmani que poderia sair em função de uma boa proposta para a sua aquisição ou quem sabe um empréstimo com opção de compra. Caso tal não aconteça, parece mais aconselhável a cedência de Guedes para que cresça na Primeira Liga.

Não faltam clubes a desejar a sua chegada, do que propriamente longas presenças no banco ou o regresso a uma Segunda Liga que já começa a ser curta para o seu talento. O Nacional de Juniores (da sua idade), esse, já está bem distante…

 

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