Benfica sofreu para impedir Sp. Covilhã de «fazer Taça»
Foto: Paulo Novais/LUSA

Jorge Jesus procedeu a várias alterações na formação titular do Benfica aquando da deslocação à Covilhã. Pela frente, o Benfica esbarrou perante um Sporting da Covilhã destemido, aguerrido e pronto a «fazer Taça» com o talento que tinha à disposição: Traquina, irrequieto, foi um dos que mais brilhou perante o público da casa. Mas os visitantes, munidos de armas mais credenciadas, acabaram por sair do Complexo Desportivo da Covilhã com uma suada vitória: 2-3 com o contributo fundamental de Jonas, herói vermelho na serra.

Jorge Jesus transformou o Benfica e deu lugar aos menos usados

A grande maioria dos crónicos titulares ficou fora da convocatória de Jorge Jesus, tendo em conta as maiores debilidades do adversário e a proximidade do encontro da Liga dos Campeões, diante do Mónaco (próxima Quarta-feira). Jesus optou por rodar o plantel e dar lugar a jogadores menos utilizados, como o central César, o lateral esquerdo Benito, o médio italiano Cristante e aos extremos lusos Pizzi e Bebé e o holandês Ola John - do lote, apenas Cristante, Artur e André Almeida e Lisandro já tinham sido titulares. Jonas, também se estreou como titular - e que estreia seria a sua...

Benfica entrou a matar mas foi o Covilhã a brilhar primeiro

O Benfica não poderia ter desejado melhor entrada: incursão de Ola John pela área serrana e grande penalidade cometida por Tiago Moreira. Jonas encarregou-se de bater Taborda e marcar o segundo golo com a camisola do Benfica (primeiro contra o Arouca) - jogava-se o madrugador minuto 2. Quem adivinhava uma goleada fácil de labor suave, enganou-se: o Sp. Covilhã subiu as linhas e aproveitou o desconcerto defensivo encarnado para surpreender tudo e todos. Traquina, após corte falhado de Benito, esperou a saída de Artur e picou a bola com «suplesse»...esta apenas parou no fundo das redes. Minuto 9, empate e alegria caseira.

Com uma momentânea apatia ofensiva do Benfica, os da casa ganharam irreverência e mantiveram o assalto à baliza de Artur. O golo do 2-1 surgiu na sequência de um livre bombeada para a área que gozou da colaboração da acção defensiva das «águias», frágil e sem coordenação à altura da cabeçada de Erivelto - vantagem do Covilhã à passagem do minuto 43...Jesus terá rasgado as notas e alterado o discurso vociferado ao intervalo...

Jonas foi herói ao resgatar o Benfica dos trilhos penosos da Serra

A vantagem da casa durou pouco mas durou o suficiente para acordar os ânimos encarnados: um passe longo de Cristante, daqueles que levam a sua marca registada, encontrou um desmarcado Jonas que, no meio dos centrais serranos, encostou com classe para o fundo das redes de Taborda: 2-2 no marcador e um prenúncio de morte na Covilhã...à medida do ascendente das «águias», que ameaçavam levantar voo. A dinâmica de Pizzi, Jonas e do récem-entrado debutante Gonçalo Guedes (entrara para o lugar do lesionado Ola John) deixava antever o 2-3.

Taborda ainda se opôs a duas chances claras de golo do Benfica (Guedes num remate a 20 metros e Pizzi na sua cara, a passe de Bebé) mas o inevitável aconteceu: a passe rasteiro de Pizzi, Jonas, com subtileza, empurrou para a baliza serrana, desfeiteando Taborda pela terceira vez - jogo de mestre do antigo avançado do Valência, a comprovar as credenciais trazidas do Mestalla: será Jonas novo titular do Benfica de Jesus, e...quem sairá?

Na recta final da partida o Sporting da Covilhã ainda esboçou uma resposta, ainda que ténue e cansada. Traquina, com um golo e uma assistência, realizou uma partida de alta qualidade e foi acompanhado pelo brio de colegas como Erivelto, Xeka (entrou e jogou a bom nível) ou Gilberto Silva. Sem forças, a equipa da casa perdeu e viu o Benfica safar-se dos trilhos penosos da Serra muito por culpa da apurada técnica goleadora de Jonas - destaque para o positivo jogo de Pizzi e para a exibição medíocre (apenas) de Bebé, do qual se esperava maior irreverência técnica.

Gonçalo Guedes em estreia absoluta

Destaque também para a estreia do benjamim benfiquista Gonçalo Guedes, que entrou para colmatar a saída do lesionado Ola John, aos 25 minutos. O jovem, formado no clube da Luz, entrou e soube dar conta do recado, fazendo-se acompanhar do talento técnico que muitos vislumbram como arma de um global potencial que a poucos assiste. Guedes testou os reflexos de Taborda e mostrou desenvoltura na hora de conduzir a bola e decidir quando desenhar, quer os passes quer os remates - nota positiva para o jogo do novato...esperemos que possa gozar de novas chances de mostrar o que vale na Luz.

Benito falhou teste que Eliseu costuma chumbar - a defender...

O lateral Benito, contratado no Verão, não foi capaz de demonstrar a Jesus qualidades posicionais e defensivas que deixem o treinador da Luz na dúvida entre a sua utilização ou a do lateral mais que ofensivo Eliseu. Benito mostrou-se inseguro na abordagem dos lances e foi regular nas falhas posicionais - tendo uma delas permitido o golo a Traquina. A sua descoordenação táctica valer-lhe-á certamente mais jogos no banco, mas a sua juventude ainda lhe dá margem para corrigir os erros cometidos na estreia.

Jesus reconheceu «vitória sofrida», Chaló com «confiança enorme no futuro»

«O Benfica encontrou uma equipa bem estruturada e que nos criou dificuldades», introduziu Jesus após a partida, confessando «que foi uma vitória sofrida, porque o Covilhã acreditou sempre», afirmou à SportTV. Francisco Chaló, técnico da casa, elogiou a actuação da sua formação: «Não vivemos de vitórias morais, mas há derrotas que não representam muito. Provavelmente vocês não contavam que o Covilhã desse a resposta que deu. Não gosto de perder, mas acho que foi uma equipa activa, e esta personalidade é a razão que nos sustenta e nos dá uma confiança enorme para o futuro. Espero que isto seja o princípio de uma evolução para a dinâmica deste clube».

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