E à quarta jornada o leão já faz contas à vida...
Marco Silva está pressionado a apresentar resultados já nas próximas partidas. (Foto: RR)

E à quarta jornada o leão já faz contas à vida...

Marco Silva enfrenta ciclo infernal «debaixo de fogo»; resultados e exibições da equipa decepcionam adeptos e causam apreensão.

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André Cunha Oliveira

Um total de 6 pontos conquistados em 12 possíveis é um balanço que coloca nesta altura Marco Silva debaixo de uma enorme pressão para as próximas partidas à frente do clube de Alvalade. O Sporting está já a quatro pontos de distância do topo da tabela e pode ver seriamente comprometido o objectivo de conquista do título nacional.

Mas mais até do que os próprios resultados, são as exibições pouco convicentes que parecem estar a gerar maior preocupação em Alvalade, com a equipa a revelar, nas quatro partidas disputadas até ao momento, uma gritante dificuldade em materialiar as oportunidades de golo criadas e uma evidente previsibilidade em várias das suas acções.

Empate com o Belenenses foi "mais do mesmo"

Adversário de ambições modestas, duas linhas defensivas encostadas lá atrás e os habituais vícios de anti-jogo demonstrados pelas equipas portuguesas do fundo da tabela. Um cenário já mais que conhecido pelos leões nos seus jogos em casa (e também por Benfica e FC Porto), mas que teima em apanhar desprevenida a formação de Alvalade.

Agora com Nani, um elemento que veio adicionar uma dose de criatividade e improviso que faltava à equipa, é no entanto na zona intermediária e defensiva que moram agora novos problemas que estão a emperrar a evolução pretendida por Marco Silva. Uns mais antigos que outros, é certo, mas em todos eles se pressupõe a implementação de mudanças numa equipa que precisa claramente de um abanão para voltar a trilhar o caminho das vitórias.

Sub-rendimento exige mudanças imediatas

Apesar da falta de pontaria evidenciada no último jogo em Alvalade, assim como nos restantes encontros já disputados, nem se pode dizer que o tridente ofensivo do Sporting não esteja a carburar. Nani, Carrillo e Islam Slimani dão mostras de qualidade e entrosamento de jogo para jogo, e as maiores lacunas da equipa vão residindo por agora na falta de coordenação do sector defensivo e fluidez do sector intemediário

O momento de forma e algumas deficiências técnicas e tácticas reveladas em particular por três habituais titulares do onze Marco Silva têm também contribuido para o actual momento, pelo que a sua substituição nas próximas partidas pode ser o tónico que falta para o leão regressar à constância no seu jogo.

3 |MAURÍCIO

Foi um dos pilares da defesa leonina na temporada passada mas entretanto a saída de Marcos Rojo parece tê-lo deixado órfão de um parceiro de maior capacidade e liderança no sector defensivo. O empenho demonstrado por Maurício em cada partida não tem disfarçado, neste início de temporada, as evidentes deficiências de nível técnico que apresenta, e essa falta de qualidade (e de velocidade), tem de certa forma travado a evolução do seu actual companheiro de sector, Naby Sarr. Para ajudar a potenciar as características do defesa-central francês, jogador possante e forte no jogo aéreo, Marco Silva vai precisar de recorrer a um central de outro corte técnico por comparação com o brasileiro. Paulo Oliveira e até mesmo Tobias Figueiredo estão na calha.

4 | JEFFERSON

O lateral brasileiro nunca escondeu, ao longo da última temporada, que o seu ponto fraco estava no posicionamento e jogo defensivos. Fortíssimo nas combinações ofensivas e cruzamentos para a área, Jefferson sentiu sempre mais dificuldades a defender. Mas esta época o jogador canarinho apresentou-se em baixa de forma nos primeiros jogos de pré-temporada e entretanto mais vulnerável no processo defensivo. Lacunas que têm aumentado de jogo para jogo e que juntamente com a expulsão no empate com o Belenenses vão atirá-lo para o banco de suplentes. Jonathan Silva, a segunda contratação mais cara dos leões para esta temporada, tem agora a sua primeira oportunidade de ultrapassar o brasileiro na luta pelo lugar de lateral-esquerdo do Sporting

8 | ANDRÉ MARTINS

André Martins, outro dos actuais titulares do Sporting mais contestados pela massa associativa. O número 8 dos leões não é daqueles jogadores que dê nas vistas pelos piores motivos ao longo de 90 minutos, mas também é daqueles cujo registo passa facilmente despercebido no final de cada partida. E isso, tendo em conta o papel preponderante da posição que ocupa no terreno, não é algo que abone propriamente a favor do jovem médio. Apesar das suas qualidades evidentes no leque de centro-campistas do plantel, Martins não tem sido o médio de referência de a equipa precisa nesta altura, surgindo raras vezes em zonas de finalização (ao contrário do demonstrado nos jogos de pré-época), e revelando sérias dificuldades na progressão com bola e envolvimento com os três homens da frente. 

«Margem de erro 0» para jogo com o Maribor 

Depois de dois empates consecutivos, Marco Silva está obrigado a vencer, e a convencer, na próxima partida do Sporting, com o Maribor. Em caso de derrota ou mesmo de empate, o jovem técnico pode ver a sua equipa entrar numa espiral negativa de consequências imprevisíveis.

Para além da ineficácia ofensiva já apontada pelo treinador, os leões têm denotado grande intranquilidade na hora de gerir as dificuldades apresentadas pelos adversários. Silva mostra-se por agora reticente em proceder a mudanças no seu onze-base, mas o rendimento apresentado por alguns dos seus jogadores parece não lhe dar outra alternativa que não seja a de fazer entrar novas caras na equipa. Dos que continuarem, casos de William Carvalho e Adrien Silva, é preciso recolocá-los ao nível do apresentado em 2013/14, e que ainda não foi visto na actual campanha.

Para os quatro compromissos a disputar nos próximos 15 dias - Maribor (f), Gil Vicente (f), Porto(c) e Chelsea (c) -o leão vai ter de mostrar verdadeiramente as suas garras, sob pena de ser prematuramente abatido no conjunto dos objectivos traçados para a presente temporada.

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