Portugal com a força da vontade
Os jogadores de Portugal celebram um dos golos. Foto: FPF

Para os jogos de preparação se pode fazer honor à frase popular das mães: «não importa o que faça o resto, importa só o que fazes tu». Porque a República da Irlanda não é a Grécia nem o México, mas há não muito Portugal sofria com os outros irlandeses e hoje deixou às mães sem palavras. Melhor dito, deixou a muitos portugueses a perguntar-se porquê não é assim sempre. Até se perdoa início da segunda metade.

Sim, só 45 minutos bastaram para esquecer dois jogos insofríveis e para ver a luz nalgumas linhas. Hugo Almeida fez oposições para caça golos nas partidas de Portugal no Brasil. Aos três minutos já tinha marcado o primeiro chegando a rematar como indicam nos livros e perto do intervalo apanhou um ressalto após do remate do Cristiano Ronaldo para fazer seu segundo, o terceiro da Seleção das Quinas.

O puzzle faz sentido

O melhor para Bento é que os golos não eram causa do azar. Seus jogadores saíram mentalizados para “morder” ao rival em cada bola. Claro exemplo era o Rúben Amorim, que como lateral direito voltou a demostrar que tem vontade de ser um fixo nos onzes lusos. Da sua pressão e posterior roubo da bola se iniciou o primeiro golo, foi a primeira das muitas vezes que se associou com Varela. Dessa sociedade saíram os dois golos do Almeida e apareceu o equilíbrio que Portugal acostuma a perder pela influencia do Cristiano no jogo.

Pode ser que a atual Bola de Ouro ainda precise de uns dias para estar ao máximo e isso beneficiou à equipa para encontrar-se melhor sobre o relvado. Ainda assim, apareceu em dois golos e marcou uma falta directa ao poste para mostrar que a recuperação é um facto. Primeiro de um passe de calcanhar para Coentrão e que o cruzamento do lateral batera no Richard Keogh antes de acabar superando ao guarda-redes. A conexão entre os ‘madridistas’ era uma desses pormenores dos que Portugal sentia a falta.

Outra das saudades da Seleção era do autêntico Meireles, esse de grande trabalho no meio e excelente chegada à área rival. Esse que tem feito sua aparição quando o jovem leão vestiu a camisola vermelha e lhe permitiu esquecer que mais atrás há uma baliza que defender. Porque William Carvalho não só absorveu o meio do campo do Sporting, parece ter feito dele o de Portugal.

Moutinho meio iluminado

Com eles dois completou o centro do campo um João Moutinho que ainda precisa de continuidade, mas que lê o jogo como nenhum outro jogador português. De facto de um passe longe do Moutinho para Nani gerou o cruzamento do ‘red devil’ para que Vieirinha fizesse o quarto. E numa jogada parecida foi o Coentrão a fazer, esta vez sim, seu golo. O quinto e fim de festa.

A sensação que fica com Moutinho é que quando a bola passa pelos seus pés, o ritmo do jogo de Portugal sobe. Sobretudo quando há muitos homens com movimentos constantes e ele dá critério à circulação da bola, como se comprovou perto do fim numa jogada que passou por todo o frente de ataque português e acabou com golo anulado ao Nani.

Porém, as mães sempre querem o melhor para seus filhos e pedem mais. Mais concentração, que dure a partida toda. Ela não quer o descontrolo da segunda metade que permitiu ao McClean aparecer isolado para rematar cruzado e bater ao Rui Patrício. Esses erros podem supor fazer as malas antes de tempo num Mundial, ainda quando Portugal acabou em grande a preparação em terras norte-americanas.

Golos do jogo

Portugal 1–0 República da Irlanda. Hugo Almeida, min. 3.

Portugal 2–0 República da Irlanda. Richard Keogh (a.g.), min. 19.

Portugal 3–0 República da Irlanda. Hugo Almeida, min. 37.

Portugal 3–1 República da Irlanda. McClean, min 51.

Portugal 4–1 República da Irlanda. Vieirinha, min. 77.

Portugal 3–1 República da Irlanda. Coentrão, min 82.

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