GP do Canadá: análise às equipas
Ricciardo corta a meta no GP do Canadá 2014 (Foto: Paul Chiasson/AP).

Depois do GP do Bahrain que foi espectacular, poucos apostriam que seria possível fazer melhor. A verdade é que a corrida do Canadá foi fenomenal, interessante do inicio ao fim, com muitas lutas. Um GP espectacular que vem provar duas coisas: As mudanças nos regulamentos trazem de facto novos ingredientes que permitem este tipo de corridas e que os bons circuitos são sempre mais propícios a boas corridas, o que deveria fazer pensar a FOM antes de decidir-se pela localização de um GP.

Red Bull

Uma equipa na verdadeira ascensão da palavra. Começaram de forma péssima o ano, o carro não era nem de perto nem de longe competitivo. Mudaram, melhoraram, conseguiram evoluir o carro e é agora claro que são os segundos mais rápidos do grid. Vettel voltou a dar um ar da sua graça. Boa volta na qualificação e uma corrida sólida. Mas notou-se falta de algum génio (e carro também) para passar os Force India. É por causa disso que o talento de Vettel é constantemente questionado. Quando é preciso mostrar algo mais … o alemão não brilha como podia e devia. Já Ricciardo tem brilhado e ofuscado Vettel. O australiano não avisou que era assim tão bom. Que desempenho fantástico do “Sr Sorrisos”, que consegue a sua primeira vitória na F1. Manteve-se no topo e quando foi preciso atacou a liderança e venceu. Que ano de estreia fantástico na Red Bull! E ainda vai surpreender mais.

Mercedes

Até agora os Mercedes tinham roçado a perfeição. Mas Paddy Lowe tinha dito que receava mais as desistências que a luta entre colegas de equipa. E o Canadá provou que os Mercedes também falham. Os monolugares de Hamilton e Rosberg tiveram problemas no sistema de recuperação de energia que os fez perder potência. O mais azarado foi mais uma vez Hamilton. Depois de uma desistência na Austrália, foi obrigado a desistir outra vez devido a uma falha nos travões traseiros. Ficou fragilizado no Mónaco, onde não teve argumentos para o seu colega de equipa e este fim-de-semana aconteceu o mesmo. E já se sabe que no jogo psicológico Hamilton não é tão forte. Está na mó de baixo. Já Rosberg esteve em grande. Voltou a bater o seu colega de equipa na qualificação e liderava até as falhas mecânicas surgirem. Mas mesmo assim Rosberg manteve a liderança até as ultimas voltas o que mostra duas coisas: o Mercedes é tão bom que até com 160Cv a menos que a concorrência conseguiu aguentar a liderança mais tempo do que se pensava e Rosberg está com a estrelinha de campeão. Ia batendo contra o muro da chicane, na sua volta de saída das boxes e com sorte conseguiu seguir, cortou a chicane antes da recta da meta e não foi penalizado (algo que devia ter acontecido, pois ganhou 0.6 seg em relação a Hamilton) e os Force India seguraram os Red Bull o tempo suficiente para o alemão assegurar o pódio. Não tiramos o mérito a Rosberg, que esteve brilhante, mas não há campeões sem sorte e Rosberg, ao contrário de Hamilton parece ter a sorte do seu lado.

McLaren

Ninguém deu por isso mas Button fez uma corrida excelente. A luta pelos lugares da frente absorveu as atenções todas mas o britânico realizou uma excelente recuperação, que lhe permitiu chegar ao 4º. É verdade que beneficiou das desistências, mas em competição é preciso aproveitar os azares alheios e graças a isso Button somou pontos preciosos, tendo ultrapassado Alonso e Hulkenberg, que não são nada fáceis de passar. Merece mais um ano na McLaren com um carro decente. Tem sido ele a salvar a equipa nos últimos 2 anos. Já Magnussen eclipsou-se completamente. Muito longe do jovem que espalhava classe no WSR e que brilhou na primeira corrida. O dinamarquês pontuou é certo, mas de um talento como o dele espera-se muito mais. Melhorias são esperadas para a próxima corrida na McLaren e são bem necessárias. Não convém contar apenas com a sorte para pontuar.

Force India

Perderam uma oportunidade de ouro para voltar ao pódio. A estratégia foi bem pensada e executada, os carros bem afinados e os pilotos não comprometeram. A Force India está a dar os passos certos para se tornar uma equipa forte e consolidada. Hulkenberg, mais uma vez ao seu estilo fez 5º. Não sabe o que é não pontuar em 2014. Segurou Vettel meia corrida, mas não se deu bem com os pneus “super soft” o que explica a falta de andamento no final. Mas é definitivamente um excelente piloto. Já Perez foi a estrela da companhia. Em qualificação o mexicano falha muito, mas em corrida é excelente. Poupou os pneus como ninguém e apenas um problema eléctrico que afectou os travões o tirou do pódio. Embora penalizado pelo acidente com Massa, não acreditamos que tenha sido uma manobra mal calculada por parte de Perez, mas sim uma manobra de recurso, quando tenta sair da traseira de Vettel para não chocar contra o Red Bull, o que o faz mudar a trajectória e colocar-se no caminho de Massa. Um acidente arrepiante que fez temer o pior. Perez tem um talento inegável mas falta lhe a consistência psicológica para ser grande. Uma cura como fez Grosjean não lhe faria mal nenhum.

Ferrari

A versão B do F14T não resultou. O carro não foi competitivo e o 6º lugar de Alonso é prova disso. Ultrapassados por Force India, Williams, Red Bull e até McLaren em andamento, a Scuderia precisa de rever muita coisa. Não será fácil segurar Alonso assim (mais ainda com a nega de Newey), mas ainda assim o espanhol parece satisfeito com a nova liderança de Mattiacci. Mais uns pontos amealhados pelo espanhol, o “pronto socorro” sempre de serviço. Kimi Räikkönen é que continua irreconhecível. Não apareceu na pista ontem. Aquele pião no gancho é algo estranho. Uma espécie de erro de principiante que continua a cometer desde o início do ano. Este não é o Kimi. É uma cópia de má qualidade.

Williams

Finalmente se viu o verdadeiro potencial dos Williams, mas mais uma vez o resultado foi uma desilusão. Tem sido sempre assim. Massa fez uma corrida muito boa, com alma, com paixão e isso valeu-lhe a luta pelos lugares da frente. Mas foi essa mesma paixão que o levou a tentar passar Perez naquela curva. Nada contra ele arriscar ali e agradecemos que seja sempre assim, mas foi se calhar demasiado ambicioso. Ficou tudo bem com o brasileiro, que foi sujeito a 27G de força no embate. Um claro sinal que a segurança dos equipamentos está garantida. Mas merecia muito mais. Massa fez uma corrida espectacular. Tanto ele como a Williams mereciam o pódio. Mas haverá mais oportunidades ainda este ano. Já Bottas teve problemas com o seu carro no final o que explica o 7º lugar. Se não fosse isso poderia ter ambicionado algo mais. Mas estão no bom caminho.

Toro Rosso

Segundo Vergne, foi «uma das melhores corrida da minha carreira». A verdade é que 8º não é nada mau para o francês e para a equipa. O francês está pressionado e há vozes que se começam a levantar, dizendo que Sainz Jr deveria ser o seu substituto (Félix da Costa merece muito mais essa oportunidade mas isso é outra história). Já Kvyat teve de desistir com problemas no se monolugar. Não foi dos melhores fins-de-semana da equipa mas ainda assim bons pontos conquistados.

Sauber

Mais uma desistência para Gutierrez (problemas nas baterias) e um 13º lugar para Sutil. O carro é lento e não é nada competitivo. Não há forma do C33 se tornar num carro digno da F1. E tendo em conta as dificuldades financeiras que a Sauber enfrenta, é uma situação muito difícil para os suíços. Será o “canto do cisne” da equipa? Não queremos acreditar nisso.

Lotus

Nem Grosjean valeu à equipa. Duas desistências, com a asa traseira de Grosjean a partir-se e problemas de motor para Maldonado. Um passo atrás para a equipa que estava a viver essencialmente das boas prestações de Grosjean, já que o venezuelano continua a coleccionar acidentes, desistências e erros. Época nada fácil para a equipa inglesa.

Caterham / Marussia

Depois do brilharete do Mónaco, a Marussia acabou a corrida logo na primeira volta. Um erro de Chilton levou o seu colega contra os muros, danificando ambos os carros. E na corrida de ontem, com tantas desistências, poderia ter sido um repetir da história. Tanto é que o chefe da equipa ficou extremamente agastado com o sucedido. Já a Caterham continua a penar. Duas desistências também, com o colapso da suspensão traseira de Kobayashi e um tubo que se soltou no motor de Ericsson. Se a Caterham estava mal depois do Mónaco, agora fica ainda pior. Esperemos que a equipa não abandone a F1, mas a continuar assim será difícil. O seu monolugar é cinco segundos mais lento do que os Mercedes, o que comparado com os 3.5 Seg. da Marussia é muito significativo.

Travões

É já conhecido o novo sistema Brake by Wire da F1, e igualmente sabido que este sistema tem dado muitas dores de cabeça às equipas. E numa pista muito agressiva com os travões, a grande maioria das equipas teve mesmo problemas. É algo que deve ser revisto e com muita atenção. Aqui, no VAVEL.com, dedicaremos brevemente um artigo a este tema fulcral para a segurança dos monolugares.

Adrian Newey

Soube-se ontem que assinou um contrato por 3 anos com a Red Bull, mas que não o vincula a equipa de F1. Segundo declarações do próprio, irá trabalhar no RB11 de 2015 mas depois poderá optar por outros projectos com a chancela da Red Bull. Fala-se da criação de um centro tecnológico como o da McLaren, fala-se da sua participação no desenho de barcos para competições. Fala-se na sua participação em carros de estrada. Está tudo em aberto para o génio britanico que esteve quase para assinar pela Ferrari. Mas a pressão da equipa e as restrições dos regulamentos fezem com que Newey queira fazer uma pausa e experimentar coisas novas. Assim a Red Bull mantem Newey na sua equipa nem que seja como consultor e o génio britanico não vai reforçar outra equipa, ficando com carta branca para fazer o que quer. Para recusar 20 milhoes da Ferrari terá tido mesmo tudo à sua vontade na Red Bull.

Números do GP do Canadá:

1ª vitória de Ricciardo

7º pódio para Rosberg

Mercedes esteve 413 voltas seguidas na liderança de um GP

200º GP para Raikkonen

7ª pole para Rosberg

Tudo dito em relação ao GP do Canadá; o próximo encontro é dia 22 de Junho, na Áustria.

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