Caminho para o Brasil 2014: Uruguai com ataque de respeito
Caminho para o Brasil 2014: Ataque uruguaio promete fazer estragos

Liderados por Óscar Tábarez, o Uruguai precisou de jogar o play-off para se qualificar para o Mundial do Brasil. Na fase de apuramento da Conmebol a equipa acabou numa surpreendente quinta posição, com sete vitórias, quatro empates e cinco derrotas atrás de Argentina, Colômbia, Chile e com os mesmos vinte e cinco pontos do quarto classificado Equador. Só que no confronto directo a vantagem foi dos equatorianos, por isso o Uruguai teve de medir forças com a Jordânia e facilmente se impôs com um expressivo 0-5 com golos do benfiquista Maxi Pereira, Christian Stuani, Nicolás Lodeiro, Cristian Rodriguez e Cavani na primeira mão, ficando-se pelo nulo na partida de Montevidéu.

Volvidos 54 anos o Uruguai espera poder repetir o Maracanazo e tal como as outras equipas sul-americanas pode aproveitar o factor climatérico a seu favor, visto estar mais e melhor adaptado ao mesmo. È uma selecção que ficou em quarto lugar no Mundial da África do Sul e venceu a última Copa América em 2011. Luis Suaréz e Cavani, são duas setas apontadas às redes adversárias. Apesar de nenhum deles ser particularmente veloz, a sua grande capacidade técnica, aliada ao jogo aéreo do ponta-de-lança do Paris Saint-Germain, culminando na irreverência do avançado do Liverpool tornam esta dupla uma das mais perigosas presentes no Campeonato do Mundo.

Meio campo versátil no apoio a um ataque temível

Uma das vantagens de Óscar Tabárez é ter um conjunto de jogadores que lhe permite jogar em vários sistemas tácticos. O 4-4-2 suportado num meio-campo com Cristian Rodriguez e Lodeiro nas alas a servirem Suarez e Cavani, cabendo a Gargano e Arévalo Rios segurar o centro do terreno. Por outro lado pode apostar num 4-3-3 com Diego Pérez a juntar-se ao meio-campo, recaindo depois a aposta em Rodriguez ou Lodeiro como terceiro homem do ataque, sendo que no banco jogadores como Christian Stuani ou o já veterano Diego Forlan, são nomes a ter em conta.

A defesa essa permanece intacta independentemente do esquema utilizado, Maxi Pereira e Martin Cáceres ocupam-se das laterais, enquanto no centro os dois Diegos, Godin e Lugano compõem o restante quarteto. Muslera é sem sombras de dúvidas o titular indiscutível na baliza. Mas é no ataque que está a força deste Uruguai, com Suarez e Cavani a somarem entre si um total de 59 golos.

O meio-campo não prima pela técnica, mas num 4-3-3 o poderío físico de Gargano, Arévalo Rios e Diégo Perez tem a capacidade de levar a equipa para a frente, além de serem três elementos que só param de correr quando o árbitro termina a partida. Se a opção recair no 4-4-2, as alas tornam-se em autênticas vias-rápidas, pois tanto Martin Cáceres, como Maxi Pereira são dois laterais que sobem constantemente no terreno na ajuda aos extremos.

Outro sistema táctico que o Uruguai usa embora tenha vindo a deixá-lo ultimamente é o 3-5-2. Desse modo Martin Cáceres passa para central e Maxi Pereira avança juntamente com Álvaro Pereira, regressando o trio Pérez, Gargano e Rios. Esta possibilidade permite um maior apoio ao ataque, mas principalmente foca-se na luta a meio-campo e em ganhar a posse de bola. No entanto o maior segredo desta selecção está na raça que todos os jogadores entregam durante todo o jogo, fazendo uma pressão alta e constante, diante do portador do esférico.

Balanceamento ofensivo premeia fragilidades defensivas

A grande vertente ofensiva do Uruguai tem o seu lado negativo no facto de se expôr em demasia na defesa. É sabido que os avançados pouco ou nada defendem, e o meio-campo nem sempre faz as devidas compensações defensivas nas subidas dos laterais. Para além disso a velocidade não impera nos médios, o que os leva em muitas ocasiões a recorrer à falta, por vezes com algum excesso de agressividade.

Na fase de apuramento apesar de nenhum jogador ter visto o cartão vermelho, o certo é que em 16 jogos os uruguaios viram 41 cartolinas amarelas, com o central Diego Lugano a ser o mais visado com sete. Os laterais sobem durante todo o jogo, mas depois não recuperam com a devida rapidez e quer os alas ou o médio mais defensivo não fazem as devidas coberturas, deixando a defesa remetida aos dois centrais.

Centrais esses que apostam numa pressão forte sobre o homem que tem a bola, mas tanto Godin e Lugano não são propriamente rápidos e como tal acabam por ser batidos, quer na antecipação, quer em situações de um contra um. A melhor prova destas lacunas está no facto de o Uruguai ter apontado 25 golos e sofrido outros 25, durante a fase de qualificação.

O LÍDER: Diego Lugano

O central do West Bromwich Albion é o esteio da selecção. A sua voz de comando impõe respeito nos seus colegas e nunca vira à cara na hora de enfrentar o adversário. Aos 33 anos fará possivelmente o seu último Mundial, que pode ser histórico para o jogador caso jogue diante de Costa Rica e Inglaterra, já que atingirá a 100ª internacionalização ao serviço do Uruguai frente aos ingleses. Ao todo já leva nove golos apontados e destaca-se pela sua agressividade na marcação e o seu forte jogo aéreo.

O ÀS: Luis Suárez

É o melhor ponta-de-lança da actualidade, dono de uma qualidade técnica acima da média, não se limita a ficar dentro da área à espera que a bola chegue até si. Luis Suárez tem a seu favor uma grande mobilidade, remate espontâneo e também os livres directos. Pelo Uruguai leva já 77 jogos disputados e 39 golos apontados, tendo sido o melhor marcador na fase de qualificação com 11 golos. Foi quem mais vezes acertou nas redes das equipas inglesas com 31 remates certeiros. Por outro lado o jogador tem por vezes actos de maior agressividade para com os adversários, o que já lhe valeu alguns castigos pesados. A mais recente operação a que foi sujeito ao menisco, coloca-o em dúvida para o Mundial.

A NÃO PERDER: Gastón Ramírez

Aos 23 anos o médio-ofensivo actua desde 2012 no Southampton, onde já marcou seis golos em 38 jogos. Destaca-se pela sua velocidade e boa capacidade técnica, sendo comparado no seu país a Kaká. Porém o azar bateu-lhe à porta no último mês de Janeiro com uma lesão no tornozelo que o retirou da equipa, mas ainda assim mereceu a confiança de Òscar Tabárez e será mais uma solução ofensiva para o Mundial.

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