Laranja espremida
Holanda não falhavam um Europeu há mais de 30 anos

Laranja espremida

A Holanda apenas poderia esperar um milagre para que fosse possível a passagem ao play-off de apuramento para o Euro 2016, mas não mostrou nem arte nem engenho para sequer sonhar.

rafaelreis
Rafael Reis

Longe vai o tempo em que a Holanda passeava nas fases de qualificação e depois claudicava nas Fases Finais de Mundiais e Europeus; longe também parece estar o tempo em que a equipa até aos dias de hoje conhecida por Laranja Mecânica chegava a sucessos recentes como a final do Mundial 2010 ou a meia-final do Mundial 2014, competição na qual há pouco mais de um ano chocou o Mundo ao ‘despachar’ a então campeã mundial em título Espanha por claros 5-1.

Nunca a UEFA esperaria que logo no primeiro Campeonato Europeu alargado a 24 equipas a prova contasse com equipas que dificilmente se esperariam numa Fase Final como a Albânia ou a Irlanda do Norte e um país com tradição como a… Holanda ficasse de fora, sem sequer ter merecido a oportunidade de disputar um play-off de repescagem numa eliminação tão surpreendente quanto merecida.

Deve assinalar-se que o grupo no qual a equipa laranja se encontrava incluída, o Grupo A, era na verdade bastante perigoso e composto por equipas de ‘classe média’ do futebol europeu com as quais é sempre muito complicado de jogar, casos da Islândia, um dos mais incríveis casos de evolução da modalidade neste momento, a República Checa, tradicionalmente forte e parte integrante das grandes competições, e o mesmo se aplicando à Turquia.

Holanda apenas poderia esperar um milagre para que pudesse disputar o próximo Europeu

No entanto, ninguém esperaria há um ano que o 3º classificado do último Mundial terminaria este grupo em… 4º, atrás dos três supramencionados adversários que se apuraram para o Euro 2016, islandeses e checos como primeiro e segundo classificados e turcos como melhores terceiros de toda a fase de qualificação, o que demonstra a qualidade deste agrupamento, é certo, que na realidade era até mais exigente que o Grupo I no qual Portugal ‘passeou’… mas não explica tudo.

Na teoria (e provavelmente na prática também, ainda que sem resultados), a Holanda seria/será superior a Islândia, República Checa e Turquia, pelo que é da sua completa responsabilidade esta eliminação até porque em momento algum esta equipa pareceu estar verdadeiramente comprometida com o sacrifício que seria necessário para que pudesse vir a ser efectuada a ‘remontada’ que ainda tornasse possível o milagre.

Esse aspecto ainda ontem saltou à vista quando na sua própria casa a Holanda se encontrava obrigada a vencer a já apurada República Checa e esperar que ao mesmo tempo a Turquia não repetisse o seu resultado frente à também qualificada Islândia. Face a esta necessidade, a equipa holandesa, ao invés, esteve perto do vexame ao ter chegado a estar a perder por 0-3 perante 10 unidades, acabando por reduzir para o 2-3 final.

Resultado: com a vitória da Turquia, mesmo que a Holanda tivesse vencido o desfecho de eliminação seria o mesmo. No entanto, fica a imagem deixada e que caso fosse necessário recorrer ao ‘milagre’ a Orange não cumpriria com a sua obrigação e por isso nunca estaria no Euro 2016, o que deixa bem clara a incapacidade do seleccionador Danny Blind em melhorar o panorama deixado por Guus Hiddink, que apesar de contestado pelo menos ainda vinha garantindo triunfos apesar de tangenciais.

Longe vão os tempos em que a Orange tinha na sua equipa as grandes figuras do futebol internacional

A mudança técnica acabou por ter um efeito contraproducente a juntar ao facto de a equipa vir progressivamente a perder qualidade, especialmente na sua defesa na qual não se mantém uma só unidade em relação ao Mundial – ainda que a ausência de Stefan de Vrij, indiscutivelmente o melhor defesa holandês da actualidade, se deva a lesão com alguma gravidade.

Sem De Vrij, central da Lazio que se encontra na pista do Manchester United já para Janeiro, data em que previsivelmente se dará o seu regresso à competição, a defesa da Holanda, que já sonha com um tempo passado em que contou com grandes nomes deste desporto como Frank de Boer ou Ronald Koeman, tornou-se ainda mais vulgar. Alguns dos jogadores utilizados no sector mais recuado holandês, arrisco-me a dizer, não possuem sequer a mínima qualidade para uma selecção deste gabarito.

Assim, a Holanda, pelo menos para já, apenas pode recordar tempos de glória nos quais contava com estrelas como Ruud Gullit, Marco van Basten, Frank Rijkaard ou Johan Cruijff ao passo que os seus rivais medirão forças no Europeu em França. Que recomece então a pintura da laranja…

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