Rodrigo bisa e Oblak mantém a baliza a zeros
Rodrigo festeja em plena euforia

Ao fim da tarde de ontem, o Benfica voltou a recuperar a liderança da Liga Zon Sagres ao vencer o Marítimo por 2-0, repetindo o resultado dos últimos dois jogos, diante de FC Porto e Leixões. Os vermelhos de Lisboa bateram os madeirenses com relativa solidez, beneficiando da veia goleadora de Rodrigo, que marcou os dois golos que derrubaram a resistência vinda dos Barreiros. Perante mais de meia casa, os encarnados forçaram um começo forte e o golo surgiu aos 18 minutos. Multiplicado esse tempo, Rodrigo surgiu de novo na lista dos marcadores: 36 minutos e um 2-0 que tranquilizou as hostes benfiquistas. A vitória acabou por ser um natural desfecho dado ao domínio caseiro. A orquestra ofensiva do Benfica esteve em bom pleno, desde o «maestro» argentino Enzo, passando pelas alas até à linha da frente, composta por Rodrigo e Lima. Fejsa tomou o lugar do transferido Matic, e esteve num plano razoável. 

Fejsa no lugar de Matic

Mantendo a táctica usual, Jorge Jesus tinha uma escolha a fazer, entre Fejsa ou Rúben Amorim, mas acabou por ser o médio defensivo sérvio a ocupar o lugar do compatriota Matic. A vaga deixada pelo jogador do Chelsea foi ocupada de modo eficaz pelo médio Fejsa, que se limitou a patrulhar a zona recuada do meio-campo, deixando Enzo disponível para incursões ofensivas. O domínio madrugador do Benfica ajudou ao arranque sem tosse da zona central do terreno encarnado, mas a reacção maritimista ao golo conseguiu, ainda assim, perigar a baliza de Oblak: em resumo, parece que Fejsa, apesar de ter-se exibido a bom nível, precisa, naturalmente, de se rotinar em tarefas que não costuma desempenhar, nomeadamente no papel coadjuvante de Enzo, colega de zona, na organização do jogo e na marcação do ritmo da equipa em posse e circulação de bola.

Enzo de alta rotação a acenar com a batuta de maestro

Enzo Pérez foi, sem dúvida, a chama deste Benfica, muito à semelhança daquilo que nos vem habituando. A sua garra e determinação dentro de campo sobressaem e é visível que o argentino ganhou com naturalidade um estatuto superior dentro do onze benfiquista, quer pela forma como chama a si a responsabilidade de ter a bola, quer como levanta a cabeça e distribui, com o olhar, as peças vermelhas pelo tapete de relva da Luz. O jogo com Marítimo não foi excepção: Enzo começou perto de Fejsa, mas a entrada de Amorim, a meio da segunda parte, permitiu que o médio se soltasse ainda mais no campo, preocupado apenas com tarefas ofensivas, qual trequartista. Incansável no plano defensivo e ardiloso no atacante, Enzo encheu o campo com classe e esteve perto de marcar, de cabeça, perto do fim: a bola embateu na barra para infelicidade do argentino, que merecia coroar a exibição com um golo.

4-2-3-1 final é opção a reutilizar

A forma final com que o Benfica acabou o encontro mostrou uma equipa potente na manobra ofensiva, mas igualmente forte na altura de defender. Jesus começou a partida com o seu 4-2-4 mas terminou-a com um 4-2-3-1 estruturalmente harmonioso, com dois médios centrais (Fejsa e Amorim) fechando o meio-campo e deixando outro, mais adiantado, pronto a organizar o jogo ofensivo (Enzo). Dos seus dois lados, esse trequartista teve dois extremos (Markovic primeiro, Cavaleiro depois, emparelhado com Gaitán) e na sua frente um avançado (Rodrigo). A dinâmica da equipa, que foi positiva durante todo o encontro, tornou-se ainda mais compassada, mais pensada e mais criteriosa mas, apesar disso, forte na jogada atacante, pois o poder impulsivo e cerebral de Enzo fazia maravilhas na engrenagem ofensiva da equipa através de uma manipulação soberba da posse de bola e de passe na zona final. Que o digam Markovic, Lima e Rodrigo.

Rodrigo sente-se matador

Quando um avançado goza de uma confiança inabalável, todos os seus movimentos denotam aptidão, coragem e vertigem pelo golo. Rodrigo, que antes era reflexo de uma falta de confiança gritante, é hoje um matador sedento de golos, que demonstra a sua voracidade cada vez que remata à baliza. Quando, ao minuto 18, a bola sobrou para o seu pé depois de um clamoroso passe de Gaitán, o estádio, pressentido a sua vontade faminta de avançado, já se erguia em festejos antecipados. O remate potente do hispano-brasileiro levava fogo, assim como aquele disparado contra Helton, no 2-0 diante do Porto. Mesmo no lance do 2-0, quando se encaminhava solado para a baliza i, preferiu rematar em vez de passar ao colega do lado, decisão que demonstra a sua confiança, o que é somente natural: Rodrigo tem vindo a subir exponencialmente de rendimento, e leva já 10 golos na sua conta pessoal, os mesmo que Lima. 

Oblak não sabe ainda o que é sofrer golos

Desde que tomou a guarda da baliza, Oblak não sofreu golos: facto que mantém, sobre o esloveno, uma aura de intransponibilidade que torna a defensiva encarnada ainda mais confiante. O Benfica leva já seis jogos sem conceder golos, cinco deles com Oblak na baliza, e um com o brasileiro Artur, partida essa jogada no contexto da Taça da Liga. O esloveno esteve a um nível elevado, fazendo três boas defesas e mantendo o nulo que castigou o Marítimo, que apesar de dominado, fez tremer a defesa encarnada em algumas ocasiões. Oblak opôs-se de modo fenomenal a um cabeceamento de Nuno Rocha, logo depois do golo inaugural, e ainda tocou para canto um remate cruzado de Heldon, mostrando reflexos felinos.

Marítimo errou pouco mas pagou caro

De facto, a equipa madeirense não foi um osso fácil de roer, mas cometeu alguns erros crassos que ditaram a tranquilidade da vitória encarnada. Uma das causas da derrota foi, claramente, a falta de eficácia na hora do golo, capacidade que fez toda a diferença no jogo da primeira ronda. Além dessa, alguns erros técnicos que deitaram tudo a perder: o mau alívio de João Diogo foi um deles. O pontapé no ar do jogador madeirense deixou Rodrigo isolado a passe de Markovic e na sequência do erro, o 2-0 ganhou forma. O ataque maritimista, pródigo em marcar golos (a equipa era, à entrada para esta jornada, a quarta melhor ofensiva do campeonato) não foi capaz de utilizar a velocidade de Heldon e Derley para atormentar a defesa benfiquista, e o discernimento para elaborar transições de contra-ataque esteve presente somente amiúde. 

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