Uma taça que foge há dez anos
Nova ronda final entre Benfica e Rio Ave

Amanhã ao fim da tarde, Benfica e Rio Ave voltam a encontrar-se numa final, para um novo tira-teimas que vale outro troféu. Depois da final da Taça da Liga, vencida pelo Benfica (2-0), ambas as equipas voltam a medir forças se bem que num quadro físico e emocional bem diferente: os encarnados chegam à final da Taça de Portugal na ressaca da final perdida em Turim, com o azedo sabor da derrota, que apenas surgiu nos castigos máximos. Depois de 120 minutos intensos, a formação das «águias» deverá estar alguns furos abaixo da capacidade máxima, quer pelo cansaço acumulado na partida diante do Sevilha, quer pela frustração inerente à perda de outra final europeia.

Apesar dos contratempos físicos e psicológicos, o Benfica terá uma injecção de vitalidade: Markovic, Enzo e Salvio, todos eles impossibilitados de jogar a final da Liga Europa, estarão aptos para reforçar a equipa nesta final contra o Rio Ave. Dada a lesão de Sulejmani e ao cansaço de Gaitán (que realizou uma partida fraca em Turim), existe até a probabilidade de ambos os extremos, Salvio e Markovic, alinharem nas faixas do ataque encarnado. Quanto ao Rio Ave, a confiança está alta: sem pressão e com a possibilidade de desfrutar de nova final, os pupilos de Nuno Espírito Santo tentarão surpreender o Benfica, almejando escrever a página mais gloriosa da História do clube vilacondense.

Dez anos passaram desde Camacho e Simão

A última vez que o Benfica ergueu a Taça de Portugal foi na época 2003/2004, aquando da liderança técnica de Jose Antonio Camacho. Na altura, com Simão Sabrosa a brilhar na formação das «águias», o Benfica bateu o poderoso FC Porto de José Mourinho, então campeão nacional e futuro vencedor da Liga dos Campeões (dez dias depois da final da Taça de Portugal). Derlei marcou primeiro mas o grego Fyssas empatou a partida, obrigando à disputa do prolongamento, altura em que Simão, de cabeça, completou a reviravolta encarnada.

Primeiro título de um jovem chamado...Luisão

O único jogador do plantel do Benfica que poderá, amanhã, repetir a façanha de vencer a Taça de Portugal chama-se Luisão. O central brasileiro chegou nessa temporada de 2003/2004 ao clube encarnado e festejou o primeiro título com a camisola das «águias» vestida: dez anos depois, o central gigante permanece no clube, envergando a braçadeira de capitão incontestado e liderando a equipa em novas conquistas. Luisão venceu, nesta caminhada de 10 anos, três campeonatos nacionais, cinco Taças da Liga, uma Supertaça Cândido Oliveira e uma Taça de Portugal. Terá oportunidade, amanhã, de vencer o troféu pela segunda vez.

Terceira final para Jesus, primeira para novato Espírito Santo

Esta será a terceira ocasião que Jesus terá para vencer o troféu da Taça de Portugal, uma vez que esteve na decisão por duas vezes: uma com o Belenenses (diante do Sporting) e outra já com a formação do Benfica, no ano transacto, perdida para o Vitória de Guimarães. Caso vença o duelo com Nuno Espírito Santo, Jorge Jesus festejará pela primeira vez uma taça que sempre disse ser seu objectivo pessoal. O desejo de conquistar um trio de troféus (Liga, Taça da Liga e Taça de Portugal) ficou também expresso na antevisão do encontro. Já Espírito Santo, que disputa a segunda final da carreira de treinador, vai pela primeira vez jogar a final da chamada «prova rainha», encontrando de novo o Benfica.

Rio Ave volta à final trinta anos depois

Foi na época de 1983/1984 que os vilacondenses disputaram, pela primeira e última vez, uma final da Taça de Portugal. Diante do FC Porto, o Rio Ave perdeu por claros 4-1, com António Sousa (2), Fernando Gomes e Vermelhinho a construirem o resultado portista contra um solitário golo de N'Habola. Depois de gorada a primeira tentativa de conquistar o primeiro troféu do clube, segue-se agora o segundo assalto, onde o Rio Ave tentará explorar a tristeza benfiquista na sequência da derrota contra o Sevilha.

Sevilha «não afectou», assegura Jesus

«A derrota não afectou em nada. O Benfica acabou de jogar há dois ou três dias uma final e amanhã está noutra final. Vai ser a nossa quarta final e a última da época. Já conquistamos o campeonato, que era o grande objectivo. O facto de o resultado frente ao Sevilha não ter sido positivo não vai afetar a nossa capacidade mental e a nossa determinação», afirmou Jesus na antevisão da final, ao lado do treinador rival e do árbitro da partida, Carlos Xistra. O técnico campeão da Liga não poderá contar com o lesionado Sulejmani, e subsistirão as dúvidas sobre a utilização de Fejsa, Rodrigo e Garay, todos eles limitados fisicamente.

«Oportunidade única», sublinha Espírito Santo

«É um David contra Golias, mas quanto treinava o técnico de equipamentos abordou-me e disse-me: «mister isto é uma oportunidade única» e é verdade, porque mais do que o reconhecimento do adversário, que temos pela frente, nós o que acreditamos e que é que temos de dar tudo. Amanhã é um dia que significa muito para nós», referiu o treinador vilacondense, que tem suscitado o interesse de vários clubes em Portugal.

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