1-0, min.23, David Simão (G.P) ; 1-1, min.30, Montero ; 1-2, min.62, Carrillo ; 1-3, min.77, Tobias Figueiredo
Leões dão a volta ao jogo com «Derby» na mira

Leões dão a volta ao jogo com «Derby» na mira

Fim de tarde cinzento em Arouca mas com um jogo que foi precisamente o contrário do tempo. Com o Arouca a adiantar-se no marcador na primeira parte coube ao Sporting "vestir o fato de macaco" e assumir as despesas do jogo. Montero, Carrillo e Tobias operaram a reviravolta que deixa os leões moralizados para o Derby com o Benfica na próxima jornada.

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Tiago Labreca

Não se previa fácil o jogo para o Sporting nesta 19ª jornada do campeonato. Na segunda jornada, quando estas equipas se defrontaram, o Sporting só conseguiu derrotar o Arouca no último minuto de jogo evitando assim o empate que já parecia inevitável. Somando a isto as ausências de Nani e Jefferson e ainda a possível desconcentração por ser o jogo antes do grande derby contra o Benfica em Alvalade, a receita final poderia não ser muito agradável para os leões.

Pedro Emanuel estava informado destas condicionantes todas e construíu uma equipa bastante coesa e lutadora no meio campo onde o Sporting normalmente é mais forte. Rui Sampaio, David Simão e Nuno Coelho desempenhavam um papel de extrema pressão na construção de jogo do Sporting, não deixando que Adrien e William tivessem a liberdade de explorar zonas mais avançadas do terreno.

Muita luta e pouco discernimento

O jogo começou pautado por aquele que era o terreno de jogo, muito duro para haver criatividade devido à chuva e ao consequente estado da relva. O Sporting demorou até conseguir encontrar o ritmo de jogo necessário para ultrapassar o meio campo do Arouca que ora disputava cada bola como se fosse a última ora tentava perder algum tempo com constantes lesões em lances disputados. Rui Sampaio num remate de fora da área foi o primeiro a lembrar-se que haviam balizas em campo, seguido de Adrien que apareceu na área para cabecear uma bola que seria indefensável para Goicoechea se fosse enquadrada com a baliza.

O problema do Sporting continuava a ser o mesmo que por exemplo aconteceu com a Académica na última jornada, com equipas muito recuadas falta gente que apareça na área da equipa adversária. Ter só Montero e, por vezes, João Mário a aparecer para corresponder a cruzamentos ou triangulações é notoriamente pouco para uma equipa que precisa de ganhar todos os jogos.

O reflexo disto deu-se quando o Arouca ganhou uma bola de potencial perigo para o Sporting e já na grande área dos leões, Roberto rematou e a bola foi contra o braço do central Tobias Figueiredo. Penalti contra o Sporting e David Simão não vacilou, bola para um lado e guarda redes para o outro. Na cabeça dos adeptos do Sporting estaria o medo de não ser o derby com o Benfica que os afastasse do possível título mas sim este jogo em Arouca.

Mobilidade e "vestir o fato de macaco"

Até aos 30 minutos era vísivel a insuficiência de trocas de bola entre os jogadores do Sporting. Carrillo não se mostrava ao jogo, Montero estava muito sozinho, os laterais não davam profunidade ao ataque e Mané tendia a perder-se em individualismos. Até que chegou ao momento que Marco Silva na flash interview apelidou de "vestir o fato de macaco" e pôr mãos à obra na tentativa de vencer o jogo. Foi o que os leões fizeram, numa bela jogada de entendimento entre Adrien e Mané, o extremo avançou no lado esquerdo do terreno e assistiu Montero que na cara de Goicoechea não tremeu e empatou o jogo. Era um lufada de ar fresco para os de Alvalade.

Com o regresso dos balneários, esperava-se um Sporting acutilante na busca pelo golo que desse os três pontos e que permitisse mais uma vitória no campeonato. No entanto não foi bem isto que aconteceu visto que o Arouca entrou novamente com garra e desta vez mais avançado no terreno com Kayembe e Pintassilgo a apoiarem mais Roberto. Tudo isto tem o seu reverso, se o Arouca tem os jogadores mais avançados, o Sporting tem mais hipóteses de soltar os criativos da equipa.

Foi isto que aconteceu aos 62 minutos da partida, num lance insólito em que a bola bate no árbitro e sobra para a equipa do Sporting, Mané desta vez na direita do ataque assiste Carrillo que só teve de enconstar fazendo assim a reviravolta no marcador.

William, o imperador

Se já demos nota de destaque a táctica de Pedro Emanuel também temos de realçar o motor do meio campo sportinguista, William Carvalho. Depois de um príncipio de época de fraco rendimento perante o que nos habituou na época passada, agora William é novamente quem manda no meio campo do Sporting. Quer na construção de jogo, quer na recuperação das bolas, o internacional português é um dos factores para esta onda de vitórias consecutivas por parte do Sporting e para o alto rendimento da equipa de Marco Silva. William recuperou a forma física e já se tornou num espelho do treinador dentro de campo.

Coube a William aguentar alguma pressão que o Arouca fez após o 2-1, estabilizar o jovem Tobias e ainda soltar rápidos contra ataques. Mas curiosamente foi num lance de bola parada que o Sporting chegou ao resultado final. Montero levou Tobias Figueiredo para a zona onde este deveria estar e o jovem central leonino num movimento perfeito atirou de cabeça para o fundo das redes do Arouca estreando-se assim a marcar pela equipa principal do Sporting.

Até ao fim do jogo nota para um enorme falhanço de André Martins na cara do golo, de uma jogada duvidosa protagonizada por Kayembe dentro da grande área do Sporting e ainda a expulsão de Jonathan Silva que se envolveu numa escaramuça com Roberto e com o banco de suplentes do Arouca. Vitória do Sporting que mantém a distância pontual para Porto e Benfica, este último que defrontará no próximo domingo, em Alvalade, pelas 20:00 horas.

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