Lotus 2014: um passo atrás

Lotus 2014: um passo atrás

Desde o ressurgimento do construtor inglês, em 2010, que se espera uma equipa forte para lutar pelos lugares da frente. Em 2014 isso não aconteceu e o 8º lugar na tabela de construtores reflete isso mesmo.

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Pedro Mendes

A verdade é que ficaámos mal habituados com as performances da equipa fundada por Colin Chapman, durante os anos de 2012 e 2013. Foram dois anos fantásticos, onde os ingleses atingiram o 4º lugar da classificação colectiva, mas este ano foi decepcionante… ou já estávamos à espera?

Problemas financeiros

O final da época passada ficou marcado pela contratação da Ferrari do piloto da Lotus, Kimi Räikkönen, que tinha sido até àquele momento o melhor da equipa, diferenciando-se de Romain Grosjean, que vinha em aprendizagem à F1. Muito se falou e se escreveu, mas ficamos a saber que a equipa britânica tinha uma dívida salarial com Kimi, que pode ter desencadeado a sua saída.

Ficava Grosjean, que fez uma excelente recta final de 2013. Para 2014 esperava-se que a Lotus contratasse um bom piloto para fazer dupla com o francês, tal como tinha acontecido nos dois anos. As dificuldades em pagar a fornecedores (Renault incluída) precipitou a necessidade de entrada de capital, neste caso, um piloto que pudesse trazer bons patrocinadores e até pagar o seu lugar. Surgiu a hipótese da entrada de Pastor Maldonado, famoso não pelos dotes em pilotar mas sim em estar presente nos principais acidentes das corridas. Para a Williams foi bom, que pôde contratar Massa para o lugar do colombiano e para a Lotus também, que conseguiu que entrasse dinheiro.

Problemas Renault

Como todas as equipas fornecidas pela Renault, a Lotus sentiu bastantes dificuldades nos testes pré-temporada. Para além de problemas vários na unidade motriz dos franceses (que prejudicou inclusive a campeão Red Bull), os problemas financeiros da equipa, não permitiram que pudessem estar presentes nos primeiros testes em Espanha. Na altura esteve mesmo em risco a continuidade da Lotus e o desenvolvimento do novo modelo sofreu atrasos. Ainda assim, e indo quase contra todas as previsões, a Lotus fez alinhar os dois carros no G.P. da Austrália, um feito para a equipa.

Os problemas com as unidades motrizes continuavam em todas as equipas fornecidas pelos franceses, mas com a adição dos próprios problemas dentro da equipa, a Lotus não estava ao melhor nível para a competição.

Erros crassos

Em qualquer competição, ao mais alto nível, costuma-se dizer que os erros pagam-se caro. A Lotus sofreu desse mal. Pastor Maldonado esteve bastante infeliz em algumas provas, com acidentes sem qualquer explicação que iam custando penalizações. Ninguém se esquecerá do acidente causado pelo colombiano no Bahrain, quando ao sair do pit lane, depois de uma paragem, embateu contra a lateral do Sauber de Gutierrez, com o monolugar do mexicano a rodar no ar. Ou o embate contra o muro de protecção na segunda sessão de testes livres do GP da China, quando ia a entrar no pit lane.

São erros de rookies que um piloto com alguma experiência e numa equipa que poderia lutar pelos lugares cimeiros, não pode cometer, mas a bem da verdade, o modelo de 2014, o E22, não estava a ajudar os pilotos.

Em 19 corridas este ano, a Lotus apenas pontuou em 3 (Espanha, Mónaco e EUA) e por 3 vezes, os dois pilotos não terminaram a corrida. Pastor Maldonado e Romain Grosjean tiveram de desistir em 7 provas cada. Se os pilotos não têm os carros no seu melhor, também não se pode pedir que façam milagres.

Esquecer 2014 e pensar em 2015

Resumindo, a Lotus teve um mau ano. Depois de ter surgido em bom plano durante duas épocas consecutivas, 2014 tem de ficar para trás e 2015 tem de ser mesmo um ano de recuperação. A dupla de pilotos é a mesma e espera-se que esteja mais madura. Grosjean ainda fez esperar pela decisão de renovação, mas os lugares das equipas da frente estavam fechados.

A situação financeira, do que se sabe, não é a ideal, mas a equipa está melhor do que no final de 2013, pelo que se espera um bom desenvolvimento do novo modelo, já com os novos motores fornecidos pela Mercedes. A Lotus chegou a acordo com a marca alemã para o fornecimento das unidades motrizes, depois da Mercedes ter ganho tudo o que havia para ganhar em 2014.

Resultados da Lotus em 2014:

8ª classificada no Campeonato de Construtores, com 10 pontos;

Romain Grosjean terminou em 14º com 8 pontos;

Pastor Maldonado terminou em 16º com 2 pontos;

Grosjean completou 953 voltas em 2014, enquanto Maldonado completou 847 voltas;

Melhor posição em corrida: Grosjean, 8º no GP do Mónaco.

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